sábado, 17 de maio de 2014

Os excluídos e um coração de manteiga

imagem by freepik

Há uns dias tive dois especiais para mim. Estive com quem amo em momentos tão bons que o que eu mais quero é que essa sensação permaneça e vire uma constante. :D Foram dias importantes também para que eu parasse e descansasse um pouco. Tenho uma grande dificuldade para desligar minha própria pilha "Duracel" - assim como as bonecas acho que meu botão on/off fica nas costas, kkk, não alcanço - e ter alguém por perto que me ajude a fazer isso é tudo de bom.

Num desses momentos, esperando meu amor concluir um compromisso, resolvi ir até o shopping perto do apartamento para almoçar e passear um pouco. Na volta à pé estava uma garoa bem fininha, um frio "que Deus mandou", quando vi um morador de rua sob a marquise de uma loja. Ouvi a voz fraca pedindo comida ou dinheiro. Não pude resistir... falei para ele vir até mim e tirei três reais do porta níquel. Ele estendeu sua mão e pude vê-la, tão calejada e suja...


Aquilo cortou meu coração. Sei que as pessoas recomendam não ajudar, mas acabo sempre pensando, o que levou uma pessoa à chegar à esse ponto? Se foram drogas, o que a levou a usá-las? Se foi uma decepção que amargurou, porque acabou a vontade de buscar a doçura? Se foi irresponsabilidade, será que tiveram uma segunda chance? E chego sempre à mesma conclusão: quem sou eu para julgar uma pessoa dessas? Penso que estar em uma situação tão precária já é o próprio castigo.

Mais além, penso ainda naquela situação em que a pessoa está ali por ser vítima do sistema social, pessoas que perdem o pouco que tem, seus empregos, sua casa, sua família, não por serem pessoas más ou irresponsáveis, ou seja, pagam um preço por algo que não procuraram. E aqui cabe outra pergunta: como posso avaliar a situação de cada um para ajudar com justiça? R: Não tem como, né? Temo deixar de ajudar alguém que é uma vítima de verdade, então acabo ajudando os que posso.

Claro, sempre observando o contexto. Não sou a favor de pessoas que usam uma deficiência física ou crianças para conseguir dinheiro. Havia passado à noite por uma senhora que parecia debilitada (não, deficiente), entre o tempo de decidir e agir o sinal abriu e não ajudei. E meu coração de manteiga reclamou, kkkk. Como comentei com quem amo, embora seja prevenida, nunca fui vítima de uma pessoa assim, bem como nunca atravessei uma rua quando passam por mim...

A exclusão, a repulsa deve causar ainda mais revolta. Talvez eu esteja errada, mas minha tendência a me colocar no lugar do outro me faz pensar que o que vale é o meu gesto para com ele. O que fizer a partir disso passa a ser um encargo dele, pois seguirá sua vida segundo os reflexos de suas escolhas, mas a minha escolha de ajudar aquieta meu coração. Tenho sido abençoada com muitas alegrias e acredito que ajudar o outro é uma forma de gratidão.

36 comentários:

  1. Essas cenas nos doem mesmo e ficamos sensíveis. Chegamos a um ponto em que fazemos o que nosso coração pede e se o que eles ganharem for mal usado, pelo menos fizemos nossa parte. Eu ajudo na rua o mínimo possível. O faço com quem sei que realmente precisa, aí sim! Já fui muito enganada. Até um pedinte, que aparentemente era aleijado, sem uma perna, saía do seu "ponto" de bicicleta. Pura enganação. A partir daí, sou mais crítica e atenta,rs... beijos,chica e lindo fds!

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    1. Oi, Chica!
      É assim que eu penso, faço o que o coração pede, se quem recebeu usar mal, será um malefício para ela mesma.
      Já ouvi algumas histórias assim. Meu irmão também sempre ajudava uma senhora que parecia aleijada, até que viu ela sair andando. Por isso observo bastante antes de ajudar. E por isso ajudei o rapaz, acho mais sincero pedir dinheiro normalmente do que simular uma doença para se prevalecer da piedade humana.
      Abraços!!!

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  2. Bom dia querida Bia.. não sei se vais ver como eu.. todos temos pontos de vistas diferentes.. já pude ler em livros ocultos que seres de elevadas hierarquias muitas vezes vem como mendigos para ver o estado atual da humanidade.. e como sabemos já vimos muitos serem queimados, pintados de cima abaixo.. coisas deste mundo cruel..
    e tem o outro lado.. gosto muito dos videos do Hélio couto no youtube onde ele diz e acho que é o que falta.. Conhecimento...
    um mendigo esta na rua, algúem morando num barraco, outro passando todas as necessidades e por ai vai.. pq não conseguiram chegar ao conhecimento.. só ele liberta..
    eu sou chato quando falo de celular.. mas até o mais pobre tem um.. vive lá rendido.. dá um livro na mão dele para ver se ele vai ler e encontrar uma saida.. dificil né..
    num video que vi do programa vida inteligente onde era abordado o reino animal e hominal o ser que lá estava que gosto muito do que passa disse..
    já vi pessoas cobrindo seus bichinhos de jóias e no sinal tendo nojo de dar uma moeda.. jogando ela a pessoa que pedisse..
    seja lá o que for se hj esta pessoa esta como humano é por merecimento.. por mais ignorante do verbo ignorar que seja.. ela deu um salto..
    ainda falta muito de nossa parte e me incluo nisso.. para ver um mundo melhor.. um excelente dia abraços

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    1. Oi, Samuel!
      Lembro-me que no filme O auto da Compadecida no final a personagem diz algo assim: "Deus às vezes se disfarça de mendigo para testar a bondade dos homens". Ler sobre os seres elevados me fez lembrar disso. De qualquer forma, o bem gratuito, sem esperar um retorno, é sempre um gesto do bem.
      O conhecimento é mesmo um meio eficaz de conhecimento, e uma questão muito subjetiva. Há pessoas que tem acesso ao conhecimento mas não se interessam em usá-lo... outros que gostariam de uma oportunidade que não tem. Como separar "o joio do trigo"?
      kkk, Sobre o celular, é verdade... já vi inúmeras pessoas humildes com modelos bem mais avançados que o meu. Mais um reflexo da ausência de conhecimento, gastam com supérfluos enquanto passam fome!
      Infelizmente existe mesmo a ostentação, conversávamos (eu e my love) sobre isso também... há os que tem tanto, e não são capazes de ajudar. A desigualdade é uma realidade e não vejo meios de mudá-la efetivamente, porque dependeria de um avaliar interno.
      Mas como disse, temos muito a evoluir. Tenho consciência de minhas inúmeras falhas, mas me orgulho de ter a capacidade de aprender com meus erros, de querer melhorar não só para mim, mas sobretudo, para o que eu puder dar de mim. Muitas dessas pessoas que estão na rua não tem vontade de melhorar, e isso é lamentável.
      abraços!

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  3. Concordo totalmente com o seu pensamento, eu gosto de ajudar as pessoas, o quê elas fazem com tal ajuda já foge um pouco do meu alcance.
    Abraço.

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    1. Oi, Léo, é bem por aí... a minha escolha é ajudar, a escolha do outro sobre o que fazer com isso, deixa de ser minha responsabilidade.
      Abraços!

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  4. Não considero sua atitude errada, Bia.Uma visão analítica sobre o que levou aquela pessoa a encontrar-se em tal estado de penúria nos ressalta as injustiças da vida, do sistema, dos governos, enfim, as diversas causas que podem ter escapado por uma brecha mal escolhida.
    Nesses casos, faria como vc: aquietaria meu coração.
    Um bom final de semana.Bjkas,
    Calu

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    1. Oi, Calu, obrigada pelo apoio e carinho. Gosto de aquietar o coração, não gosto de senti-lo oprimido ou angustiado, então sempre prefiro fazer o que ele manda - isso dificilmente me gera arrependimentos. Quando meu coração está tranquilo tudo flui bem! :D

      Abração!

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  5. Oi Bia, como está você querida?
    Que saudades!!
    Puxa, como é bom vir te ver e ler suas preciosidades!

    Eu estou bem amiga, passei por apertos, mas depois deles, parece que entramos em uma fase mais serena... Ainda bem né? rsrs

    Sabe, eu também, como você, fico com o coração apertado, transfigurado mesmo, quando vejo pessoas assim! Sinto o ímpeto de ajudar, de acolher! Mas meu receio é que o gesto se torne mais um motivo para a pessoa continuar nessa vida de mendicância, quando poderia estar vivendo uma vida bem diferente!

    Mas sabemos o quanto é difícil, como a pessoa é marcada pelo sofrimento!
    Como é difícil ajudar né amiga? Que atitude tomar?
    Vai depender mesmo do momento... mas minha direção é sempre no sentido de oferecer alguma coisa.. fazer o quê... meu coração fica mais sossegado assim, do que quando não contribuo com algo...

    Aproveito para agradecer sempre o carinho que deixa lá no meu cantinho!!!
    Cheguei com atraso para deixar o meu muito obrigada, mas jamais esqueço viu?
    Beijos e um fim de semana maravilhoso para ti e toda sua família!! :))))

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    1. Oi, Adriana!
      Também ando com muitas saudades de passear nos blogs, mas ainda não estou conseguindo como gostaria!
      É bom saber que as coisas estão melhores pra você... cuide bem da sua saúde, é uma preciosidade!
      Esse é o outro lado da moeda, o de ajudarmos e com isso, estimularmos um comportamento cômodo do só pedir em vez de buscar seu sustento... já vivi de perto um caso em que um emprego foi oferecido a um pedinte... quinze dias depois de começar a trabalhar, o homem deixou o emprego e voltou a pedir na rua, por escolha própria. Uma atitude lamentável!
      Porém, como não temos como diferenciar cada situação, em alguns casos prefiro ajudar. Nesse dia que citei estava frio, chuva, como negar um copo de café com leite quentinho e um pão para alguém? Pelo menos, é o que eu espero que o homem tenha consumido.
      Passe por aqui quando puder, sua visita é sempre carinhosa e bem vinda! Um abraço, se cuide!

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  6. Oiii Bia, eu sou como vc, tbém ajudo, quando porventura não ajudo vou embora me questionando por que não ajudei, tbém acho que cabe a nós ajudar cabe a eles usar bem a nossa ajuda, não sabemos a história de vida daquela pessoa, o que a levou até ali, enfim, ajudar faz bem a nós tbém! a muitos anos uma senhora bateu na minha porta pedindo doação, eu ainda nem era casada, não demorou ela estava tomando café comigo em casa frequentemente, por muito tempo ela ia na minha casa buscar doações, quando ela faleceu a família me ligou pedindo p eu pagar os custos do velório e enterro, eu até pagaria mas não tinha condição p tanto, foi chato não poder ajudar... Bjoss

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    1. Oi, Kellen!
      É bem essa minha linha de pensamento, Kellen, não sei o que fez a pessoa chegar até ali, nesse meio há pessoas boas e más, como em qualquer segmento da sociedade.
      Você deu a oportunidade de conhecer essa senhora, que ao que me parece, marcou sua vida, certamente o que fez para ela foi muito importante, fazemos até o limite do que podemos.
      Também aprendi a me abrir mais às pessoas, era extremamente fechada, daquelas que não dava papo a estranhos... até perceber que uma pessoa assim às vezes pode nos ensinar coisas ricas e surpreendentes.
      Um abraço!

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  7. Nossa Bia que bonito acho que a melhor
    coisa é mesmo a gratidão de ajudar o próximo
    a escolha sim é sempre nossa..

    Bom dia de domingo

    └──●► *Rita!!

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    1. Rita, como vai? A gratidão tem um valor incrível hoje em minha vida... com ela aprendi a ser mais humilde e a perceber como vale tudo o que temos. Um abraço!

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  8. Bom dia querida BIA!

    Imagina começar a ler este seu texto e ao mesmo tempo ovuir os acórdes iniciais de November Rain... não sabia se ouvia a musica ou lia voce!

    Então, cada vez mais acho que somos irmãs mesmas, pois sou ligada quase 24 horas por dia. Outro dia falei ao fisioterapeuta que com certeza eu era hiperativa! rsss

    Poucos meses atras, passei perto de uma senhorinha que pediu dinheiro. Voltei passos atrás até ela, porque lembrei que tenho uma mãe de 78 anos e que não sei do meu futuro. Cheguei até ela com R$ 10 e sabia que não ia resolver o problema real, mas ajudaria naquele momento.

    Eu não costumo ajudar, porque como admiro muito atletas para-olimpicos, crianças que lutam com coragem contra doenças mortais, penso que muitos pedintes poderiam fazer algo melhor por si. Especialmente porque a maioria parece saudavel.

    Tem uns senhores deficientes, perto de onde trabalho, que vendem panos de cozinha e tambem sacos para limpezas. Eles não pedem esmolas, eles vendem algo, mesmo que simples e barato.

    Talvez, BIA, o que falta é ter mais trabalho voluntário para ensinar às pessoas de rua encontrarem a melhor saída para uma vida digna. Eu mesma, se estivesse num momento extremo, não sei o que faria, mas não consigo me ver pedindo esmola. Procuraria algo transformador.

    Não tenho tudo que sonho e mereço, mas agradeço a Deus que amo tudo que tenho.

    Beijinhos e otimo domingo.

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    1. Oi, Sissym!
      Gosto de November rain, um clássico dos Guns... estava mesmo a cara desse dia!
      Eu também, já falei isso algumas vezes... quando era criança sempre estava "inventando moda", não era uma criança maldosa, mas inventava cada coisa. Pena que não era compreendida, kkkk, sempre apanhava ou levava broncas!
      Essa questão de ajudar ou não é mesmo complicada e suscita uma vasta discussão - saudável, claro. Ajudou a senhora porque projetou nela a questão da sua mãe. Geralmente projetamos, mesmo. Eu concordo contigo, é muito mais digno conseguir dinheiro vendendo algo, ou mostrando uma forma de arte bem feita... já me vi comprando miudezas só para ajudar. Também não costumo ajudar desmedidamente, tenho a consciência de que isso não é um bom estímulo à uma transformação pessoal. Por outro lado, a compaixão tem um poder transformador no ser humano, e em alguns casos pode ser a distância entre a desistência ou o recomeço. Volto à questão inicial: como saber qual caso é o caso? Difícil, né?
      Concordo também que programas capacitadores seriam a melhor forma de diminuir esse problema. Há pessoas que só precisam de uma oportunidade para reencontrar seu prumo... como há pessoas que não querem se esforçar estudando, se capacitando. É uma questão bem pessoal, só oferecendo a oportunidade seria possível perceber quem está de que lado.
      "Não tenho tudo que sonho e mereço, mas agradeço a Deus que amo tudo que tenho". Não tenho dúvidas de que merece e terá, Sissym. Eu procuro agradecer todos os dias o que tenho, e procuro fazer com que meus sonhos não adormeçam em mim. ;)

      beijos, fadinha.

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  9. Bia, de tanto ouvir para não ajudar, cheguei a me questionar muito. Sei que não algumas unidades de reais que vai ajudar no verdadeiro sentido de retomar a dignidade. Mas naquele exato momento, são com algumas moedas, que talvez um café quente, um pão ou mesmo uma pinga vai trazer algum conforto para aquela situação.
    Sigo ouvindo meu coração: muitas vezes ele sente a malandragem, outras ele se põe no lugar.
    Uma boa semana. Beijo!

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    1. Oi, Ana!
      Acredito que o que comentou resume muito bem o que sinto. Uma ajuda traz um conforto momentâneo, nem por isso menos importante, mas o coração já conhece um bocadinho da vida para perceber intencionalidades ocultas.
      Um abraço!

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  10. Oi Bia,

    Também penso assim, sempre que posso ajudo, pois meu coraçao também é de manteiga...

    Abçs

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    1. Oi, Vanessa!
      Um coração de manteiga é um coração macio... que Deus nos conserve assim, em meio a um mundo tão duro lá fora.
      Um abraço!

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  11. Oi, Bia!
    Ainda bem existem pessoas como você, como eu e outros amigos aqui, pois a miséria dói demais e quem não tem compaixão não pode ser feliz, mesmo com muito dinheiro.
    Claro que eu prefiro dar esmolas a pessoas deficientes que não podem trabalhar, mas é muito difícil negar comida a quem diz ter fome, isto fica no nosso inconsciente e aí não dá pra aguentar.
    Noutro dia um homem muito maltrapilho pedia dinheiro a quem passasse à sua frente e eu tive medo de parar e abrir a bolsa ali na frente dele, mas aquilo me inquietou tanto que, na volta, já trouxe o dinheiro na mão e antes mesmo que ele pedisse eu lhe dei. Senti que ele ficou muito feliz por ter ganhado sem ter pedido e eu, fiquei com o coração aliviado, porque estas coisas mexem comigo demais e o nosso estado tem tanta gente nestas condições, infelizmente.
    um super abraço carioca


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    1. Oi, Beth!
      "Quem não tem compaixão não pode ser feliz, mesmo com muito dinheiro". Partilho do que pensa, Beth! Embora a ideia de ajudar o outro com a capacitação, para que busque seu meio de vida - o que poderia melhorar até sua estima - me pareça bem coerente.
      O problema é que nesse embate entre o coração e a razão, meu coração sempre acaba falando mais alto, entendo sua atitude. Vivemos numa sociedade cercada de violência, de pessoas querendo se dar bem, é natural vivermos em estado de defensiva. Sua atitude foi uma sábia saída... ajudou mas preservou sua segurança. E a felicidade estampada no rosto do homem certamente não teve preço.
      Assim como, fico chateada quando a pessoa ajuda e não ganha nem um "obrigada" ou pior, o outro ainda desdenha do que ganhou. É preciso no mínimo o reconhecimento pelo gesto, e quem ainda se sente no direito de questionar isso, certamente não merece ajuda. Ou ao contrário, saber que aquele que um dia foi ajudado depois ajuda a outros, isso vale muito a pena! :)
      Um abraço!

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  12. uai... e agora?! não lembro mais o que disse...
    bjs

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    1. Amore, está respondida, lá em cima... o relógio anda de mal comigo, hahaha!

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  13. Olá Bia,

    Em primeiro lugar, fiquei feliz pelos bons momentos que você passou com o seu amor. Não existe melhor maneira de recarregar as baterias-rs.
    Na época atual, em que somos tomados pelo medo, acabamos por aparentar indiferença ao sofrimento e necessidades alheias. Quando alguém se aproxima da janela do carro o primeiro impulso é o estado de alerta, o que nos leva automaticamente a fechar os vidros. Queremos ajudar, mas logo vem o receio de abrir a carteira e se tratar de um larápio travestido de mendigo. Não me sinto bem com essa situação, pois posso imaginar o sentimento de rejeição que acomete tais pessoas. Assim, prefiro dar ajuda aos pedintes de porta de padarias ou supermercados, comprando-lhes algo como um pacote de arroz ou pãezinhos e bolachas. Somente se colocando no lugar dessas pessoas é que somos capazes de avaliar os sentimentos deles, que podem até variar entre a humilhação e a vergonha. Nem todos que estão na rua optaram pela vida miserável que levam e necessitam da solidariedade humana, nem que seja um olhar nos olhos ou um leve sorriso. Certo é que a cada dia aumenta o número de pedintes e mesmo querendo, não há como ajudar a todos. Façamos o que puder e já nos sentiremos bem. Há quem diga que não dá dinheiro, prejulgando que será para a compra de drogas ou bebida, mas isso é realmente problema deles, pois responderão pelas suas atitudes. Embora às vezes eu me recuse a dar dinheiro, nunca deixo de atender a um pedido de algo para comer. Creio que não dormiria em paz se o fizesse.

    Beijo.

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    1. Oi, Vera! Tem razão... passei momentos inesquecíveis e sempre me permito lembrar deles quando a saudade aperta... estou precisando vê-lo novamente... Viajar a dois de vez em quando é bom para respirar novos ares. Estar com ele é ótimo sempre. <3
      Essa sensação de defesa de abrir a janela do carro que citou foi uma das que senti quando vi aquela senhora que não ajudei. O velho dilema do medo entre ajudar a vítima social ou se tornar uma vítima social. Rejeição é um sentimento ruim em qualquer circunstância, quem dirá para quem passa por uma situação dessas... deve ser horrível.
      Acho sua atitude, de ajudar com alimentos muito boa, pois assim tem certeza que estará alimentando e não sustentando um vício. No meu caso naquele momento eu não tinha escolha.
      Ler sobre o que escreveu, que se negasse comida se sentiria mal, me fez lembrar de quando eu era jovem e morava na casa dos meus pais, um sobrado numa rua movimentada. Sempre quando eu estava lavando a calçada - não havia dinheiro para o luxo de uma empregada - passava gente pedindo água, pão ou bolacha. Minha mãe não gostava que desse, achava que o copo ficaria sujo, que a pessoa podia nos fazer algum mal. Percebendo que não me sentia bem, comecei a dar escondido sempre que pediam. Hora,o que era um copo sujo? Nada que água e sabão não desse jeito...
      Ainda bem que minha mãe melhorou bastante nesse sentido, no fundo só queria nos proteger e se perdia em seus parâmetros.
      E eu... acabava burlando suas leis, kkkkk! E ninguém nunca me fez mal!
      Paz para nossos corações sempre, Vera!
      Abraços!

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  14. Partilho a sua forma de pensar, Bia, não nos podemos alhear do que nos rodeia. Além disso, o possível equilíbrio do mundo tem muito a ver com o somatório de pequenos gestos.

    Beijo :)

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    1. Oi, Ac! "O possível equilíbrio do mundo tem muito a ver com o somatório de pequenos gestos"... Preciso dizer algo mais? Acho que não... obrigada por partilhar essa lindeza de pensamento.
      Um abraço!

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  15. Concordo contigo Bia. O importante é ajudar, é estar em paz consigo mesma, com aquele ar de 'dever cumprido', o restante vai da consciência de quem está sendo ajudado.
    Infelizmente existem pessoas ruins por aí, que não valorizam tal ajuda.

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    1. Oi, B! É verdade, pessoas ruins existem em qualquer parte, e não precisam ser mendigos ou moradores de rua. Há muitas pessoas ruins travestidas em carros da moda e roupas de marca. E embora não careçam de dinheiro ou comida, carecem de amor para ver se amaciam o coração.
      Valorização é tudo, independente de classe social, e quem é arrogante (ainda que não tenha um vintém), acaba pagando seu preço.
      Um abraço!

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  16. Com bem disse não podemos julgar e muito menos sabemos como acabaram ali na rua....um dia pode ser nós ou alguém que conhecemos.
    Se usarem de má fé comigo to dentro d`água pois sempre dou alguns trocados e se posso pago um salgado ou marmita. Não dá pra fingir que não estão ali...

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    1. Oi, Patrícia, bem lembrado. Já vi algumas reportagens de pessoas que viraram andarilhos por causa de um acidente ou perda de memória... ninguém está livre disso.
      "Se usarem de má fé comigo to dentro d`água", kkkk, essa é nova, kkkk, então tô dentro d'água junto contigo! Não sei ignorar o que se passa ao meu redor, principalmente se puder ajudar.
      Um abraço!

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  17. Muito bonito seu gesto, Bia.
    Eu tbm me questiono sobre essa orientação de não dar esmolas. Sabemos que a caridade é um princípio cristão, e às vezes fica mais fácil estender a mão no trânsito e ajudar a quem precisa ali mesmo.
    Siga seu coração, querida!

    Um beijão!

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  18. Bia, semana passada minha mãe estava contando algo parecido com isso.
    Nós ( eu e ela) temos muita vontade ajudar os outros. Nesse tempo de frio vamos sair distribuindo muda de roupas e cobertores. Não tem nada melhor do que ajudar!

    Sobre dar dinheiro é complicado, pq as vezs vc acaba o ajudando a comprar droga ou comida, nunca se sabe né?

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  19. Bia, a sua atitude foi bonita e reflete o seu bom coração. Não merece ser condenada, jamais. Mas eu raramente ajudo. Nesse caso citado por vc, eu até ajudaria pelas circunstâncias. Mas normalmente não ajudo pq muitas vezes o cara é mendigo mas tá segurando um maço de cigarros. Ou então foge de abrigos, ou explora seus filhos. enfim... complexo. bjs

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  20. Oi Bia,
    Eu sou durona nas minhas decisões, pois têm pessoas que quando estão numa pior vêm nos procurar exemplo: O telefone toca, era uma amiga desesperada dizendo que iria se matar pois estava devendo x na praça. Esse x era um bom dinheiro, então eu lhe disse: vá até à frente do Banco que vou lhe emprestar o dinheiro, assim o fiz. Ela pagou um puco por mês, não cobrei juros e nada, nunca ia a minha casa, Há pouco tempo sua filha morreu de acidente, quem estava com ela?eu.
    Bem seu filho ia se casar, eu nem sabia e ela nem me convidou. Eu não ia mesmo, pois não podia calçar, fizeram uma festa de arromba.
    Desculpa Bia, não tenho mágoa dela, mas nunca mais a quero vê-la.
    Qualquer pessoa que venha pedir alguns trocados eu dou, como você disse: ninguém sabe o que leva uma pessoa a se perder e em nenhum momento da minha vida passei necessidade de nada. Tive bons trabalhos e estou bem. Por que guardar tudo pra mim? O caixão já está pago, portanto se pudermos minimizar o sofrimento dos outros é bom. Só que eu estou sempre me ferrando e Deus me ajudando. Pode?
    Eu sou grata a Deus.
    Beijos
    Lua Singular

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