sábado, 13 de setembro de 2014

Produtividade x jardim - Taylor que me desculpe

Estava estudando e dei uma pausa para tomar um chá e passar por aqui. Faço especialização em Mídias na Educação e gostaria de ter mais tempo para as leituras e atividades sugeridas, o curso é muito interessante - e eu nunca me imaginei dizendo isso, hahaha.


imagem daqui

"Você está racionalizando tudo", disse minha psicóloga em uma conversa informal.Hoje gosto de estudar,  sei o valor do conhecimento. Aprendemos que o raciocínio lógico nos leva ao caminho das deduções... ao contrário, vejo o apuro do raciocínio como um meio de refrear o impulso de deduções e suposições desmedidas quando sob domínio da emoção. Com estudo vejo alargar minha capacidade de enxergar longe... ao mesmo tempo em que procuro reduzir o campo das soluções, suposições e deduções para um caminho menos cansativo e mais certeiro - enxerga-se com mais clareza.


Mas não racionalizo tudo, a sensibilidade ocupa um espaço importante na minha vida. Taylor, racionalista, pai da administração científica e criador de um novo modelo de trabalho no início de 1900 que repercute até hoje, organizou o trabalho de forma a aumentar produtividade e lucro, e trouxe alguns benefícios, com o preço da massificação do ser humano tornando-o máquina e desconsiderando suas necessidades e características individuais. O que a história não conta e li no livro  O ócio criativo, de Domenico de Masi, é que Taylor "nasceu rico, trabalhava por hobby e estudava a organização do trabalho por paixão" e retirou-se do mercado de trabalho aos 45 anos para cuidar dos jardins de sua mansão que contava com... 35 jardineiros para cuidá-la! Entenderia de fato esse homem o que é trabalho para criar um modelo com tamanha importância? Certamente criou um meio de manter seus 35 jardineiros trabalhando para ele...Alguma semelhança com a época das eleições?

Também de jardins fala o livro "Tempo de esperas" do Pd. Fábio. Um filósofo culto, letrado e racional reencontra o amor e o verdadeiro sentido da vida cultivando um jardim, uma hipótese para ele, a princípio, completamente infundada.

Procuremos deixar sempre aberto o canal da sensibilidade. Recebi há um mês  um aluno oriundo de um contexto duríssimo e que agora vive no "lar". Seu irmão entrou em outra turma e precisou ser afastado por ameçar uma professora com uma faca. "Professora, agora estou feliz porque tenho o que comer. Antes eu precisava ficar revirando o lixo", "Que bom, né, filho". Eu quis ficar com ele e estou fazendo o possível para ensiná-lo, quando vi muitos julgando-o por seu contexto. Apesar de tudo é um menino alegre e querido. As teorias do trabalho não acabaram com a desigualdade...

Esses são canais... um olhar que permanece doce para receber a confiança de uma criança, conservar a capacidade de me arrepiar e suspirar só de lembrar do homem que eu amo, conseguir sentir cheiro de chuva e de mar, conseguir  observar, apreciar... Podemos estudar, sermos racionais, eficientes, produtivos, e ainda, todo dia, nos presentear com a ideia de que não somos máquinas conservando a sensibilidade bem guardada. Taylor que nos desculpe, mas nosso jardim individual é mais importante do que nos tornar meros atores perfeitos  de uma linha de produção. Não temos 35 jardineiros cuidando do nosso jardim interior, temos amor e o desejo improdutivo e delicioso de ser humano, de ser feliz.

Pessoas precisam mais de regas do que podas. Me conta... como você faz para regar seu jardim?


Divagações de uma semana  em que me senti assim, hahaha:



31 comentários:

  1. Um tema instigante, faz refletir. Gostei do que li e como rego o meu jardim? Pouco a pouco, com amor e tentando equilíbrio sempre! bjs, tudo de bom.Acertaste por lá! Obrigadão! É mesmo a Rita! bjs, chica

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    1. Somos todos equilibristas nesse mundo, chica. Vez por outra caímos... mas sempre temos o aconchego da rede de proteção para poder subir de novo e tentar de novo! :) Um abraço!

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  2. Excelente reflexão. Eu rego mu jardim através da música, do teatro, do cinema.... Adoro escrever, aprender coisas novas, fotografar, rir e criar. Cada um rega seu jardim com a água que lhe faz bem! Ou pelo menos deveria regar...

    Texto muito legal! Abraços!

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    1. "Cada um rega seu jardim com a água que lhe faz bem"... interessante colocação. É primordial estar de posse de seus interesses para ter momentos de satisfação. Se for em boa companhia, melhor ainda. Minha rega é muito parecida com a sua, gosto de tudo o que falou. :)
      Um abraço!

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  3. Oi Bia,
    Aguenta um pouco que logo falarei mais ou menos sobre esse tema numa postagem, estou na metade.
    Belo exemplo ele deixou e muita gente segue-o e nos suga até à morte.
    Beijos
    Lua Singular

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    1. Olá, Dorli... talvez não seja um problema seguir o modelo de Taylor, mas nos sugarem até a morte. A vida é mais!!!
      Um abraço!

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  4. Boa tarde Bia,
    Que excelente artigo!
    Há dias em que nos sentimos assim, mas na verdade esse sr.Taylor;)) que me desculpe também, faz-me lembrar o Taylor que está a governar o meu Pais e que nunca teve trabalho produtivo, mas para ditar leis como diziam os antigos, nunca tal vi, nem o que ensombrou este País quase 50 anos;)) Neste caso o jardim está a afundar-se!
    A sensibilidade deve sempre reger-nos e não tenhamos vergonha de a deixar vir ao de cima!
    Racionalizar, agindo com delicadeza e respeito pelo outro!
    Como rego o meu jardim? Deixando a minha sensibilidade vir ao de cima (por vezes, porque não deixar que as lágrimas escorram? rsrs), mas o que gosto mesmo é de entrar pela natureza, ouvir o cantar dos passarinhos, ouvir o som do mar e estar em silencio!
    Necessito de momentos de silencio para o meu equilíbrio!
    Beijinhos e bom fim de semana.
    Ailime

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    1. Olá, Ailime! Há algum tempo acompanho pelos blogs dos amigos de Portugal o quanto a situação por aí está difícil, o brasileiro vive sempre meio acostumado com sua vida difícil, mas deve ser mais difícil ainda quando um governante desanda aquilo que estava caminhando bem...
      Delicadeza... #amo essa palavra/atitude... sempre que sou um pouco ríspida logo trato de me lembrar... "seja suave, seja delicada, para que agir com rudez? Para se defender do que?"
      Hoje mesmo chorei com duas reportagens da tv, ontem chorei no cinema... e aprendi que chorar por histórias bonitas não é motivo de vergonha. era do tipo que antes escondia a lágrima que brotava numa reportagem ou num filme... hoje choro mesmo, veja quem quiser ver, hahaha....
      Também gosto de encontrar na natureza refúgio e silêncio para colocar as ideias e sentimentos em ordem... faz bem.
      Abraços!

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  5. | sem lastimar
    vamos nos transformando
    sem indiferença |

    não é??


    beij0

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    1. Lastimar só é válida quando acompanhada da ação. Um abraço!

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  6. Oi Bia

    Felizmente o excesso de produtividade não abala em nada a sua sensibilidade, você é uma das pessoas mais sensíveis que conheço e é bom estar de volta por aqui, é muito bom falar com você novamente.

    Um beijo enorme!

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    1. Oi, Van, que saudades!!! :D Tem espaço importante em minha sensibilidade, não me canso de lembrar o quanto me ajudou a resgatá-la em mim. "Temos as ferramentas, basta usá-las..."
      Você é sempre super bem vinda aqui!
      Um abraço!

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  7. Bom dia Bia.. o conhecimento esta a disposição de todos nós.. muitos futricam nele por curiosidade..
    não devemos incomodar ele a menos que tenhamos um objetivo grande em nós de desvelar mistérios.. no fundo o conhecimento já esta em nós.. só temos que regar ele com bons pensamentos.. e ele se apresenta na dosagem certa... abração

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    1. Olá, Samuel! Sim, o conhecimento está dentro de nós.. e os bons pensamentos direcionam esse conhecimento para o bem, cercar-se de umacouraça de proteção contra tudo aquilo que nos joga pra baixo.
      Aprendi o quanto pode ser fascinante essa viagem que fazemos para dentro de nos, em busca de evoluir.

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    2. Apertei o enter antes de deixar meu abraço, kkk... ótima semana!

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  8. Olá Bia,

    Você encontrou o vídeo perfeito para ilustrar sua postagem (ou que a inspirou para a postagem). Nessa vida, nada é mais importante do que o que sentimos. São nossas emoções que nos tornam humanos. Acredito que o raciocínio lógico é fundamental para teólogos, cientistas e afins. Para nós, contudo, aplicaria sua conclusão, que me pareceu bem raciocinada: "... vejo o apuro do raciocínio como um meio de refrear o impulso de deduções e suposições desmedidas quando sob domínio da emoção".
    Creio que a racionalização traz um impacto negativo de desumanização.
    Todos nós deveríamos cuidar de adubar nosso jardim interior, pois é através desse exercício de jardinagem que se operam as transformações. Ao cuidar de nosso jardim interior possibilitamos que o perfume de suas flores se espalhem até os jardins de todos.

    Gostei muito do seu bem elaborado texto, refletindo, uma vez mais, a sensibilidade que reina em seu coração.

    Beijo.

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    1. Oi, Vera!
      "Todos nós deveríamos cuidar de adubar nosso jardim interior, pois é através desse exercício de jardinagem que se operam as transformações. Ao cuidar de nosso jardim interior possibilitamos que o perfume de suas flores se espalhem até os jardins de todos." Tão bem colocada sua perspectiva... fiquei pensando que não há como permitir transformações em um solo que está seco, infértil. é bom fazer florir no outro também! :)
      Gostei de desenvolver o lado racional, mas sempre na medida do equilíbrio... há o momento ciência, há o momento emoção.
      Obrigada pelo carinho! Um abraço!

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  9. Bia,

    Eu era mais emocional, sito é, dava um crédito antes de ver do que se tratava, e sofri muito com isso; hoje sou mais racional, talvez até mais do que deveria ser, acredito muito menos, sou desconfiada demais.

    Contudo racionalizar é algo que ajuda muito a organizar, dar mais praticidade à vida e aos fatos, ponderar usando do bom senso quando se fizer necessário, porque se baseia no raciocínio, possui como alvo a razão, sua maneira ou suas implicações. É aprender a usar mais a inteligência quando há oportunidades para o uso da razão.

    É fato que sou razão e sensibilidade o que pareço estar mais equilibrada diante da vida, só que depende muito da força da ventania, porque o coração não é de ferro e nas veias corre sangue vivo.

    Bjs

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    1. Oi, Sissym! Acho que desconfiança é um sentimento importante e cautelar, mas sempre é importante estar vigilante... quem desconfia demais pode acabar sendo injusto com quem não merece - não que seja seu caso, é apenas algo do qual sempre procuro me lembrar.

      Em relação ao seu segundo parágrafo, concordo completamente... racionalizar traz ganhos na qualidade de vida em geral. Mas é a sensibilidade que dá a cor à vida, então, ser inteligente também é deixar que ela se manifeste sempre que possível.

      E nessas minhas veias também corre sangue vivo... eita, essa minha irmâ gêmea!!! :)

      Abraços!

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  10. Não se pode generalizar, pois há quem nunca realizou uma tarefa e, através da capacidade de observação e da própria sensibilidade, é capaz de encontrar meios para que seja desenvolvida de forma mais eficiente. Temos o nosso tempo para tudo e qualquer exagero pode prejudicar algo que ia muito bem. Filosofar exige conhecimento e nem sempre regamos nosso jardim como deveríamos, suavemente, já que excessos serão tão prejudiciais quanto a ausência de água. Há dias em que nada nos estimula e de nada adiantaria plantar. Em outros, adubamos, plantamos e até ajudamos os que se encontram em nosso estado anterior (rss). Bjs.

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    1. Oi, Marilene!
      Ótimo ponto de vista! Quantas atividades não passaram a ser bem desenvolvidas com sensibilidade e cuidado, em vez de usar conhecimento e tecnologia. Nesse sentido, e sobre o que disse de filosofia, casa muito bem com o livro Tempo de Esperas. O filósofo em questão perdeu-se tanto no cultivo de seu conhecimento, almejando tornar-se um ícone do saber que esqueceu de que somos duos, feitos de razão e emoção.
      É que a emoção e a sensibilidade não são características valorizadas em nossa sociedade, ao passo que aquele que demonstra demasiada razão, está, na verdade, ocultando-se a si mesmo.
      E sim, bem explicado, todos temos dias de regas, plantações, e somente de ser terra.
      Um abraço!

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  11. Eu ouço, ouço, ouço.... e não julgo jamais! E tbm não fico tentando resolver a vida de quem me conta algo. Acho que falta é isso, ouvir sem julgar, sem se espantar com o que outro te conta. Apenas ouvir e perguntar. Talvez nas perguntas que fazemos estão as respostas que a pessoa precisa. Fazê-la pensar, raciocinar, enxergar, é uma missão muito difícil, mas é muito prazerosa.
    Beijos, ótima semana!

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    1. Olá, Clara, tem razão... é nesse sentido que atua o serviço do qual faço parte. Há pessoas que conseguem se enxergar quando ouvimos e compreendemos, há outras que, tomadas pelo desânimo ou depressão, não conseguem enxergar um caminho, mesmo quando ele nos parece claro e viável.
      Nesse situação difícil é o momento do se enfrentar, sem culpas ou acusações, para então começar a compreender por onde ir - porque sempre há um caminho quando não falamos de morte ou doença.Bela atitude a sua de conduzir pessoas a se redescobrirem... não tenho dúvidas de que esse é uma descoberta sólida para a felicidade.
      Um abraço!

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  12. Bia,
    como é imprescindível este teu olhar sensível e apurado para os muitos terrenos nos quais atuamos na vida.A massificação do ser humano me peças da linha de produção foi e ainda é algoz de milhões de pessoas em todo mundo. esta lógica absurda tem tido algumas mudanças, porém incipientes diante das reais necessidades de valorização da vida humana.
    Rego meu jardim alimentando minha sensibilidade, permitindo que minh'alma esteja à frente do raciocínio; leveza e beleza ajudam.
    Teu texto está maravilhoso, como de costume.

    Bela semana.
    Bjos,
    Calu

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    1. Olá, Calu, como vai?
      Tem razão, mudanças no sentido de diminuir a massificação estão acontecendo, porém num ritmo lento demais para surtir efeitos contundentes. Pessoas ainda são controláveis e manipuláveis.
      Sua sensibilidade é algo que está transparente em seus escritos e comentários, Calu, além de inteligente com as palavras, é inteligente de alma. Um abraço!

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  13. Excelente postagem, Bia. E é complicado cuidar de jardim, quanto mais do nosso jardim interior. Mas é preciso adubá-lo com confiança, alegria e vontade de viver sempre. Mas muitas vezes é difícil e quando o jardim começa a morrer é um sacrifício para revivê-lo. Bjão.

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    1. Oi, Sérgio, tam razão... quando o jardim dá sinais de morte, haja água, adubo, carinho, minhoca, kkk, para fazê-lo reviver. O caminho mais curto é tentar manter nossas flores internas sempre viçosas.
      Um abraço!

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  14. Oi Bia,
    Confesso que cuidar desse jardim não é fácil mas se tivermos amor,paciência e determinação futuramente colheremos lindas flores.
    Acho tão bacana ler sobre a vivência das pessoas,principalmente as que trazem mudanças positivas.
    Beijoo =)

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    1. Oi, Suelen, Vivemos em um contexto de cobrança e competitividade constantes, talvez por isso torne-se tão complicado cuidar do nosso jardim, algo que deveria ser natural...
      Cuido do meu jardim e gosto também de cuidar do jardim das pessoas que eu amo. Escrever também é uma forma de espalhar flores por aí! :)
      Um abraço!

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  15. Olá, Boa tarde,Bia
    Bem? Comigo,tudo!
    Pessoas precisam mais de regas do que podas.... "Pessoas são como livros, Alfredo. Precisam ser lidas. Não pare nas capas. Há muita riqueza escondida em capas pouco atraentes." (Abner, página 71)...
    ...todos temos aqueles momentos que nos separa daquilo que sabemos que desejamos, mas nos consideramos ainda impotentes para agir, porque crescemos aprendendo a abafar nossas emoções, principalmente na hora de tomar uma decisão e usamos de um mecanismo de defesa chamado racionalização , criando desculpas racionais para nossas dificuldades emocionais. Tendemos a minimizar ou rejeitar os argumentos contrários e ter uma atenção sobre o que favorece a nossa ideia e uma desatenção sobre o que a desfavorece.
    "Cuido do meu jardim", procurando aproximar e reconhecer sempre meus (próprios) sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.Pois penso que expressar as emoções é uma forma de saber reconhecer e validar sentimentos e pensamentos presentes em todas as nossas escolhas e decisões....
    Obrigado pelo carinho,belo final de semana,beijos!

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    1. Oi, Felis!
      Perfeita a colocação dos livros como complemento...
      Achei simplesmente bárbaro seu parágrafo qe fala sobre racionalização versus realização... não entendo como o ser humano é criado para sufocar emoções, quando é justamente o que nos difere dos outros animais, a capacidade de ter razão e emoção - ambas - não somente razão. Com se seguir o caminho da emoção fosse errado... e onde está o desejo de ser feliz, afinal?
      Se comentário foi bárbaro, Felis, capturou a essência do texto.
      Um abraço!

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