sábado, 3 de março de 2012

A utilidade da futilidade

Imagem by Freepik

Há algum tempo ando com alguns temas pontuando meus pensamentos. Escolhi este, porque está aqui dentro há meses. Futilidade. 

Assisti ao remake da novela Ti-ti-ti, embora não seja aficcionada em novelas (dou minhas espiadas). Mas esta marcou minha infância, eu já tinha gosto por costuras e adorava o universo dos costureiros Jack Laclair e Victor Valentin. Pois bem, uma personagem me chamou a atenção na nova versão: a Camila, vivida por Maria Helena Chira. A princípio achei se tratar de mais uma "patricinha" recheada de futilidades e com o vão do cérebro preenchido por vento da melhor qualidade. Tsc, tsc, tsc, não se pode julgar sem conhecer, eu estava enganada. Camila era uma garota que tinha lá suas futilidades, era imperdoável estar com o cabelo desfeito, a unha lascada, sem uma roupa de grife ou um salto que não fosse um 15 agulha. Mas Camila tinha alguns diferenciais compensadores: era alegre, generosa e inteligente. Na foto acima, outra personagem fútil e inteligente, do filme Legalmente Loira.
Penso que futilidade é diferente de vaidade. Acho saudável a pessoa se cuidar com carinho, da higiene, da aparência...Não é preciso muito dinheiro para se manter bem, para si e para agradar quem nos vê. É uma questão de capricho e respeito.
Falando nisso, sem dissimulação, dinheiro e conforto são bons e disso não há dúvidas. O que eu questiono é quando a vaidade toma proporções tão grandes que não se pode mais viver sem (ou com) ela. Falo de quando se depende de um bem material, de uma escova de cabelo bem feita ou de uma roupa daquela marca famosa para se ficar feliz. Falo das pessoas que gastam uma grana no salão e nas lojas para ir jantar "naquele" restaurante da moda (mesmo que depois passem "na estica" até o final do mês), que cobra uma fortuna por um filé de frango com umas ervilhas na manteiga com nome chique quando poderiam comer um x-bacon na esquina e viverem felizes da vida com isso. Vou além, passam tanto tempo se deslumbrando com o aparato do glamour que se deixam tomar pela extravagância e esquecem de valorizar o que é simples, tornam-se escravos da aparência ou status, e com isso perdem oportunidades para serem felizes.
Ou ainda, daqueles que não participam de uma brincadeira ou dança em uma festa porque não podem espalhar os cabelos ou porque estão de saltos. Despenteou? Arruma depois. Está de salto? Tira e vai brincar descalço. Viva!
No Fantástico, dia 12/02/2012, em uma entrevista interessante de Ivete Sangalo (veja aqui) ouvi uma frase ligada à futilidade que marcou minha memória: "Cuida-se tanto para arrumar uma mesa e não se come direito."
É isso. Há pessoas que se preocupam tanto com detalhes fúteis que acabam deixando de saborear a simplicidade do dia a dia. Trocam momentos por futilidades. Camila era um tantinho fútil, mas não deixava de aproveitar a vida, ajudar alguém ou viver seu amor em prol de banalidades.
Sou a favor do desafio de se lançar à vida em vez de viver de aparência ou de conformismo. Não quero simplesmente morrer, quem morre não deixa grande legado. Eu quero terminar. Tal qual uma obra de arte bem feita e acabada. E para fazê-la, não há dinheiro que compre tintas e pincéis. É preciso vivê-la. Simples.


10 comentários:

  1. Bia, sou todo aplauso para esse seu texto.Eu não quero morrer, eu quero terminar. Linda frase, empresta para o meu epitáfio, não querendo ser mórbido, mas olha como ficaria: aqui estar resto de um homem que não morreu, apenas terminou... kkkkkkk. Bjos.

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  2. Bia concordo com seu texto do princípio ao fim. Futilidades não fazem mal, desde que elas não atrapalhe a sua vida e a vida dos outros. Gostar de futilidades e ser fútil tem uma grande diferença.
    O certo é choramos por uma unha quebrada e depois cortamos as outras nove.
    Adorei sua maneira de expor o texto.
    Beijokas doces

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  3. Enquanto houve mentes brilhantes como a sua a qual posta coisas maravilhosas haverá sempre um balde de gelo no qual poderá com poucas ou muitas palavras expor seja lá como for aquilo que sua linha da imaginação possa ela crias sempre estará parte daquilo que és daquilo que nos revela numa simples imagem assim como ti na sua mais pura simplicidade de mulher que és no intimo que fora criada posta sempre algo referenciando a fragelidade a força e as virtudes da mulher naquilo que és mulher. http://www.uanderesuascronicas.blogspot.com

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  4. Bia

    Concordo com seu texto na íntegra. Vaidade q.b. até por uma questão de amor próprio. Não viver e apreciar as coisas da vida por futilidade é de "tia dondoca" que alimenta o físico sem alimentar a alma. Quando menos espera acaba a morrer de "fome".
    Beijinho

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  5. Olá Bia, retribuindo a visita em meu blog, e meu sumiço é que ando desencantado com o Dihiit, mas nada sério. Desejo a vc uma semana de bençãos e produtividade. Abração e obrigado pelo carinho.

    Paulo

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  6. BIA,

    Seu texto esta digno de muita observação e detalhes,Não sou contra a vaidade, a um cabelo bem penteado, uma roupa fina, um salto elegante, desde que não furte de você a liberdade e viver, de sentir, de encarar o momento que a vida oferece.Desapegarmos da vaidade e mostrar o nosso real querer, nos desprender do conformismo, do aparente e partir para uma vida real, cheia de encantos. A vida esta ai, o tempo passa, é preciso saber viver sem regras, restrições ou prisões ...

    Abraços

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  7. Fantástica e muito válida a sua reflexão, querida!

    Sempre aprendo vindo aqui...

    Um beijo carinhoso!!

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  8. Oooi! Não sei se você costuma participar das brincadeiras entre blogs, mas tem uma tag para você lá no Just It, beeijos

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  9. Querida amiga, boa noite: a altíssimo nível, o que já não é surpresa por maior, já estava habituado. É reconfortante pensar que há coisas essenciais e não acessórias na vida que não mudam. A qualidade das tuas reflexões será seguramente uma delas. Bia, um sincero e carinhoso beijo.

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