quarta-feira, 14 de março de 2012

A porta do armário


Pois é, hoje eu não pretendia postar nada, até porque estava adiantando alguns afazeres, o tempo estava curto.   Então, eis o que aconteceu: eu me preparava para arrumar a cama antes de tomar um merecido banho. Quando me virei com os travesseiros na mão, senti um golpe inesperado e dolorido na cabeça. Foi a porta do armário.
Ela simplesmente caiu forte e impiedosamente na minha cabeça, atingindo a lateral direita, um pouco acima da orelha. Doeu muito, muito mesmo. Levei a mão na cabeça e, aliviada, senti um galo enorme, daqueles de história em quadrinhos, onde só faltam alguns passarinhos aparecem voando em volta. Senti uma vontade imensa de chorar, e olha que, apesar da aparência frágil, sou bem durona para essas coisas! Não, caros leitores, eu não quis chorar de dor.
Com cinco anos caí de patins, bati a cabeça, não houve galo nenhum, mas eu tive um traumatismo que me rendeu dez dias em coma (ps: depois voltei a andar de patins!). Também com cinco anos, minha filha caiu de um balanço, bateu a cabeça, não houve galo nenhum, mas teve um traumatismo e ficou um dia fora do ar, sorte ter sido atendida logo.
Bem, vamos onde quero chegar. Nas duas ocasiões, os médicos disseram que, numa batida na cabeça, é melhor que haja um galo do que nada, porque o galo geralmente é sinal de que a machucadura foi para fora, e não para dentro. Daí veio minha vontade de chorar. O galo me fez pensar que os médicos tem razão. São as pequenas dores guardadas por dentro, relevadas e que parecem muito pouco, que somadas se tornam um grande coágulo emocional que um dia explode e faz estragos no nosso coração, e às vezes, no de quem está perto. Há alguns dias passei por uma dessas explosões que me fez querer colocar em prática de vez decisões tomadas há muito tempo. Foi bom por um lado, muito duro por outro. Não posso deixar que outro coágulo se forme, tenho que preservar minha doçura e minha sensibilidade. Agora, é só uma questão de tempo e oportunidade.
Será que a queda da porta do armário foi um aviso divino do tipo: "hei, acorde, sacode essa poeira, menina."? Não sei. Só sei que ainda está doendo, mas vai passar. Toda dor passa quando usamos os remédios certos.

Imagem by www. dicasgreen.blogspot.com

29 comentários:

  1. Olá Bia,

    Esta porta do armário rendeu-lhe, além de um galo, uma excelente reflexão.
    Considero perigoso demais os estragos causados por dores abafadas e retidas no coração. Isto gera perda de equilíbrio e grandes males ao corpo e ao espírito.
    A construção de sua última frase ficou perfeita:
    "Toda dor passa quando usamos os remédios certos".
    Valeu a reflexão! Também preciso meditar sobre sua colocação.

    Beijão.

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    1. Oi, Vera! Falou muito bem, dores retidas não só afetam o físico como também a alma, talvez estes os remédios mais difíceis de encontrar, porque estão escondidos dentro da gente. Um abraço!

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  2. É verdade, Bia. É só uma questão de tempo para que sentimentos aprisionados se libertem com uma intensidade muito maior do que realmente têm. Preciso muito pensar sobre isso. Acho que ando acobertando alguns. Ótimo post!
    Um beijo!

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    1. Usou um termo interessante, Isa, "acobertando"...Na turma do "deixa disso", sentimentos acobertados vão se acumulando. Respeitar o limite entre o deixar para lá e o se anular é um grande desafio. Um abraço!

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  3. No decorrer da vida temos avisos que muitos dizem ser sinais dos espíritos amigos, fugindo da crença, o que eu acho belo no seu texo, Bia, é a lição que vc tira. Parabéns por ter essa visão ampla. Bjos.

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    1. Pois é, Eder, uma coisa que não consigo conter é o pensamento criativo acerca de acontecimentos do dia a dia. Sobre o aviso dos espíritos, não acredito e não duvido. Um abraço!

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  4. Nossa, perfeita sua postagem ! Amei a reflexão que fez , por um mero detalhe cotidiano! Ahasou. Beijão, www.spiderwebs.tk

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    1. Sabrina, você busca informações na Wikipédia para fundamentar suas postagens, e eu, na porta do armário que cai! hahaha, Cada uma com suas fontes! Um abraço!

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  5. Maravilhoso menina, que reflexão, a ultima frase me marcou muito, acabei de levar um sacode aqui.

    ps:fiz uma enquete sobre o presente do Top Comentarista, se desejar votar, agradeço de coração.

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    1. Levar sacodes, às vezes, é o que nos empurra para frente, Patrícia. Terminando aqui darei um pulinho no seu blog para votar na enquete. Um abraço!

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  6. Olá Bia, amei esta sua reflexão e também sua maneira de encarar um fato corriqueiro desta forma, se todos refletíssemos de vez em quando de forma mais profunda diante de acontecimentos do cotidiano, aprenderíamos muito !
    Concordo contigo, tudo que guardamos ou ignoramos dentro de nós um dia cresce de tal forma por não ter sido "tratado" que pode nos prejudicar muito e como disse, afetar os que nos cercam também... de vez em quando é necessário fazer uma limpeza emocional, enfrentar certas questões e dar uma geral na "casa" interior para que tudo esteja em ordem e não nos machuque de supetão causando estragos inesperados e dolorosos...
    Muito bom !

    Um super beijo e melhoras ;)

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    1. Oi, Samanta, obrigada por sua visita! Concordo com o que disse, precisamos periodicamente fazer uma limpeza emocional. Pensando por esse lado, quanto mais sujeira deixamos acumular, mais suja a "casa" vai ficando, mais difícil de limpar, mais vamos empurrando com a barriga...dá para fazer outra analogia com o coágulo emocional. Ótimo ponto de vista, um abraço!

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  7. Belíssima analogia Bia. Não desejo que a porta do armário te machuque novamente, no entanto, não posso negar que a pancada veio da porta que se abriu pra um belo texto. Que o galo se acalme.
    bjs

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    1. Oi, Laércio, "que o galo se acalme" foi uma ótima observação. Já está mais tranquilo, por fora e por dentro. Um abraço!

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  8. "...São as pequenas dores guardadas por dentro, relevadas e que parecem muito pouco, que somadas se tornam um grande coágulo emocional que um dia explode e faz estragos no nosso coração, e às vezes, no de quem está perto..."

    Tenho galos emocionais tiranos,precisando ser exorcizados.Parabéns pelo inteligente texto,psicologia pura.
    beijo grande

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    1. Yasmine, exorcize seus galos antes que virem coágulos, quem avisa amigo é...Um abraço!

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  9. Bia

    Deu que pensar esta porta de armário!
    Quem sabe, se os anjos precisaram te dizer, liberta a dor, fecha a porta da amargura e sorri à vida!
    Que o remédio cure rápido qualquer que seja a dor.
    Beijinho

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    1. Oi, Luar, sorrindo eu sempre estou...fechar a porta para a amargura é necessário, usar o remédio certo precisão. Um abraço!

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  10. Olá Bia!! São as pequenas dores guardadas por dentro, relevadas e que parecem muito pouco, que somadas se tornam um grande coágulo emocional .... Que comparação interessante!! Adorei! E já te sigo!!
    Que saibamos enxergar esses pequenos machucados de dentro, e deixar Deus tocar né?? Bjss flor!

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    1. Sil abordou a questão com um toque especial na sua colocação: "deixar Deus tocar". São minhas conversas constantes com Deus que me permitem a cura, tenho certeza. Um abraço!

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  11. Sorri à vida ! :)
    Terei todo o gosto em seguir-te! ^^
    Beijo.

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    1. Oi, já visitei seu espaço e gostei muito. Volte quando quiser, um abraço!

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  12. Puxa... Quando eu tinha sete anos, caí de encontro com a quina de uma mesa, o que me rendeu uma cicatriz e mais nada. O seu golpe, além do galo, ainda rendeu uma bela reflexão!
    Beijos!

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    1. Nossa, deve ter doído um bocado...Minha sobrinha de três anos também levou alguns pontos esses dias devido á uma quina em seu caminho! Mas se acostume comigo, Lê, sou assim mesmo, "viajo" com situações cotidianas. Um abraço!

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  13. Bia,

    Eu já reparei que algumas pancadas do tipo aguda faz com que venha uma vontade de chorar. Parece que o lado "criança" aflora, mas não é nada disso. É que somos feitos de sentimentos e a dor existe de fato. Algumas dores ao bater no corpo são realmente ruins, trata-se de uma agressão não esperada.

    E uma vez... caiu uma janela na minha cabeça... foi o pior galo da vida! Cantou uma eternidade!

    Beijos

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    1. Oi, Sissym!!! Tem razão, por mais firme que eu seja, a pancada me despertou algo realmente infantil, acho que fiz até beicinho, hahaha. Mas tirando o lado emocional, doeu muito mesmo, há tempos não sentia algo parecido, inclusive continua doendo, só que menos, acho que meu galo vai cantar um bom tempo...Calculo você com uma "janelada" na cabeça, que dó! Explicou bem, talvez por ser uma agressão gratuita, do tipo: "não fiz nada errado para merecer", hahaha, olha aí a criança de novo...Muito bom ter você por aqui, Sissym, um abraço!

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  14. Eu digo o mesmo, terei todo o gosto em recebe-la! * :)

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  15. Oi Bia, adorei a reflexão inspirada na batida na porta do armário, que bom que fez o galo e não foi nada demais a não ser um acorda menina, vc refletiu muito bem, o que mostra que sabe exatamente o que deve ser feito! Abçs

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  16. Boa noite Bia,

    Encontrei seu blog através do LiveBlog, e estou adora-lo :D
    Nossa, sua batida do armário deu mesmo para uma grande reflexão. Que esses machucados que não se vêm, mas que os sentimos muito bem, dêem o fora daí :D

    Beijinhos

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