quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A beleza do efêmero



Imagem by Freepik

A nuvem que caminha ao lado do sol até se esvair completamente.
A borracha que apaga pacientemente os erros impensados do lápis.
O açúcar, que diluído em café, torna-se transparente e deixa seu rastro doce.
A melodia que acompanha a letra e vira música para ouvidos alheios.
A chuva que cai e some na terra para virar alimento.
O beijo de despedida que se transforma em vaga lembrança.
Bolha se sabão, linda, leve e graciosa, que estoura sozinha e vira nada.
A onda do mar que ora vem brava, ora vem mansa, mas sempre morre obedientemente na beira da praia.
A poeira da estrada que, quando um carro passa, levanta, faz a maior festa, mas fica para trás...
Talvez eu seja assim, a beleza do efêmero. Só se percebe quando já se foi.
Bia Hain


9 comentários:

  1. Belo momento poético ! mas diferentemente do título, nada tem de efêmero.

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  2. "O açúcar, que diluído em café, torna-se transparente e deixa seu rastro doce."

    Sem comentários. Comparação perfeita. É como a arte se diluir num poema e deixar um rastro de amor. Muito bom mesmo, abraços!

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  3. Toda vez que leio a palavras EFÊMERO logo me vem a mente as fabulosas e magníficas borboletas...
    Lindo!
    Abraços

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  4. Bia, vc foi máxima nesse poema-filosofal. Aplausos. Bjos.

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  5. talvez não seja tu assim: percebida quando se foi; mas talvez a gente veja o mundo dessa forma, dando valor apenas quando se vai e não se tem para palpar.
    lindo poema, beijos.
    Diuliana

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  6. Bia,

    quanta arte você colocou aqui. Quanta poesia!
    Um dos textos mais encantadores que li nestes últimos tempos.

    Reli algumas vezes para tentar reter essa beleza toda, concluí que não consigo reter nada, tudo nos escapa, até quando pensamos que é nosso.

    Um beijo

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  7. Realidades que duram por alguns instantes mas são totalmente invisíveis aos olhos de quem dorme . Podemos ver, sentir,mas quando percebemos se foi, ficando apenas lembranças..

    Muito lindo...

    Abraços

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  8. Bia
    esse poema é lindo!
    E é real, a vida nos dilui pouco a pouco num ritmo gradual e constante, temos que nos reinventar para seguir vivos e com alegria. Mas nem assim podemos deixar de admitir que estamos indo...

    Abraços

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