sábado, 19 de julho de 2014

Seis dedinhos

Fiz um curso essa semana e ouvi uma história muito interessante da palestrante. Seu sobrinho nasceu recentemente com Síndrome de Down e com um dedinho a mais em uma das mãos. Seu filho com 6 anos foi junto com ela visitar o bebê, que como toda criança nova que nasce na família, está sendo o centro das atenções.


imagem daqui


Chegando lá e observando a criança, o menino, em fase de alfabetização e acostumado a fazer isso em sala de aula, começou a contar os dedinhos das mãos da criança. Observando a diferença, virou para a mãe e falou:
- Olha, mãe, o Lucas* tem seis dedinhos em uma das mãos. Para ele vai ser mais fácil aprender a contar quando os números passarem do dez!

Ele tem tido dificuldade em compreender o sistema numérico após o dez por não ter mais dedos para contar e viu na diferença do primo, que muitos podem ver como um "defeito", uma vantagem.

Verdade 1: as crianças especiais precisam ser acolhidas e tratadas com suas especificidades de maneira especial porém, natural, sem a ideia de repulsa, pena ou superproteção. Só assim é possível incluí-las de fato socialmente.

Verdade 2: já li em alguns livros o quanto a origem de tristezas e problemas começa quando desaprendemos a simplificar e naturalizar como crianças e perdemos a certeza que elas tem de que merecem satisfação e felicidade. beeem mais fácil ler do que fazer, hahahaha

E no final, tudo, tudo é uma questão de ponto de vista. ;)

****

Feliz Dia do Amigo!!! - 20 de julho

Amigo de verdade sabe o que traz alívio para o coração!




25 comentários:

  1. As crianças resolvem maravilhosamente as questões e dão soluções muito lindas! Adorei! bjs praianos,chica

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    1. Oi, Chica, É verdade! O lado encantador de trabalhar com crianças pequenas! :) Um abraço!

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  2. Que bonito Bia, uma lição de vida, as crianças
    especias que saõ tratadas como uma normal
    tem grande chance de melhora, e o menininho
    é bem esperto...e já sabe fazer as continhas

    Muito bom

    Abraços de bom final de semana
    (¯`v´¯)
    `*.¸.*´ Rita (¯`v´¯)

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    1. Oi, Rita! Sim, em geral tem uma metodologia diferenciada para ensinar um aluno especial, um suporte médico e psicológico, mas o dia a dia social precisa ser o mais natural possível, e as crianças em volta se adaptam muito bem à isso. Um abraço!

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  3. Rsrs... Por que não pensamos tudo como eles, né? De tanta lindezinha esse texto, por um momento apenas, pelo início da vida do Lucas, que já foi aceito sem admiração, apenas afeto.

    Um beijo, menina.

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    1. Olá, Milene! Pelo início da vida do fofo do Lucas, pela melhoria da qualidade das nossas vidas, apenas aceitação e afeto... tem coisas mais importantes pra todos nós? Um abraço!

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  4. É isso aí. Se os adultos analisassem as coisas como crianças teríamos um mundo bem diferente e decerto bem melhor. Também tenho uma priminha que nasceu com seis dedos em cada pé. A parteira, (foi numa aldeia no Norte à vários anos) apertou-lhe à volta uma linha e os dedinhos acabaram por cair em menos de um mês. Tenho a certeza que se fosse num hospital não teriam feito isso.
    Um abraço e bom domingo

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    1. Oi, Elvira! Nossa, que história... tadinha, imagino a dor que pode ter sentido! Infelizmente há anos atrás qualquer traço de diferença era motivo para discriminação. Hoje em dia estamos longe do ideal, cultura é algo que leva tempo para ser transformada, mas já melhorou um bocado. Eu nunca compreendi isso muito bem, mas quando jovem olhava com pena. Hoje acredito que olhar com pena é também um meio de minorizar, portanto, o lance é tratar o dito diferente como igual, afinal, ninguém é igual! Um abraço!

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  5. Sem sombra de dúvida, Bia, o ponto de vista das crianças é bem mais natural do que se pode prever, mas contém uma sabedoria nata da qual precisamos urgentemente apreender e praticar.A ressignificação destrava o preconceito; verdade número 3.Esse conjunto faz diferença, né?
    Bjkas,e boa semana.
    Calu

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    1. Oi, Calu! Parece um pouco absurdo precisar ressignificar o que nunca deveria ter tido um significado deturpado. Somos todos seres humanos que merecem respeito, uma verdade incontestável e é estranho precisar fazer o caminho de volta à isso. Preconceito é um sentimento/atitude lamentável. E que possamos cada vez mais aprender com a beleza simples do olhar das crianças. Um abraço!

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  6. Olá, Bia.

    A diferença pode estar no olhar, na leitura que fazemos das coisas.

    Passando para deixar meu abraço.

    Amanhã, 20 de julho é um desses 365 dias do amigo e da amizade. Amigo presencial ou virtual, conhecido ou oculto, secreto, público; novo, antigo... Quem é bem mais que "coisa pra se guardar". Aquele que te curte no Facebook, segue no Twitter, comenta no Blog... Alguém para ser lembrado nesse domingo e em todos os dias.

    Felizes dias do amigo!

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    1. Olá, Apon, obrigada pela lembrança! Vamos construindo pontes assim, real ou virtualmente. Um abraço!

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  7. Boa noite Bia!
    Uma linda reflexão!
    Uma linda sabedoria o menino de seis anos traz para nós!
    Uma linda noite para voce.
    meu abraço
    Maria Alice

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    1. Olá, Maria!
      Obrigada pelo carinho, um abraço!

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  8. Amada Amiga,

    Quando minha filha nasceu a explicação foi: "ela é tão bonita que não poderia ser mais perfeita" - é porque nasceu com sindactilia no pé esquerdo. E, infelizmente, em 2 dedos que chamam muito a atenção. O 2o e o 3o. são colocados, tem os ossos do corpo de cada, unidos por uma unica falange e uma pele unica tambem. A medida que foi crescendo, foi chamando mais e mais atenção. Talvez por serem estes dedos, parece ter uma pequena macrodactilia. As 2 orelhas não são identicas, mas isso não dá para ficar chamando atenção. Com uns 6 aninhos, ela já contava para mim, como querendo uma explicação e tambem solução. Foi quando começou a notar a sua diferença.

    Até os 6 anos, na primeira escolinha nunca sofreu bullying. Os amiguinhos costumam contar os dedos dos pés dela, mas não havia maldade nem discriminação. A escolinha só ia até a alfabetização, então a partir dos 6 para 7 todas as crianças já estavam em colegios diferentes, poucos ficaram juntos. Ela foi para uma escola maior, Teresiano, e lá sofreu muito bullying, era uma coisa horrivel. Começou assim que as crianças viram o pezinho dela. Ela foi se retraindo demais, ficando cada vez mais tímida, e isso comprometeu tambem a postura dela que vem sendo corrigida atualmente com RPG.

    Ela poderia operar, ha solução, mas ainda não chegou a hora.

    O mundo é esse, BEIJOS

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    1. Oi, Sissym!
      Infelizmente a diferença não seria tão notável para a pessoa se as outras pessoas não fizessem questão de chamar a atenção para isso. Como eu disse, até um olhar de pena já subentende a diferença. As pessoas ligam demais para a aparência e essa com certeza é a origem de grandes problemas que não precisariam existir.
      Uma vizinha minha tem uma característica parecida no pé, certamente encontrou pessoas mais compreensivas em seu caminho, é tranquila, alegre, recentemente casou em uma cerimônia de sonho e está muito feliz.
      Que a vida apresente à ela pessoas que enxerguem o que realmente importa: a essência. E ela é linda mesmo, já vi em foto... que os detalhes sejam somente detalhes perante a grandeza que um coração pode oferecer. :)
      Abraços às duas!

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  9. Oi, Bia!
    Enquanto as crianças olham o outro procurando semelhanças, o adulto olha procurando por defeitos. Direcionar o olhar para o lugar certo, simplifica a vida e somos mais felizes!
    Feliz dia do amigo!
    Beijus,

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    1. Oi, Luma, como vai?
      O que me pergunto é por quê o ser humano transforma um olhar doce, simples e solidário em outro cruel e mesquinho quando torna-se adulto, multiplicando intolerância.
      "Direcionar o olhar para o lugar certo", parece simples, mas poucos colocam em prática em meio à opacidade do cotidiano.
      Feliz dia do amigo pra você também Luma.
      Um abraço!

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  10. Temos muito que aprender com as crianças....

    Abçs

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    1. Tem razão, Vanessa, principalmente aquelas que são criadas como crianças e não, como adultos em miniatura. Um abraço!

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  11. Boa tarde Bia, tinha-me escapado esta preciosidade!
    na verdade as crianças são excepcionais e estão sempre a frente a dar-nos exemplos ! Emocionante a pureza como esta criança encontrou no primo bebé a vantagem para os seus problemas escolares!
    Assim possamos sempre olhar com as crianças!
    Beijinhos,
    Ailime

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  12. Esse olhar puro, de quem não foi contaminado pela discriminação, é de grande beleza. E as diferenças existem para nos ensinar a viver. Bjs.

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  13. Oi Bia, tenho uma cunhada quase da minha idade, que é especial, não sei ao certo o que ela tem, só sei que minha sogra teve Rubeóla na gravidez, enfim ela não interage muito, mas mesmo assim minha sogra a trata de igual pra igual.
    Outro dia peguei um ônibus com uma criança hiperativa, a mãe me pareceu tratar o filho como todos, ficamos o caminho conversando e ela me relatando a rotina dela com ele, achei tão bonitinho, agora eu sempre me compadeço, não sei pq, talvez falta de costume, não sinto uma pena não é bem isso, talvez, eu fique mais carinhosa, pq geralmente eles são mais meigos.

    bjs

    Gélia

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  14. Bia,que lindo texto! A criança simplifica a vida, a gente é que tem mania de complicar! Bjs,

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  15. Olá, querida Bia
    Mesmo atrasada, não poderia de felicitar-lhe pelo dia do amigo...
    Neste mês, temos muitas comemorações na família: aniversariantes e muita alegria reinando...
    Entretanto, como diz o seu post... nem tudo é perfeição...
    Li alguns posts sobre os 6 dedinhos... Nunca vi ninguém assim...
    Trabalhei com crianças especiais os 7 anos do meu magistério exercido...
    Sempre consolada ao passar por aqui e ler o que escreve com zelo...
    Que sejamos alívio uns par aos outros!!!
    Bjm fraterno de paz e bem

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