sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Uma linha tênue e irreparável

Um fenômeno chamou minha atenção. Em uma semana li três histórias sobre suicídios anunciados no Facebook, o que me fez pensar bastante. Hesitei escrever sobre um tema tão delicado, mas acredito que nada é mais urgente que cuidar da vida. Mortes que acontecem por iniciativa própria são um tabu por serem ocultadas, alguns padres se recusam a encomendar corpos - atitude que não concordo - e famílias carregam estigmas deixados por seus entes que não suportaram viver.

imagem do google

O que me preocupa é a popularidade que tem se dado ao ato. É preciso pensar nos impactos que um suicídio causa nas pessoas que a cercam. Convivi de perto com uma família que perdeu alguém assim e vi o quanto isso causa sequelas em quem ficou para o resto de suas vidas, imagino o impacto que pode ter em uma rede social. Fiquei pensando se houve as famosas "curtidas" tão banalizadas no mundo virtual.
Estudando e observando o assunto posso citar alguns fatores que silenciosamente levam a pessoa a tal iniciativa:

  •  Não se sente compreendida, tenta abertura para falar sobre o que sente mas não tem espaço, ou é mal interpretada, ou, na tentativa de atenção, recebe de volta uma inversão de jogo, onde acaba se sentindo julgada ou culpada. Sente-se sufocada.
  • Criada em uma cultura do "não incomodar" passa a mostrar uma aparência de satisfação e felicidade, quando no íntimo está sofrendo muito, ou seja, não se sente à vontade para compartilhar seu sofrimento. Sente-se no limite.
  • Está cansada de carregar os diversos percalços da vida, está sobrecarregada, sem apoio, sem ter com quem dividir seu cansaço da vida, o mesmo que vai desanimando e fragilizando ao ponto de não encontrar forças para enxergar um meio de reagir. Ou não tem mais objetivos, ou tem planos mas não se sente capaz de dar o primeiro passo. Sente-se deprimida e impotente.

Essas são algumas raízes que estão por traz de problemas efetivos. Um meio de evitar o extremo é passar a prestar atenção em seu íntimo. Deixar para procurar ou pedir ajuda quando todos os limites foram ultrapassados torna a recuperação mais complicada. Aprender a ouvir o outro até o fim, sem julgamentos precipitados ou levar as coisas para o lado pessoal, pode resgatar laços e ajudar a recuperar a confiança em si e no outro.

A linha que divide a vida e a morte é muito fina e cabe a cada um escolher se deseja ou não quebrá-la. Não está aqui o julgamento sobre quem escolheu a partida, cada um sabe o quanto é capaz de suportar. Não há questionamentos sobre egoísmo ou coragem, ser uma boa ou má pessoa, afinal, todos estamos suscetíveis a passar por momentos tão difíceis que nos parecem insuportáveis. Podemos encontrar atenção em redes sociais, mas é preciso compreender o uso desse potente instrumento de comunicação e seu alcance.

Divulgar o sacrifício da própria vida não gera frutos produtivos e pode incentivar a popularização de algum tipo de modismo irreparável.
Quem sabe um caminho seja tirar o botão curtir da rede e levá-lo para vida, mudar o foco sobre os objetivos, usar lente micro para as perdas e macro para os ganhos, ou buscar ajuda* para voltar a tornar a linha entre a vida e a morte um limite resistente e entregue aos caprichos do seu tempo.


*Se precisa de ajuda para falar sigilosamente sobre o assunto pode encontrar informações aqui.
Vídeo com entrevista sobre o tema criado pelo Canal Futura, clique aqui.
Filme em desenho sobre o tema, a princípio mórbido mas com um curioso desenlace, assista gratuitamente aqui.

95 comentários:

  1. Oi, Bia, concordo com os motivos, principalmente sobre se abrir com os outros. Também acho que muitas pessoas passam despercebidas pelas outras. Estamos ficando cada vez mais incapazes de notar o outro.
    Bjos e bom final de semana!
    http://amonailart.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Val! Penso que essa dificuldade de se abrir vem quando vivemos em um ambiente onde somos sempre muito cobrados a acertar. Esse é um dos pontos onde sempre acabo pecando.
      Eu estava vindo e pensando nas respostas, disse tudo: volto a falar da dificuldade da empatia, não de querer adivinhar, mas perceber o outro e o que é importante para ele(a), para tentar mediar uma solução boa para ambos. Procuro ser aberta a esse tipo de negociação, embora seja difícil encontrar essa disponibilidade.
      Um abraço!

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  2. Bia, hj li uma matéria sobre uma garota de 17 anos que suicidou-se após ter sido divulgado um vídeo íntimo. Acho que as pessoas que cometem esse ato sentem-se encurraladas e acreditam que o fim resolverá seus problemas.
    Sem querer parecer piegas, isso é falta de Deus no coração. Acredito na vida após a vida, e que quem caminha na luz sabe que tirar a própria vida é dos piores atos que o ser humano pode cometer. Mas não julguemos, pq essas almas precisam de muita oração.

    Um abraço e bom fim de semana.

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    1. Oi, Paty, essa foi uma das matérias que vi. Nesse caso o ato foi como uma fuga por não conseguir arcar com as consequências.
      Essa questão da religiosidade é complicada... penso que há sim uma ausência de fé no fluxo da vida, mas às vezes pode ser um momento pontual, cercado de diversas variáveis como uma fase nova e muito difícil ou problemas físicos com fundo emocional, como uma depressão... cada caso é um caso. Como bem disse, ajudamos com oração, para a pessoa e para quem fica.
      Um abraço!

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    2. Oi Bia,
      Não sei se é o mesmo caso em que você e a paty se referem, mas aqui na Serra, mais precisamente na cidade de Veranópolis, que é vizinha de Bento Gonçalves onde moro, uma adolescente também suicidou-se na quinta-feira, 14/11, porque seu namorado divulgou em redes sociais, algumas de suas fotos seminua. As circunstâncias do caso estão sendo investigadas. O fato é que a adolescente antes de tomar tal decisão, fez questão de deixar escrito em seu Twitter sua última mensagem: "Hoje de tarde eu dou um jeito nisso. Não vou ser mais estorvo para ninguém." e suicidou-se na mesma tarde.

      Complicado compreender, complicado emitir opiniões, complicado para quem fica. Creio que a vida é um bem supremo de deve ser valorizada e cuidada ao seu extremo.
      Abraço.

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    3. Olá, Nestor!
      Acredito que esse já é um novo caso. Em relação aos jovens, acredito que há dois lados da moeda: ou são superprotegidos demais e, em contato com as frustrações ou ter que assumir as consequências do que fazem, acabam não sabendo como lidar com isso, ou são largados demais e não se sentem importantes pra ninguém.
      Esse amor à vida é o que nos regata nos momentos difíceis, mas nem sempre é sólido o suficiente para suportar as contrariedades cotidianas.
      Um abraço!

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  3. Bia querida

    Achei tão importante esta sua delicada abordagem, tão sensível, sobre um tema tão profundo, tão complexo e tão necessário que, não só fujamos apavorados ou banalizemos com superficialidades como é comum fazermos, mas antes, pensemos e nos preparemos mais para lidar com as dores que muitas vezes desconhecemos em nós mesmos ou no outro a quem julgamos conhecer muito. Julgo ser tão sério isto, que irei ver atentamente os três links que você indica, juntar os fragmentos de ideias que tenho a respeito de suicídio e talvez voltar, para dizer o que ainda não me julgo capaz de expressar por absoluto medo de ser uma ideia equivocada.

    Concordo plenamente com você, este não é um assunto para ser banalizado, muito menos para ser ignorado, daí a necessidade em falar sobre ele com a mesma responsabilidade com que você falou.

    Um abraço imenso

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    1. Oi, Van!
      Pensei bastante se deveria escrever sobre um tema tão pesado em pleno feriado, mas foi o que senti que deveria fazer, e vejo pela repercussão o quanto é importante abordá-lo.
      É um assunto complexo porque envolve muitos sentimentos, de quem toma essa atitude e de quem está em volta. O que considero mais delicado, como disse, é o julgamento, porque somos seres mutantes o tempo todo, seja internamente, seja por influência do meio, e nunca conseguiremos conhecer completamente nossa complexidade ou do outro, então é preciso atenção constante, pois ninguém está livre disso.
      O foco boi muito bem compreendido por sua sensibilidade, Van, é um ato que não merece um "palco virtual" para acontecer nem ser banalizado, posto ser uma das poucas coisas irreversíveis.
      Um abraço!

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  4. Um tema triste ,pois apesar de tudo que existe para nos unir e ajudar, ainda vemos pessoas que se sentem assim sozinhas e não tem forças de aguentar! Pena! beijos,chica

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    1. Oi, Chica. Infelizmente é um tema triste e definiu tão bem com sua costumeira sinceridade, "para nos unir e ajudar, ainda vemos pessoas que se sentem assim sozinhas e não tem forças de aguentar". É isso... ter uma família ou companhia não é sinônimo de alma plena.
      Um abraço!

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  5. Bia, é terrível para quem fica, pois a sensação de culpa avassala. Conheço um homem cuja filha se suicidou. Os pais não entendem o porque de ela não ter pedido ajuda. Esse é um assunto que dificulta um posicionamento. Acredito que, quando se trata de jovem, não pensam no definitivo, querem pedir socorro. As pessoas mais maduras que optam por esse caminho enfrentam desafios que não se sentem capazes de vencer. E há os que, com grandes perdas financeiras, desistem de viver. Mas o suicídio é sempre resultado de desequilíbrio, de grande depressão, de falta de fé. Bjs.

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    1. Oi, Marilene!
      Esse é o ponto, trata-se de um problema que não é individual, visto que aqueles que ficam sempre se perguntam onde erraram, são atormentados pela culpa, ou passam o tempo todo buscando um culpado, para algo que não tem mais solução.
      Os adolescentes queixam-se de não ter espaço para se expressar realmente, os pais consideram os problemas da idade bobagens, quando para determinada pessoa não o são. É onde pecamos... achar que é frescura o problema do outro, quando para ele, é importante..
      Explanou muito bem sobre os motivos de cada fase. Por isso é fundamental investir no desenvolvimento da serenidade que permite ao tempo mostrar o desenrolar dos problemas. A fé é dos sentimentos mais fortalecedores e poderosos, e também mais difícil de manter estável, porque é a crença no futuro, no impalpável, no invisível.
      Obrigada pelo carinho constante... um abraço!

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    2. Eu é que tenho muito a agradecer porque suas palavras traduzem pensamentos lúcidos de forma admirável. Bjs.

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  6. Bia, eu sou uma pessoa extremamente forte, apesar dos percalços que passei e passo na minha vida, se fosse juntar tudo daria um belo suicídio; mas procurei juntar tudo e jogar no lixo e me agarrar nas mãos de Deus, pois só Ele sabe da minha vida.
    Quero morrer na hora certa, cuido do meu corpo, não tenho vícios, mas se no caderninho de Deus está escrito que seria amanhã minha partida, irei certa que jamais fiz algum mal a alguém, fico abestalhada ao ver os noticiários de jornais, pais matando filhos e vice-versa...
    Eu não tive filhos, mas Ele me deu um de presente que veio completar minha felicidade e não deixo que nada me abale emocionalmente, deixo o julgamento nas mãos de Deus, aí, como dizia minha saudosa mãe: haverá choro e ringir de dentes.
    Eu sou da paz, isso não quer dizer que seja boba, mas vou levando em banho maria todas as agruras da minha vida.
    Só tenho um problema: eu sou uma mulher feliz
    Obrigada
    Adorei a matéria, aqui onde moro acontece sempre suicídios e brutais assassinatos. Só Deus.
    Beijos
    Lua Singular

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    1. Oi, Dorli!
      Que linda sua força, tão mais estável corre a vida para quem consegue se entregar assim, nas mãos de Deus... penso que um pouco do medo de se entregar à fé é culpa do próprio ser humano, que vive em uma sociedade cercada por cobranças o tempo todo.
      Talvez a melhor receita para a vida seja essa, viver feliz, e levando os percalços em banho-maria, sem se deixar abater excessivamente por eles. Torço por um dia em que a brutalidade e a ausência de amor (própria e ao próximo) seja abrandada. Um abraço!

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  7. Olá, querida Bia
    Vc escreve muito bem sobre temas variados...
    Apesar dos percalços da vida nunca tive ideia de acabar com a minha vida e devo isso a Deus... muitas vezes, tão somente a Ele...
    Tudo é um mistério e nunca vamos com a nossa 'inteligência' entender totalmente...
    O que sei é que já tive que sorrir quando meu coração sangrava para não 'molestar' os perversos que falam abobrinhas para se fingirem elevados de espírito porque não calçam os nossos sapatos (dá trabalho, tem que arregaçar a manga)...mas Deus apiedou-se de mim e do mal que os falsos (amigos) me fizeram na época e hoje sou muito feliz...
    Tem cura para a depressão e a resiliência ocorre 'apesar de'...
    Pena que não houve pra amiga que faleceu na semana!!! Muita pena!!! Foi deveras lamentável...
    Para mim, segue sendo um mistério... Mas creio, piamente, na Bondade Divina...
    Bjm de paz e bem

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    1. Oi, Rosélia.
      Você me parece a cada dia mais fortificada na fé, que lindo caminho esse escolhido para alimentar. Ótimo o que acrescentou aqui... essa necessidade de fazer com que a inteligência nos domine o tempo todo pode colocar os sentimentos em risco, porque há coisas que simplesmente não devem ser compreendidas.
      "Os perversos que falam abobrinhas para se fingirem elevados de espírito porque não calçam os nossos sapatos (dá trabalho, tem que arregaçar a manga)", que frase fantástica... essa semana ouvi um pequeno absurdo sobre mim de uma pessoa que não me conhece a fundo... encontrei também uma pessoa que prejudicou muito meu passado.. e contamos sempre com a bondosa misericórdia de Deus para seguir e saber perdoar, pois só o perdão deixa o coração leve.
      Seu comentário conseguiu tocou em algum ponto do meu coração. Obrigada...
      Um abraço!

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    2. Oi, querida
      Obrigada pelo carinho da resposta que me contemplou muito... a gente aprende com os amigos na net... e como!!!
      É chato a gente ficar tecendo 'elogios' pois soa como confete e serpentina mas tem amigos que nos elevam em todos os níveis... Vc é uma deles!
      Estava esperando o seu retorno e já havia passado aqui...
      Os demais comentários também me enriqueceram...
      Tenha dias felizes!
      Bjm

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  8. Boa noite querida Bia, a minha visita hoje é para divulgar meu novo blog. Criei mais um com o nome FILOSOFANDO NA VIDA, para postar minhas produções textuais, pensamentos e poesias. Ficarei feliz com sua visita e se me de o prazer de curtir mais este projeto.
    O linque do blog é:
    http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/
    Uma linda noite e que a paz Divina esteja sempre com você e sua família.
    Bjuss ,profª Lourdes Duarte

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    1. Oi, Lourdes!
      Assim que possível estarei visitando, obrigada pelo convite. Um abraço!

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  9. Bia,

    Um espanto mesmo!
    Eu acho apavorante imaginar que uma pessoa tenha coragem (ou covardia?!) de se matar. Então agora anuncia-se!
    Pior é se virar moda. Talvez já tenha se tornado, porque já sabemos de mais de 1 caso.

    Até hoje, não entendemos o motivo, como uma amiga que foi criada na minha casa, passava fins de semanas prolongados, ferias, etc..., bonita, inteligente, rica, se matou com um tiro na boca. O pai dela ficou arrasado, era doido por ela, fazia de tudo, um amigão mesmo. Ela recebia amor familiar.

    Uma das pessoas suicidas que usou a internet fez isso por desilusão amorosa.
    Os mais jovens não tem experiencia de vida, não tem maturidade, vivem ainda num faz de contas que só os anos vão ensinando que o importante é se amar mais.

    Existem outros suicidas que todo mundo vê que algo vai dar errado, eles sabem, mas não fazem nada de fato por si. Exemplo, Michael Jackson que tomava tantos remedios. Era obvio que um dia ia dar errado. E não é uma forma de se matar? Sendo uma pessoa publica, todo mundo acaba lendo e sabendo de seus passos e de suas derrotas.

    Atraves do Facebook o mundo está tendo contato com muita coisa boa e outras pessimas. Eu assisti ontem no noticiario que bandidos estao usando as redes sociais para atos diversos criminosos.

    Está tudo acontecendo ao vivo! Lamentável.

    Beijos

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    1. Oi, Sissym!
      O meu medo com a divulgação desse post é justamente esse, que assim como a questão da venda da virgindade, comece o modismo do suicídio anunciado... só que no segundo caso, muito mais grave, pois interrompe a vida.
      Sua amiga é um exemplo de que ter o que muitos consideram "tudo" em determinado momento pode não ser o que a pessoa precisa. Talvez até a ausência de ter que buscar algo constitua uma ausência de objetivos. Mas os pais em grande parte dos casos estão somente procurando acertar.
      Vi esse caso da desilusão... na adolescência temos a tendência a achar que tudo é definitivo, numa fase em que justamente deveríamos ser ensinados que a vida está se abrindo em possibilidades, não se fechando, apesar das desilusões.
      Há muitas formas de se matar, Sissym, e aqui nem falo literalmente, como o caso que citou do Michael (tipo, "quem procura acha")... falo do suicídio em vida, quando a pessoa simplesmente desiste de buscar sua essência, de se cercar de quem a faz feliz, e se entrega à amargura. Quando se sobrevive, se vegeta ou se vive de aparência, somente. Talvez por isso a amargura seja responsável por desenvolver tantas doenças fatais como problemas no coração ou câncer.
      Sempre que vejo algo violenta em qualquer mídia (apesar de fugir desse tipo de notícia) me pergunto porque despender a energia divulgando o mal... já não basta fazê-lo.
      Fadinha, gosto muito de você. Sempre me parece uma amiga que está aqui comigo no sofá.
      Um abraço!

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  10. Bia, essa banalização do curtir no face, talvez se deva a pouca importância que damos ao outro na vida real não atentando ao seu sofrimento. Bjos.

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    1. Oi, Eder!
      é verdade... a impressão que dá é que as pessoas vão "curtindo" tudo sem se dar conta do conteúdo em si. A mesma ausência de entrega nas relações que vemos muito na vida real. Um abraço!

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  11. Querida Bia. Que postagem tão corajosa. Agradeço por me fazer pensar... observar melhor. Minhas lembranças sobre isso, pulou de minha memória um ser humano que convivi (tentou) e não conseguiu, mas tornou-se vítima de si mesmo o resto da vida. Marcas profundas em seus pulsos que lhe trazem na memória a falta de amor pela vida. Achei sua postagem muito interessante. Beijãoooooo amiga.

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    1. Oi, Sonia, seja bem-vinda!
      Há esses casos em que o insucesso causa marcas irreversíveis para o resto da vida, como cortes ou problemas físicos e neurológicos. Há ainda muitos casos de pessoas que se autoflagelam, como meio de aliviar o sofrimento.
      O ser humano é uma caixinha de surpresas, que podem ser boas ou não. Daí a urgência de interação sincera com o outro, de relações calcadas em sentimentos verdadeiros.
      Um abraço!

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  12. Um assunto polêmico porque está ligado à fé e às ações etéreas sobre o corpo e a mente fragilizada. Vi um vídeo interessante, onde Pe. Fábio discorre sobre o amor de Deus e sua imensa misericórdia. Não sou católica nem estou ligada a alguma religião, acredito em Deus e só!
    Mas voltando ao vídeo, o padre fala de como as pessoas agem quando acham que não tem mais saída e se 'esconde em baixo da mesa', numa analogia às atitudes de uma criança ao fazer uma reinação e sabe que pode ser punida.
    Uma pessoa que tira sua própria vida cansou de ficar embaixo da mesa, não quis mais nenhum castigo ou olhar de reprovação.
    Tema forte e é válido conhecer um pouco mais sobre ...pra não julgar precipitadamente, afinal é o que o ser o humano faz de melhor: JULGAR O COMPORTAMENTO ALHEIO.
    Abraços!

    http://subjetividadeevoce.blogspot.com.br/

    http://vallnunnes.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Vall! Seja bem-vinda.
      Eu gosto muito do Pd. Fábio e suas explicações filosóficas sempre tão bem embasadas. Uma analogia apropriada essa... no fundo acabamos sempre mantendo essa criança assustado que se esconde com medo de punição ou castigo. Passei por uma situação ano passado que me fez sentir assim.
      Acho lamentável essa incapacidade generalizada de não tentar se colocar no lugar do outro antes de julgar. Essa é uma das causas que levam ao suicídio, o medo de se abrir e sofrer o pesado julgamento alheio.
      Obrigada por sua partilha.
      Um abraço!

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  13. Sensacional este post não conhecia esses lugares de ajuda.
    Concordo com o que disse:
    . Um meio de evitar o extremo é passar a prestar atenção em seu íntimo. Deixar para procurar ou pedir ajuda quando todos os limites foram ultrapassados torna a recuperação mais complicada.
    Conheço pessoas que fizeram isso, anos atrás achava que eram covardes.
    Hoje com o que a vida me ensinou penso diferente tem que ter coragem, como disse a questão não é essa e muito menos julgar, mas acho que uma pessoa só faz qdo o desespero já tomou conta mesmo.
    Estava tratando o canal do meu dente dois anos atrás, fui no meu dentista que era um amorrrr nossa amava aquele homem tinha uma paciência comigo pq tenho pavor daquele aparelho e a anestesia não pega, aff, enfim fui na sexta consultei e marquei pra voltar na segunda, qdo foi no sábado ouvindo o jornal pelo radio fiquei sabendo que ele havia se enforcado a noite no apartamento, qdo o filho chegou o encontrou morto.
    Na hora quase desmaiei, fiquei pensando nos nossos últimos momentos juntos, se tinha dito algo diferente, se estava abatido mas nada....pelo contrario estava bem humorado e brincando comigo e com a ajudante.....e como disse fica aquela pergunta porque????? Deus me livre eu sendo só conhecida já fiquei chocada e até hj não entendo imagina os parentes próximos.

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    1. Oi, Patrícia!
      Sempre questionou-se muito se o suicídio seria um ato de coragem ou de covardia... na verdade são dois lados da mesma moeda, a coragem de cortar o desejo inerente do ser humano pela vida, e a covardia de enfrentar os problemas mundanos. Mas penso que num momento depressivo não se consegue ponderar sobre um ou outro.
      O caso que relatou do dentista é desses em que a pessoa, por educação ou por medo do julgamento alheio, oculta o que está sentindo e vive atrás de máscaras de alegria e contentamento. Carrega sentimentos contraditórios, de profunda insatisfação junto com o peso de carregar a responsabilidade de parecer uma coisa que não é, de vier em função de uma imagem que não corresponde à realidade.
      No fundo todos somos um pouco educados para agir assim... mas não se pode deixar que o limite seja ultrapassado.
      Sua história me lembrou uma vez que atendi uma senhora, mãe de uma colega de trabalho, conversamos, ela foi embora e meia hora depois ouvi a notícia que ela havia sido assassinada pelo ex-marido. Fiquei uns dias meio em transe, perdida entre a sensação de ter acabado de falar com ela e sua partida. Acho que foi a primeira vez que me dei conta do quanto nossa vida é frágil.
      Um abraço!

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  14. Olá! Bom dia, Bia!
    ...sim, a discussão é turbulenta e a linha é tênue, todavia as conseqüências geradas pela incidência de um ou de outro são altamente relevantes...essa linha que deveria ser consistente , se tornará muito frágil, quando, no pensamento, surge que não há solução para os problemas, identificada em meio a desorganização mental, estresse e sensação de incapacidade...por isso , penso que apenas o fato de pensar em não estar mais vivo já é algo muito significativo, esta pessoa precisa, e merece, ajuda. Sendo assim a prevenção é o melhor tratamento para o suicídio, assim, a avaliação do risco de suicídio é mais importante do que buscar a causa do suicídio...
    espero que essa publicização/exposição de fazer público o privado, seja algo no sentido da grande repercussão , porém efêmero, passageiro, que após o ápice vai se esvair fugazmente... o saber que as suas interações estão sendo assistidas por outros , por que sabemos que tudo que caminha no sentido oposto do óbvio, atrai olhares...e o cuidado sempre necessários para que uma questão essencial não caia na banalização, pois a força midiática, sociais, sempre vai colocar frente a frente a ética e responsabilidade com o ideal democrático...
    Belo final de semana, beijos!

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    1. Oi, Felis!
      Sempre racionalizando tão bem seus comentários... "avaliação do risco de suicídio é mais importante do que buscar a causa do suicídio". Bingo! Porque conhecendo os riscos consegue-se a prevenção antes da efetivação da ideia.
      Estudos mostram que, ao contrário do que era divulgado, cerca de 80% das pessoas que não conseguem efetivar o suicídio não tentam cometê-lo de novo, ou seja, o ato em geral é o reflexo de um momento, não de ausência de amor pela vida.
      Esse uso inapropriado das redes sociais é outro tema que merce ser largamente abordado, em casa, nas escolas, na própria mídia. talvez esse uso inapropriado seja justamente reflexo da falta de direcionamento para algo produtivo e enriquecedor. Quando conheço algum site ou projeto legal procuro divulgar os links para meus alunos, com o intuito de mostrar-lhes que a internet pode ser ótima!
      Obrigada por estar aqui, um abraço!

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    2. Olá!Bia!
      sim.... agradeço pelo carinho, muito obrigado, belo dia de domingo e início de semana, beijos!

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    3. Olá!Boa noite, Bia!
      até iria escrever algo mais, depois que vi a reportagem no Fantástico,mas , minha Net está muito ruim...travando muito,mas nada que me impeça de agradecer pelo carinho, obrigado,bela semana, beijos!

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  15. Oi Bia,
    bom dia,
    é uma questão muito séria e preocupante,
    a cada dia existem mais casos como este =(

    Todos os casos são diferentes e todos têm a sua razão,
    mas sem dúvida que a cada dia o problema é acentuado,
    é aumentado.

    Parabéns pela sua escrita,
    vc já sabe da minha admiração por vc.

    ótimo fim de semana
    um abraço

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    1. Oi, Ariel!
      É preciso investir maciçamente em informação, muitos deixam de falar que estão pensando nisso, de pedir ajuda, com medo de ser incompreendido.
      Precisamos aprender a nos deixar um pouquinho de lado para compreender o que se passa com quem está à nossa volta, na tentativa de diminuir as mortes e aumentar o amor pela vida.
      Obrigada demais pelos elogios. :)
      Um abraço!

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  16. Aqui na minha cidade aconteceu um caso semelhante. Um menino de apenas dezoito anos postou uma foto com um amigo que havia cometido suicídio há exato um ano, com uma frase sugestiva, então colocou o carro da mãe pra fora de casa e se deu um tiro. Eu sequer posso imaginar o quão cheia de culpas fica uma família numa hora dessas, tentando lembrar quais foram os indícios não percebidos.
    Lamentável.
    Lamentável as tais curtidas, compartilhamentos e opiniões vazias, como você bem falou.

    Beijo, Bia.

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    1. Oi, Milene!
      Seu relato mostra o quanto essa publicação traz a ideia de heroísmo, de um ato corajoso e louvável. Não é isso que está em questão, mas essa visão estimula outras pessoas a terem o desejo de seguir o exemplo, digamos assim. A família carrega uma dor duplicada, pela perda de um filho, pela culpa da perda.
      Num mundo tão cercado de julgamentos e ausência de amor, lutar por alegria, cumplicidade e amizade é a grande atitude louvável, daquele que não se deixa engolir pelas crueldades da vida.
      Um abraço!

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  17. É um tema triste mas bem real.
    Bom fim de semana

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    1. Oi, Elisabete. Por mais que busquemos focar nas alegrias da vida não dá para fazer de conta que não existem tristezas. Pelo menos uma tentativa de que não chegue ao extremo. Um abraço!

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  18. Boa noite Bia...voltei porque aqui tem poesia da boa e também pra agradecer a visita e comentário tão carinhoso...Que bom que meus versos te trouxe a mente seu amor (maduro?).
    Até qualquer hora!

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    1. Oi, Vall! Obrigada pelo carinho. Um amor que amadureceu, mas não perdeu o viço. ;) Bom falar de amor em meio a um assunto triste.Um abraço!

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  19. Oi Bia... amei o post e a forma como falou sobre o assunto..
    Essa semana mesmo eu estava olhando um site e nele tinha uma matéria sobre uma menina que anunciou no facebook que iria se suicidar, tinha uma foto dela chorando com algo enrolado no pescoço e quando o irmão dela chegou em casa ela estava enforcada.
    E na mesma matéria, alguns comentários que me deixaram horrorizada, de pessoas falando absurdos, como se a vida daquela pessoa não valesse nada.
    Ninguém sabe o que se passa verdadeiramente na cabeça de alguém que tem a coragem de tirar sua própria vida, seus medos, suas angustias, suas frustrações..
    Há muitos anos atrás um jovem vizinho da minha ex-sogra se suicidou, a família se desestruturou com a separação dos pais dele, a mãe não suportou a separação e ficou com problemas tendo que ser internada e ele sozinho em casa acabou se tornando uma pessoa solitária e triste, isso durou alguns anos, entre idas e vindas da mãe em clínicas, ele se isolando, um dia foi encontrado enforcado em seu quarto.

    É de preocupar o quanto alguns assuntos e algumas atitudes estão se tornando banais.. e o que nos causa mais espanto é que as pessoas estão começando a achar isso normal..

    Precisamos achar o amor que está definitivamente se esfriando nesse mundo..
    Parabéns minha linda.. seus posts são sempre muito bem escritos, temas que nos fazem refletir..

    Um beijo e um domingo super lindo viu?

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    1. Oi, Sheila, saudades de ti!
      Vi essa matéria, nem cheguei a ler tudo, me pareceu um ato de momento. É difícil perceber que há pessoas com dificuldades em se colocar no lugar do outro. Há sim pessoas carentes de atenção em excesso que maximizam tudo, mas há também aquelas um pouco mais frágeis do que o que conseguem suportar. Só é possível distinguir uma da outra sabendo ouvir sem julgamentos. As pessoas comentam como se tudo fosse uma banalidade, e a vida não pode ser banal.
      Curioso o caso que contou. Penso que uma separação não é motivo para tamanha desestrutura psicológica, desde que as partes estejam envolvidas no sentido de saber lidar com isso emocionalmente. A atitude do filho foi reflexo da instabilidade emocional da mãe, que nesse papel deveria desenvolver maior maturidade para se reequilibrar e passar segurança para o garoto.
      Outro ponto é que percebo grande dificuldade nas pessoas em ensinarem seus filhos a amarem. Isso é uma característica individual, mas também um dom a ser estimulado e desenvolvido, quando vemos, em geral, uma educação voltada para o individualismo. O problema é que um dia essa postura acaba se voltando contra si mesmo, com sinais de vazio e solidão.
      Obrigada pelo carinho, Sheila. Um abraço!

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  20. Oi Bia querida

    Mais uma vez você abordou um tema tão delicado, com uma sutileza que poucos tem...
    Adorei o post.

    Beijos
    Ani

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    1. Oi, Ani, obrigada pela visita, um abraço!

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  21. Bia,um assunto delicado e muito triste.Perdemos uma grande amiga semana passada do Face e todos ficaram estarrecidos. Nunca imaginamos que ao nosso lado possa acontecer algo assim e pensamos tb se poderíamos ter feito algo pra ajudar. Gostei muito de seu texto e veio num excelente momento! bjs,

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    1. Oi, Anne!
      Acredito que pessoa da qual está falando é a mesma que li no blog da Clara, o primeiro caso que li semana passada. Pelo post me pareceu uma pessoa muito querida no meio virtual... tipo de coisa que não dá para entender, né, que lá no íntimo uma pessoa tão doce está sofrendo tanto. E o pior é que, ao que me parece, essa são as pessoas mais suscetíveis à frieza do cansaço e da solidão.
      Um abraço!

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  22. Bia muito bom o que escreveu e nos faz pensar muito. Nunca passou pela minha cabeça tal ato e olha que já passei por situações na minha vida que desanimaria qualquer ser humano.
    Talvez a fé de que algo bom sempre vai acontecer nos mantém de pé, mas já lidei por conta do meu trabalho com pessoas tentando praticar esse ato, alguns tivemos a sorte de salvar outros não. Pois se não conseguem na primeira tentam de novo infelizmente.
    Não sei mesmo dizer se é coragem, covardia....somente quem passa e sente na pele algumas tribulações é que podem dizer.
    Perdi amigos assim a cidade que morei antes de vir para cá tem um índice elevado de suicídio o que não é nada bom. Precisamos olhar mais para quem nos rodeia.

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    1. Oi, Waldir!
      Obrigada pela visita, há quanto tempo!
      Curioso saber que já trabalhou com pessoas em risco. Esse é o tipo de decisão que não se pode tomar pelo outro, cada um tem o domínio sobre sua vida e uma perda assim não constitui um fracasso de quem tentou ajudar, mas uma escolha individual de quem decidiu partir.
      Penso que as vidas que salvou oferecendo ajuda compensaram o serviço que prestou. E uma das qualidades preventivas primordiais é o caminho que já conhece, o da fé. O ser humano centraliza demais a responsabilidade em suas mãos e esquece que, fazendo sua parte, o desenlace conta com o invisível desígnio de Deus.
      Podemos fazer tudo perfeitamente para que algo aconteça, mas o desfecho cabe ao desconhecido... e essa, digamos assim, impotência na certeza do futuro é o que causa muita insegurança e angústia.
      "Olhar mais para quem nos rodeia"... parece tão simples, e tão pouco praticado hoje em dia.
      Um abraço!

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  23. Olá, Bia.

    Muitos vivem ilhados em meio a multidão e a cultura do individualismo, cada vez mais em voga, nos faz cegos às necessidades alheias. Esse entre tantos fatores, pode e vai deprimindo, matando...

    Um abração e uma boa semana.

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    1. Oi, Apon. À pouco eu estava lendo sobre isso num material de estudo sobre tecnologias. Curiosamente estamos entrando na Era das Relações, que primazia pelo uso de tecnologia no sentido de integrar a humanidade e não, isolar. Curioso isso, não? É preciso esse resgate urgente das relações verdadeiras e pautadas no amor desinteressado.
      Um abraço!

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  24. Bia, é um tema triste e todos tendem a não ficar comentando exatamente por isso, pra não influenciar. Não sei se adianta alguma coisa, mas...
    Acho que antes da pessoa não suportar a vida, ela fica deprimida. Prestar atenção a quem tem depressão já é um grande passo.
    Eu tive depressão por anos... e por incrível que pareça, ninguém percebeu. Ou percebeu e não estava nem aí pra mim, não sei.
    Não é fácil, a gente não consegue raciocinar, pensar, achar outro foco. A estagnação é comum e diária. Nada mais tem graça e ninguém entende.
    É uma situação muito complicada mesmo.
    Pra ouvir tem que ter paciência e dom... tem gente que a gente começa a se expor e é logo cortada com o assunto dela, da vida dela... aí nos calamos pra sempre.
    Tem gente que acha frescura, que é coisa da cabeça... mas é coisa da cabeça sim, só não achamos a porta de saída, e fica julgando, achando besteira, que isso vai passar... mas vai passar quando? Como? Onde?
    Infelizmente tem quem não suporte o peso de viver... e se vai, por achar somente essa saída.
    É triste, muito triste mesmo.

    Beijos

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    1. Oi, Clara! Seu post sobre o assunto foi um dos que me inspirou a escrever sobre o tema.
      O não comentar é o que gera o tabu, o receio de colocar para fora, de falar que não está mais suportando e ser tachado de fresco ou carente. E com isso as pessoas vão se fechando.
      Seu relato sobre a depressão é perfeito, é uma doença silenciosa e incompreendida, também tachada por frescura ou falta de fé ou gratidão pela vida, e não é. Difícil de ser corretamente diagnosticada e tratada, porque não tem uma solução pronta, como disse, É como se estivesse preso dentro de si mesmo e não se conseguisse achar uma saída, como se todos os caminhos estivessem turvados por uma neblina forte e indissipável, e com medo de ir ao que não se enxerga, melhor ficar se fechando cada vez mais em si mesmo. É duro.
      Só quem já passou por isso sabe que não é só uma questão de escolha, é preciso um conjunto de fatores trabalhando a favor do resgate da própria vida.
      Com mais compreensão e ajuda ao outro, com certeza menos casos chegarão à efetiva desistência. Muitas vezes acontece o que disse... você começa a contar algo mas as pessoas não estão dispostas a ouvir de fato. Ou entram com suas próprias histórias, ou ouvem sem apreender, sem atentar ao que se está querendo dizer. Trabalho praticamente só com mulheres... há assuntos que são quase impossíveis de concluir. Dificilmente me abro no sentido pessoal.
      Um abraço!

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  25. Boa tarde, Bia. Você abordou muito bem um tema delicado e polêmico.
    Os motivos apresentados são realmente reais, principalmente quando uma pessoa não acredita em sua própria capacidade e vê que precisa tomar decisões na vida, pagar contas, educar filhos, sobreviver enfim, e não encontra os meios para isso.
    Nada justifica, se olharmos friamente, pois enquanto existe a vida, também há a razão de lutar-se por ela, mas creio que tudo é muito mais delicado, pois depende da personalidade de cada um que vê a vida e a morte de maneiras distintas.
    Uma atriz matou-se por não estar conseguindo trabalho e as contas chegavam e ela não queria depender financeiramente do marido, ou seja, não era uma pessoa sozinha, sem ninguém, tinha um companheiro, mas não sabemos também como o mesmo agia frente ao seu fracasso.
    Acredito que a pessoa para cometer o suicídio tem de ter uma imensa coragem, é como se ela quisesse poupar o mundo das suas frustrações.
    No desespero, isso pode sim passar pela mente de qualquer, ou muitas pessoas.
    Espero em Deus jamais passar por isso.
    Parabéns!
    Beijos na alma e excelente semana.

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    1. Oi, Patrícia!
      Cada pessoa tem sua gama de ferramentas que foi acumulando pela vida para resolver seus problemas e cada um tem suas tendências emocionais para resolvê-los ou fugir deles. Quando estamos bem sabemos que é melhor enfrentar os problemas de vez antes que se tornem verdadeiros monstros nos torturando por dentro. Alguns chegam nesse limite antes e desistem, outros nunca chegam, ou chegam e lidam bem com isso...
      Acrescentou algo importante aqui: muitos tomam essa atitude por achar que assim vão deixar de ser um "peso" para o outro. É a visão distorcida de quem está sob efeito de uma depressão. Por maior que seja o problema, penso que o peso maior é o da culpa que deixa com quem fica, de que poderia ter feito algo e não fez, não percebeu, onde foram as faltas que levaram à isso...
      Sua oração estendo a todos que passarem por aqui... que sejamos fortes para lidar com a dor e o abalo na fé o suficientes para não nos rendermos ao impulso de desistir de tudo no auge do cansaço.
      Um abraço!

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  26. [cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é...atribuo isto a
    pessoas maduras, os jovens ainda precisam e muito da supervisão
    familiar, algumas ferramentas virtuais são algozes ]

    beij0

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    1. Oi, Margoh!
      Concordo contigo... os jovens não ganham maturidade na mesma velocidade com que ganham idade, daí a necessidade de se estar caminhando junto até que possam caminhar sozinhos. Inclusive virtualmente.
      Um abraço!

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  27. Boa noite Bia.. grato pela visita.. sobre o que deixaste aqui.. fiquei por dentro tb.. e aconteceu ou melhor quase aconteceu na cidade vizinha.. uma garota de 16 anos.. foi a uma festa.. bebeu ou drogaram ela.. começou a tirar a roupa praticar sexo com vários do local.. e quando caiu na internet.. tentou se suicidar cortando os pulso.. sorte que não conseguiu.... se as pessoas entendessem um pouco o que é o suicidio.. elas jamais ousariam pensar.. primeiro que a vida quem pode tirar é só quem nos deu ela.. o resto é crime de lesa evolução.. e quem se suicida por exemplo com 20 anos.. se era para esta pessoa morrer com 80 vai ficar 60 anos parada no mesmo lugar.. sofrendo esperando os anos chegarem.. espera angustiante esta.. é uma energia negativa muito poderosa que assola as pessoas.. dificil de entender.. e penso como vc a respeito da igreja e dos padres não querem realizar.. se não me engano no filme constantine acontece a mesma coisa.. .. os padres acham que estão por cima das leis de Deus.. já fiz regressoes sei o que vi.. e ng que aqui esta é santinho.. todos já cometemos tal ato lá atrás.. e conforme a gente for aprendendo vamos equilibrando a revolta dentro de nós.. pena que pessoas tão jovens se vão sem saber o que espera além disso mas a vida segue.. uma linda noite abração

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    1. Oi, Samuel!
      Achei curiosa a explicação que deu sob o título de "crime de lesa evolução". Embora seja de formação católica, gosto de conhecer outros pontos de vista em relação à evolução espiritual.
      Independente das explicações, muitos concordam que o resultado da atitude é sofrimento, seja para quem parte ou para quem fica, e uma energia estagnada num tempo não vivido.
      Os jovens precisam ser fortificados na confiança do fluxo da vida para que consigam superar os problemas novos peculiares da idade com um pouco mais de serenidade, e os mais maduros precisam de força para superar os inúmeros cansaços da vida.
      Um abraço!

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    2. Bom dia Bia.. faz algum tempo que ouço um professor da eubiose abordar muitos temas interessantes que nos fazem refletir.. ele usa muito este termo, lesa evolução, pq no fundo a evolução da maneira que esta, esta sendo lesada por emoções e sentimentos que não nos fazem crescer.. nós estamos atrasados no ciclo evolucional.. já era para estarmos mais a frente.. enfim tenho livros que explicam.. as quedas de raças, o problema na cadeia lunar.. que estamos resolvendo hj em dia.. já ouviu aquela coisa de ter corpo de luz.. então tem seres que são verdadeiros sóis, nós temos lado direito solar e esquerdo lunar, o sexo sem freios , entre outras coisas, são fragmentos que temos que resolver.. não sei se conhece mas vou deixar a vc.. procure por programa vida inteligente no youtube... ou entre em www.mosaicosdonovociclo.com.br .. aqui vc pode alvar todos os audios do programa, são mais de 160.. eu tenho aprendido muito, pelo menos ter uma segunda opinião sobre muita coisa.. se desejar me mande um email que te passo links dai fica mais fácil ok..
      lappidandovesos@gmail.com
      até sempre.. abração

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  28. Oi Bia.
    Este texto serve de alerta ou mesmo de utilidade publica, importantíssimo!
    A dor alheia realmente deveria tocar todos nós, e ser "ouvidos" pode ser uma ajuda valiosa.
    Muitas vezes nos vimos caídos e momentaneamente achamos que somos incapazes de nos levantar, e é exatamente nesta hora que precisamos de "alguém".
    Parabéns pelo tema abordado, achei muito importante.
    Um abraço
    Ivany

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    1. Oi, Van!
      Ler seu comentário me fez pensar que ainda ontem ouvi uma palestra onde se dizia mais ou menos assim: "quando nos sentimos sozinhos não conseguimos perceber a presença de ninguém, até que permitamos que alguém chegue e nos faça sentir que nossa presença foi percebida. Então deixamos de nos sentir sós."
      Que mais pessoas consigam desenvolver a sensibilidade de perceber que algo está se quebrando antes que se parta.
      Um abraço!

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  29. De fato esse assunto é delicado e complicado... realmente quem fica sofre com tudo. Creio que alto estima baixa, seguida de depressão podem levar uma pessoa a cometer isso. :/ abraços

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    1. Oi, Barbie!
      Citou dois fatores contundentes, sem dúvida nenhuma. Esse problema de auto estima baixa é muito, muito complicado de resolver, porque em geral é reflexo de memórias inconscientes da infância. Poucas pessoas conseguem lidar bem com isso...
      Um abraço!

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  30. Oi Tia Bia,
    Nosso comentário vai ser pequenino e nós crianças lindas e peraltas do Mundo dos Inocentes agradecemos sua visitinha lá no nosso espaço, o que nos deixou muito felizes.
    Volte sempre.
    Que tenha uma linda noite.
    Beijo de todas.
    Mundo dos Inocentes

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    1. Que doce, Dorli! Me fez lembrar que hoje estava olhando já com saudades dos meus alunos da tarde... eles sempre conseguem tocar algum ponto do meu coração mesmo quando ele está cansado e querendo endurecer.
      Um abraço!

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  31. Esse tema é mt polêmico e forte, Bia. É muito triste isso mesmo. E foi lamentável o caso da menina que se matou pq algum infeliz divulgou um vídeo íntimo dela. Não conseguiu suportar a vergonha e decidiu dar um fim em si mesma. Chocante. Seu texto é perfeito. E realmente isso pode se popularizar, mas tem muito a ver também com uma sociedade cada vez mais cheia de gente triste e infeliz. Preocupante. Bjs

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    1. Oi, Sérgio!
      Tem razão, tem a ver com uma sociedade cada vez mais centrada no individualismo. A popularização é importante no sentido de abrir espaço para que as pessoas possam falar sobre o que sentem, não no sentido de estimular atitudes impulsivas.
      Um abraço!

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  32. Bia,
    tua iniciativa é imprescindível para clarear-se este assunto tão árido e oculto, que por assim ser conduz ao desenlace trágico.A dureza de certos campos da vida muitas das vezes, desertificam as possibilidades e podem mesmo levar as pessoas ao desespero da impossibilidade, só que este olhar encontra-se impregnado de sucessivas desilusões que causam o afastamento voluntário a qualquer pedido de ajuda.A pessoa acaba por isolar-se cada vez mais não vendo saída.Situação desoladora para si e para todos que ficam.Procurar ajuda quando a alma dói pode mudar a atitude destrutiva e, se os próximos não tiverem tempo ou disposição pra ouvir e apoiar,muda-se o rumo e vai-se atrás de ajuda profissional.A vida precisa ser valorizada antes de tudo.

    Um bjo,
    Calu

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    1. Oi, Calu!
      Puxa, mais uma vez a sábia escolha das palavras me levou longe a pensar... É curioso perceber que, conforme o tempo passa, vamos perdendo a capacidade da espontaneidade de falar, proporcionalmente. Sempre me pergunto se isso é um erro ou um ganho. É um erro, quando bem lembrou, quando a desilusão do ser mal interpretada sufoca a ponto do calar. Um ganho quando é bem administrado e não sufoca. Muito difícil chegar nesse ponto.
      Do mesmo modo que é muito difícil enxergar-se nessa situação e mais ainda, ver uma saída. Olhos atentos sobre o outro são indispensáveis para ajudar a reduzir a triste estatística.
      Um abraço!

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  33. O suicídio não se justifica. A igreja prega que todos os pecados tem perdão, menos o suicídio.
    Renato Russo cantou que "... a escuridão ainda é pior que essa luz cinza, nós estamos vivos ainda." Então vamos fazer uma limonada de todos esses limões que conseguimos. (risos)

    Abraços.

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    1. Oi, Gilberto!
      Conhecendo um pouco da sua história sei o quanto de fé carrega em seu comentário! É lindo isso, sabe? Que a vida lhe dê limonadas fresquinhas em belas tardes de verão à beira-mar. Um abraço!

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  34. Olá Bia
    Realmente um assunto bem polemico e até por que não delicado. Acho este ato nem corajoso e nem covardia e sim desespero. Cada dia mais as pessoas estão deixando o dialogo de lado e percebendo menos os sinais, ninguém tem tempo para escutar as lamentações do outro, por este motivo também as amizades estão cada vez mais escassas, já tive depressão não a ponto de querer acabar com minha vida, mas a tristeza que se instala dentro da gente é quase como que ficar sem oxigênio, o desespero é grande. Tinha medo de falar para alguém e pensarem que estava louca. Tinha minhas filhas e pensava muito nelas, me curei com o amor de pessoas queridas a minha volta e com algumas pílulas da felicidade, não foi fácil e nem da noite para o dia. Muitos acham que é frescura, mas é super sério e requer muita atenção. Hoje escuto mais do que falo porque sinto quando a pessoa quer falar e tiver a confiança de que ficara em sigilo e que não vai ser julgada, muitos precisam em quem confiar este é um passo para a melhora e confiança de que a vida vale a pena ser vivida.
    Já trabalhei com uma pessoa que perdeu a irmã em um ato assim, as pessoas não conseguem se perdoar por não ter percebido e ajudado. Sei dizer que é muito triste perder uma pessoa querida assim.
    Gostei muito por ter tocado neste assunto, abordou um assunto super importante, mas que poucos têm a coragem de publicar um assunto tão polemico, parabéns.
    Beijos e agradeço o carinho da visita.

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    1. Oi, Verinha!
      Definiu bem... parece um gesto de desespero, ou cansaço extremo. A depressão sem dúvida é uma das causadoras de suicídio. Penso que, por alguns médicos não terem muito critério para receitar antidepressivos, a doença acabou banalizada, sinônimo de frescura, quando na verdade é muito séria.
      A depressão sempre existiu e muitas pessoas devem ter sofrido muito sem tratamento. Por outro lado, antigamente as relações eram de maior amor, cumplicidade e amizade. Hoje abertamente as pessoas "trocam" atenção por bens, viagens, carros, e são coniventes com isso... quem se recusa a participar dessa troca acaba ficando em segundo plano.
      Essas mesmas pessoas não sabem ouvir e no auge do seu vazio ainda se sentem no direito de julgar quem está deprimido. É uma pena!
      Sempre digo que nossas experiências são vãs se não melhoramos com elas... e fico feliz que a partir de sua própria dor tenha mudado seu jeito de olhar as pessoas e suas necessidades. Em geral quando as pessoas se recuperam esquecem o que passaram e deixam de se doar tanto.
      O retorno que obtive aqui me faz pensar que falar sobre o assunto, embora polêmico, seja mesmo necessário.
      Obrigada pelo carinho!
      Um abraço!


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  35. Olá Bia, um assunto bem triste na vida das pessoas (famílias) que se torna urgente evitar lançando meios para prevenir; por esse facto falar dele como aqui o fez é muito importante. Beijinhos e uma boa tarde Ailime

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    1. Oi, Ailime!
      A prevenção me parece o meio mais eficiente de resgatar vidas, não só uma, mas de todo o seu contexto. Um abraço!

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  36. Oi Bia...
    Primeiro quero dizer que admiro demais tudo que voC6e escreve aqui. Acho legal teu jeito de conseguir sintetizar com tanta clareza temas tão polêmicos como esse.
    Vou dizer o que penso. Penso que estamos todos muito fraglizados pela necessidade de sermos fortes. Estamos num mundo onde os fracos e os diferentes são excluídos e dai perdemos a noção da importancia que tem admitir que temos limites. Somos humanos temos medos e fraquesas e muitas vezes não temos um lugar para fugir. Nos escondemos dentro de nós com nossa frustrações e desilusões. Mas, um dia nosso porão interior fica cheio de lixo e estoura. Muitas vezes por motivos aparentemente sem importância.
    Perdemos a esperança! e quando a esperança não segue à nossa frentes,quando ela fica para tras...não vemos razão para continuar.
    Esquecemos que existe um Deus que está ao nosso lado para desamarrar os nós quando todas as outras pessoas falham.
    Lindo post amiga. Lindo e real..infelizmente em as nossas batalhas internas nem sempre saimos vencedores.. bjo

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    1. Oi, Carol, há quanto tempo!
      "Penso que estamos todos muito fragilizados pela necessidade de sermos fortes"... Eu poderia escrever essa frase na minha parede, hahaha. Ser forte o tempo todo dá um grande cansaço e é preciso ser ainda mais forte para superá-lo. Por isso é tão complicado.
      Sabe, seu escrito foi tão completo que eu não sinto necessidade de acréscimos. tudo se resume na balança entre o cansaço e a esperança. Confesso que sempre caminho com o medo de permitir que os cansaços vençam. A fé é algo que precisa ser alimentada diariamente.
      Um abraço, e obrigada pela partilha!

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  37. Oi Bia,

    Muito oportuna a sua abordagem. É um tema delicado, mas que merece ser discutido e divulgado. Também acompanhei um caso de suicídio anunciado e fique extremamente chocada. Difícil para os familiares assimilarem uma perda desta forma. São muitas as causas que levam a esta atitude extrema e você enumerou muito bem uma boa parte delas. As pessoas que cometem suicídio tentam fugir de uma situação que lhes parece insustentável e impossível de ser contornada ou superada. Talvez se elas esperassem um pouquinho mais antes da prática de tal ato poderiam ter a chance de enxergar a luz no final do túnel. Creio que está faltando fé, religiosidade, amor e diálogo entre os seres humanos.
    Muitas tentativas de suicídio ocorrem de maneira a não provocar o resultado morte, pois funcionam como um pedido de socorro.
    Tive um chefe que sua filha de 17 anos suicidou-se durante um almoço em sua casa. Como a filha não apareceu para o almoço e a porta do quarto dela estava trancada, ele subiu pela janela e a viu deitada na cama de costas para a janela. Ele tirou um pé de sapato e jogou nela, chamando-a. Quando percebeu que ela não se moveu, arrombaram a porta. Ele nunca soube porquê, pois ela não deixou pistas. Diz ele que ela deveria estar em profundo estado de infelicidade. Muitas vezes quem está por perto costuma não notar os sinais que surgem para poder oferecer apoio ou nunca acreditariam na ocorrência da possibilidade do suicídio. Outro caso se deu no meu próprio prédio. Na cobertura morava um casal com uma filha. Certa madrugada, ele pulou lá de cima (nono andar), falecendo no meio da rua.Foi traumatizante. Motivo: Dívidas e ,talvez, drogas. É o que dizem.
    Acho perigoso e mórbido o uso das redes sociais para anunciar suicídio. Quem sabe não estaria aí um último grito de socorro?

    Vi o vídeo da entrevista e comecei a ver o filme. Tive que parar, mas voltarei para terminar de assisti-lo.

    Beijo.

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    1. Oi, Vera!
      É justamente esse "pouquinho" a mais que pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Recuperada do susto de quase morte muitos enxergam motivos para continuar vivendo, contrariando a crença popular. Lendo você também percebo que é um ato de fuga, de si mesmo, de alguém, de uma situação e/ou sentimento. Quem nunca passou por isso tem dificuldades de imaginar o que pode ser enxergar a vida como se não houvesse saída - claro que não por vontade própria, e nem é preciso tentar um suicídio nesse caso, a depressão age dessa forma.
      Diálogo é das artes mais sensíveis e raras no ser humano, porque é preciso o encontro do saber falar com o saber ouvir. Raro, raro demais.
      Seus depoimentos levam justamente à essa questão: por que é tão difícil para a família perceber que há algo errado? Não gosto muito de telefones porque sinto muita falta do olho no olho... quando prestamos realmente atenção em quem amamos sabemos pelo olho no olho quando algo não vai bem, e por isso sinto tanta falta de estar perto das pessoas que amo.
      As pessoas não se olham mais nos olhos, sobretudo quando os sentimos não são mais sinceros. Se escondem de resolver situações e vão jogando a poeira para debaixo do tapete - quem nunca fez isso! Meu irmão não é feliz em seu casamento, isso é notável em seu olhar, suas palavras e em suas atitudes, mas sustenta a relação por insegurança, eu acho... me preocupa porque resolver isso é uma escolha dele, mas dói ver que uma pessoa que amamos perdeu grande parte da alegria de viver por medo de buscar sua felicidade.
      E há esses casos em que, quem está por perto, nem se dá conta do outro...
      Tive um primo distante que morreu se atirando de um prédio por problemas com drogas. Sua mãe, hoje com 80 anos, é das melhores e mais alegres pessoas que já conheci. Então, não faltou amor... Onde as relações se perdem, afinal?
      Morbidez é a palavra adequada para os anúncios públicos de suicídio.
      A entrevista é excelente, muito informativa, e o filme tem um desenlace curioso com a chegada do pequeno bebê. Assiste depois me conta. ;)

      Obrigada pelo carinho e por dividir sempre seu conhecimento.
      Um abraço!

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    2. Oi Bia,

      Recebi seu recado e vim conferir. Gosto de ler suas respostas porque você é muito lúcida e pondera com muita propriedade sobre os assuntos focalizados.
      Logo depois que deixei o recado foi que 'me liguei' que você deveria estar com o tempo comprometido. Pensei na hipótese do meu comentário não ter entrado e quis que você soubesse que eu tinha estado aqui e que faria outro comentário caso o meu tivesse sido extraviado pelo google.
      Logo que conseguir ver o filme comento com você.

      Grata pela atenção e carinho

      Ótima noite.

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  38. Oi Bia,

    Qualquer tipo de suicídio é lamentável ( A vida é tao rara)........mas o lamento maior, é quando sem perceber nos matamos aos poucos, esse suicídio é lento e mais dolorido...

    Abçs

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    1. Oi, Vanessa!
      A vida é tããão rara... por isso mesmo deveria ser sorvido até a última gota, sem perdas de tempo.
      Esse morrer aos poucos é mesmo muito triste, conheço tantas pessoas assim, amargas, que não veem alegria na vida... é preciso vigilância constante sobre si e sobre o outro para que as desilusões não se solidifiquem no íntimo.
      Um abraço!

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  39. Oi, Bia!
    Mais dois casos hoje, veiculados na mídia. Duas adolescentes... Nesses casos, podemos dizer que a pessoa quer uma solução imediata para os problemas, que do ponto de vista delas não tem mais solução. A depressão fragiliza mais ainda. Um suicida não decide de uma hora para outra cometer o ato. Desesperança que leva ao desespero, principalmente quando a pessoa acha que ninguém a compreenderá. Perdi uma amiga nessa situação e ela amava a vida, vai entender! Um dado importante é que a faixa etária que mais "pensa" em suicídio é a pré-adolescência, mais ou menos por volta dos 10, 11 anos... A criança se retrai tanto que é taxada de tímida, mas... Nada como ter com quem conversar e os pais precisam ficar atentos.
    Bia, vou deixar o link de um documentário, que foi a partir dele que compreendi melhor o que se passa com um suicida. A ponte (the bridge) - documentário completo legendado.
    Estou assistindo o Conexão Futuro e depois vou assistir "A pequena loja de suicídio". Já assisti outros filmes de Patrice Leconte e acho o máximo!
    Boa semana!!
    Beijus,

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    1. Oi, Luma!
      Por ser uma atitude triste acabamos associando o suicídio a uma pessoa triste, mau humorada... vemos que em grande parte dos casos a pessoa alegre e tranquila está sofrendo por dentro.
      Uma vez vi uma entrevista com um padre onde ele dizia que era preciso ter coragem de perguntar para as pessoas que amamos, de vez em quando, se elas estão felizes. Procuro fazer isso às vezes com meus amigos, minha filha, minha mãe, o homem que eu amo, enfim, para me certificar de que o que estou percebendo é real e ver o que posso fazer para tornar aquele momento duradouro.
      Acho que essa mudança da pré-adolescência é delicada por serem muitas transformações ao mesmo tempo. Lembro-me com nessa idade sofri muito com as mudanças do corpo, os meninos tiravam sarro porque eu era muito magra e quando eu contava em casa era como se contasse para a parede... naturalmente achavam que era bobagem, mas para mim, não era.
      Assim como a solução não seria comprar a briga, pois isso torna o adolescente emocionalmente frágil... tenho consciência que aprender a lidar com isso me fortificou. A realidade é que a medida das relações humanas são sempre complicadas.
      Já ouvi falar sobre esse filme, quero ver se nas férias assisto. Obrigada pela indicação!
      Um abraço!

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  40. Bia, minha querida, uma bela reflexão, você nos traz. Compartilho do mesmo pensamento seu e ponto de vista em relação ao assunto que aqui é abordado. Um beijo no seu coração.

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  41. Oi Bia,

    Voltei aqui para ver sua resposta ao meu comentário, mas não o estou encontrando. Quando comentei, o último comentário liberado por você me parece ter sido o da Patrícia Pinna. Ele não entrou ou você se esqueceu de liberá-lo? No momento, conferi a informação de que o comentário havia sido publicado. Gostaria de saber. Grata.

    Beijo.

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    1. Feliz por saber que gosta de ler as respostas, é um prazer responder, como se o leitor estivesse comigo tomando um café em casa. E como aprendo com vocês! Um abraço, Vera!

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  42. Olá, Bia!
    Quando minha amiga Calu me disse sobre seu post tão bem escrito e reflexivo, vim correndo ler para justamente tentar entender o que está ocorrendo neste mundo digital e que nos apavora literalmente.
    Por vezes penso que muitas pessoas estão se envolvendo mais neste mundo virtual do que propriamente em seu núcleo familiar ou de amigos próximos. Percebo tantas pessoas com uma exagerada necessidade de serem amadas, notadas, sempre demonstrando muito sofrimento e, paradoxalmente, um exagero em alegrias. Há muitas pessoas carentes e doentes psicologicamente hoje em dia, talvez pelo stress da vida moderna, e algumas acreditam piamente que se o mundo de muitos, demonstrados pela telinha é sempre maravilhoso, porque então o delas é tão ruim e complicado?! Os suicídios das jovens mulheres, talvez esteja explicado pela sociedade com ares machistas ainda em nosso país, quem sabe ...
    O fato é que todo e qualquer ato como este, nos choca, nos tira o chão, nos faz pensar que a fragilidade humana está sendo exposta ao vivo e a cores agora pela telinha do computador, e os comentários ... ah esses são medonhos, procuro não compartilhar porque me coloco no lugar dos familiares destes, deve ser muito doloroso.
    um grande abraço carioca

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    1. Olá, Beth!
      Há inúmeras vertentes para explicar as fragilidades que, mal resolvidas corroem o ser humano por dentro. Podemos inclusive ser muito estável emocionalmente e, em algum momento, lidar com uma situação que "quebre" essa estabilidade, daí a importância do não julgar, quando nunca sabemos o dia de amanhã.
      Penso que o motivo que atingem homens e mulheres são diferentes, o machismo existente em alguns homens com certeza já levou algumas mulheres ao desespero. Assim como mulheres incompreensivas que não atentam verdadeiramente para os homens, privilegiam muito o financeiro e esquecem do cuidado e atenção. Então, quando tem problemas financeiros, o homem se sente tão fragilizado que prefere partir, porque tem a impressão de que seu dinheiro e status é mais importante do que si mesmo.
      Como você também não gosto de compartilhar tristezas no facebook... basta a dor das vítimas.
      Um abraço!

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  43. Oi Bia
    Você é fantástica. Se você puder gostaria que você visse a postagem que fiz dia 20( Dia da Consciência Negra), se não quiser ler a postagem, ouça pelo ao menos o vídeo, tem 55 segundos, irá ver que estamos em sintonia.
    Obrigada
    Beijos
    Lua Singular

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  44. Como eu ouço muitas vezes nas aulas de Psicologia "o suicida mata a pessoa errada. Mata a si mesmo, por não aguentar o sofrimento." Muitas vezes, o suicídio é a "melhor" forma que o indivíduo encontra de se libertar de suas lástimas insuportáveis. É um tema tão complicado. Mas acredito que só quem sente é que poderia explicar ou entender.

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  45. Olá Bia!

    Gostei muito de ler a tua visão acerca do suicídio, não há aqui críticas ou julgamentos, nem vitimização. Lembro-me de há uns anos atrás, 8 ou 9 anos aprendi um mandamento espiritual muito interessante:

    "Não Julgues, Não te Vitimizes, Não Critiques!"

    Este ensinamento espiritual aplica-se a toda e qualquer situação de vida, pois nós pessoas imperfeitas incorremos nesse erro e nele persistimos.
    O suicídio é um assunto bastante delicado, derivado à susceptibilidades que envolve. Penso que quando uma pessoa comete tal acto, está completamente desesperado e em estado de depressão. Precisa essencialmente de ajuda, sim, mas nem sempre a procura ou sabe fazê-lo.
    A igreja católica não presta grande apoio à pessoa que se presta a tal acção, o que na minha opinião, é uma coisa incorrecta como muitas outras nesta religião... :( Segundo o espiritismo, doutrina que estudo há anos, os suicidas após o desencarne fica em constante sofrimento. Precisa de orações sinceras que ajudem a alma a caminhar em direcção à Luz.

    Parabéns, pelo post e também pelos links de ajuda.

    Beijos,

    Cris Henriques O Que O Meu Coração Diz

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