sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Vaga-lumes

[como tornar a vida de uma pessoa, especial? queria TANTO saber...]

imagem daqui


Quando adolescente eu era muito apegada à tia V., solteira, bonita, mente jovem, esotérica... muito do meu jeito surreal de ver a vida aprendi com ela. Uma vez fomos eu, ela e sua irmã, Tia C., a um pequeno sítio que possuíam em Porto do Cima, que fica ao pé da serra, passar o final de semana.

Para chegar, após o fim do asfalto, adentrava-se a mata por um estreitíssima ruela de terra e pedregulhos, curvas e mais curvas entre as árvores. A casa era simples, mas caprichosa. A uns 10 metros, no quintal, passava o rio Nhundiaquara, com suas águas limpas esculíndo as pedras. Havia uma ou outra casa solta nas redondezas, mas o lugar era rústico, selvagem. A luz local era desligada às 18 hs.

Durante o dia ficava horas de molho encaixada nas pedras do rio - e olha que era mês de julho, kkkk, adolescente não sente frio, imagina se eu faria isso agora, kkkk. Sem medo de sapos, aranhas ou cobras d'água.

[o que torna uma vida um evento especial?]

A noite foi chegando e em algum momento fomos para a varandinha. As lamparinas foram apagadas e restou o breu, o barulho do rio e uma lua tênue refletindo na água. A ausência de rádio e tv propiciou a conversa alegre e solta em torno do rio. Tia C. tem aquele tipo de humor sagaz que faz qualquer um rir e se encantar. Tia V. tinha a leveza de uma jovem sonhadora aos 40 anos.

Entre os risos de doer as bochechas começamos a ver inúmeras luzes... vaga-lumes surgiam de todos os lados e traziam um espetáculo à parte, foi fascinante. Nunca vi tantos ao mesmo tempo, foi como se estrelas estivessem ao alcance das mãos... teriam menos vaga-lumes na cidade ou nós que não conseguimos enxergá-los?

[olhos felizes são vaga-lumes]

Alguns momentos depois sentamos nas pedras na beira do rio e ali ficamos, em silêncio, contemplando. Lembro-me da silhueta delas e das árvores iluminadas pela lua. Lembro-me do barulhinho da água e da grande sensação de alegria e gratidão que tive por ter a oportunidade de estar ali, feliz com tão pouco... Sou uma pessoa tão fácil de fazer feliz que chega a ser bobo, kkkk. Só não tenho ainda certeza se essa é uma qualidade ou um defeito. :p

Talvez era o que Herbert Vianna procurava em sua música "Quase um segundo"... "eu queria ver no escuro do mundo... onde está tudo o que você quer..."  Temos a cultura de viver sob a luz artificial da lâmpada, que limita o foco... oferecer vaga-lumes pode ser a resposta, se o outro souber enxergar. :)

[que acontecimento vaga-lume marcou sua vida especialmente?]


Eu apoio!




50 comentários:

  1. Boa tarde minha linda.. que saudade!
    Saudade de você, do seu cantinho, dos seus textos lindos que nos levam a viajar.
    Já passei pela sua cozinha, me deliciei com aquele doce de banana.. Hummmm
    Adoro!!

    Vaga lume lembra minha infância, férias na chácara da minha vó... brincadeiras.. comidas deliciosas que só avós sabem fazer rsr

    Amei te visitar..
    Beijinhos

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    1. Olá, Sheila! Puxa, saudades de você também! Tenho ido pouco ao Culinária, preciso adicioná-la aqui para visitá-la mais vezes.
      Doce de banana é tudo de bom... estou com umas maduras aqui em casa, mas acho que amanhã virarão uma torta! :)
      Tive a felicidade de conviver com avós e tias na infância que marcaram minha vida positivamente. Fiquei feliz po ter despertado em você boas lembranças! Um abraço!

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  2. Que lindo te ler e ver tuas recordações! Era tão lindo vê-los e era tão comum. Hoje, tá difícil, tudo muito iluminado e até quando na praia estamos, andando pelas ruas escuras, os vemos, mas bem menos! Pena! bjs, lindo fds! chica

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    1. Oi, Chica!
      Como fico na altura da árvore na janela às vezes, quando apago as luzes da casa, consigo enxergar alguns, que chegam a entrar em casa. Mas outro espetáculo daqueles, acho que só mesmo na serra... sempre achei que os vaga-lumes tem algo de mágico,produzindo luz a partir da sua própria natureza. Também nós produzimos luz, quando estamos felizes! :)
      Um abraço!

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  3. Oi Bia,

    Que delícia de texto, relembrar momentos como esse, e principalmente ter vivido momentos assim nao tem preço...

    Os vagas- lumes também fizeram parte da minha vida, relembro com saudade...

    Abçs

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    1. Oi Vanessa, como sempre digo, é bom lembrar do que é bom, não é mesmo? Um abraço!

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  4. Olá, Bia.

    Vivemos entorpecidos entre tantas "necessidades" tão desnecessárias, que quando descobrimos a poesia da simplicidade, nos permitimos o encantamento das pequenas coisas. Admirar uma "constelação" de vaga-lumes não tem preço.

    Um abração e um bom fim de semana.

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    1. Olá, Apon!
      Acredito que essas necessidades desnecessários nos são importas sutilmente pela sociedade e quando nos damos conta, estamos cegos...
      Sempre é tempo de resgatar a contemplação do simples, que permite conservar a sensibilidade e até uma certa ingenuidade.
      Um abraço!

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  5. Os vaga-lumes sempre me encantaram. Na fazenda, quando criança, prendia-os num vidro, para a minha satisfação. Agora, já bem senhora não os vejo mais. Casas e mais casas acabraram com os terrenos onde eles apareciam! Lindo isso que vc postou! Grande abraço!

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    1. Oi, Maria!
      Também já cheguei a prender alguns nos vidros, mas soltava logo em seguida, para que o encanto não se perdesse.
      Eles ainda existem, assim como a possibilidade da felicidade completa, quando há a permissão de apagar a luz ilusória da superficialidade.
      Um abraço!

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  6. Um texto muito bonito.
    Um acontecimento vaga-lume na minha vida? Pois o nascimento da netinha.
    Um abraço e bom fim de semama

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    1. Olá, Elvira!
      Ah, nascimentos são sempre um acontecimento incrível! Eu teria mais um filho, seria mágico sentir essa emoção, mas o futuro a Deus pertence.
      Um abraço!

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  7. Bia, um texto perfeito!
    Eu sou menina de roça, e sabe revivi a minha infância nessa sua prosa aí. Nem ler à noite a gente podia, pois lamparina não tem luz suficiente, e aí todo mundo vai pra fora, ver a lua majestosa no céu, os vaga-lumes que encantam o espaço e as conversas tão versáteis que a gente passa do riso ao pranto. Aquelas histórias de onças, cobras e outros bichos, fazem a gente olhar bem debaixo da cama antes de repousar a cabeça no travesseiro macio de pena!
    bjkas doces e bom fim de semana!

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    1. Oi, Marly!
      Puxa, que alegria fazê-la reviver a infância! Parece que desligavam a luz cedo para não sobrecarregar a centrla, de estrutura precária. Outra ceno que lembro era da grande chaleira preta fervendo no fogão simples para liberar um cheirinho de café gostoso. Talvez por isso eu goste tanto de passar café fresquinho.
      Imaginei a cena de você olhando embaixo da cama, hahaha. Eu sempre tive pavor de aranhas, reflexo de um filme que havia quando eu era criança.
      Um abraço!

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  8. OI BIA!
    CADA VEZ QUE AQUI VENHO, CONSIGO VIAJAR COM A BELEZA E LEVEZA DE TEUS ESCRITOS E SEMPRE ME IDENTIFICO COM ELES E ISSO É MUITO BOM PARA MIM.
    ABRÇS AMIGA.
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Zilani, que bom que gostou! :D É bom saber que fazemos bem através de escritos. Um abraço!

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  9. Oi, Bia!
    Também não preciso de muito para ser feliz. Só preciso estar com pessoas que não fazem tempestade em copo d'água para que eu possa exercer a minha paz! Paz para mim é sinônimo de felicidade.
    Teve um momento sim que eu fui bem feliz, mas como é de praxe, não soube reconhecer no momento. Talvez a nossa memória refine o que devíamos fazer no momento do acontecimento e nos faça apenas lembrar do bom. Escrevi um texto falando desse momento, mas esse momento está em apenas um parágrafo.
    Bom ter momentos felizes na lembrança, pois deles podemos nos basear para saber o que nos faz feliz e até provar para nós mesmos que somos capazes de sentir a tal felicidade. As crianças são puras para os sentimentos, que a felicidade pode estar em um mordida de pão com margarina (rs*)
    Bom fim de semana!
    Beijus,

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    1. Olá, Luma! Não costumo fazer tempestade em copo d'água, a não ser que eu esteja em uma fase de insegurança ou fragilidade (nesse momento, só um pouquinho). Gosto de ajudar os outros a perceberem que tempestades passam.
      Acredito que a vida em sua generosidade sempre dá uma segunda chance para a felicidade - e quando isso acontecer, não deixe de saber reconhecer e capturar essa chance antes que lhe escape. Você tem um coração enorme e merece da vida o melhor. :)
      Tem razão, os momentos felizes nos trazem algo como a medida da felicidade, o quanto podemos sorver da vida... e mais do que provar a nós mesmos o quanto podemos estar felizes, precisamos acreditar que merecemos, para permitir.
      Eu aprendo muito com meus alunos, crianças parecem ver a vida com outras lentes.
      Um abraço!

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  10. Boa tarde querida Bia..
    guardo em mente muitas coisas.. entre elas o sair pelas noites pegando vag-lumes e os guardar em caixinhas de fósforo..
    do nada eles haviam sumido..
    pude ver de dois anos para cá eles voltando.. ainda bem..
    o homem e sua busca frenética por coisas e mais coisas afugenta toda a vida que tem ao seu redor não é..
    gostei disso..
    estar com quem gostamos e aprendermos muito..
    tive poucas pessoas assim mas pude captar meu melhor assim como vc..
    abração e até sempre..

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    1. Olá, Samuel!
      Ler o que escreveu me fez pensar que hoje em dia são duas coisas que rarearam: vaga-lumes e caixinhas de fósforo, kkkk!
      Sempre fui uma menina muito simples e educada para não reclamar nem incomodar, kkkk, então meus tios, avós, sempre me carregavam para todo lado. Tive a sorte de conviver com vários e ter bons momentos como esse para lembrar.
      O importante não é tanto a quantidade de pessoas que passam em nossa vida, mas essa capacidade de captar o nosso melhor nos momentos, de estar com pessoas que viabilizem isso, como bem lembrou.
      Um abraço!

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  11. Olá Bia,

    Seu texto me remeteu a épocas felizes da minha infância e adolescência. O barulho do mundo já não nos permite momentos de tanta leveza. Se os desejamos, temos que nos valer dos períodos de férias ou de finais de semana, procurando lugares especiais e contemplativos. O brilho que oferece as coisas materiais realmente limita o nosso foco e deixamos de enxergar a beleza que há na simplicidade e o bem estar que ela nos proporciona. Lembro-me demais dos vaga-lumes, que há dezenas de anos não vejo. Adorava correr atrás deles para tentar pegá-los com as mãos, mas eles eram mais espertos, pois apagavam suas luzes e minhas mão se perdiam no vazio. Bons e saudosos tempos!
    Ter a capacidade de fazer os outros felizes é qualidade de almas iluminadas e sempre valerá à pena, ainda que não haja retorno à altura. Fazer a felicidade de alguém já é por si só fonte de alegria.
    Importante o alerta da campanha 'Novembro Azul'. Graças a Deus, meu marido visita anualmente o médico para prevenir-se. Vou até questionar o meu irmão a respeito para saber se ele está em dia com seus exames.
    Deliciosa postagem.
    Ótimo final de semana.

    Beijo.

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    1. Olá, Vera!
      "O barulho do mundo já não nos permite momentos de tanta leveza." ah, que frase bem explicativa! É preciso de fato oportunizar o silêncio do mundo para que a leveza se instale. Vivo com dor nos ombros e me parece um indício do quanto parecemos carregar os pesos nas costas! :p
      Tem razão, os danadinhos dos vaga-lumes se apagam e somem com a mesma mágica com que acendem, hahaha.O material tem seu lado bom, do conforto, da oportunidade de realizar, por exemplo, uma viagem, mas de fato não pode ser o objetivo primordial da vida o tempo todo, por trazer uma satisfação efêmera.
      Gosto muito de fazer as pessoas que amo felizes, é algo tão importante para mim quanto minha própria felicidade. Eu não saberia ser feliz pensando somente na minha satisfação.
      Seu marido faz bem em superar as barreiras do preconceito e se cuidar!
      Um abraço!

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  12. Bia, ficou lindo seu texto, que nos mostra a beleza reinante na simplicidade rica da natureza. E naquela que permite o contato humano maravilhoso, que com o tempo e o progresso se distancia de nós. Seu momento especial foi percebido no instante em que o viveu e não apenas na memória da saudade, o que o torna ainda mais valioso. Que nunca faltem vaga-lumes nos instantes aparentemente sem luz de sua vida. Bjs.

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    1. Olá, Marilene!
      Vejo que resumiu bem dois pontos importantes das minhas divagações: natureza e contato humano. Na natureza conseguimos perceber a grandiosidade da vida que nos chega de graça todos os dias, e no contato humano, aquele calcado em sentimentos espontâneos e verdadeiros, sentimos alegria, aconchego e calor. Ambos renovam a vontade de viver.
      Obrigada por me oferecer vaga-lumes! :) Um exército deles como estoque para nós, Marilene.
      Um abraço!

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  13. Bia, teu PEDACINHO ficou lindo lá! Obrigadão! bjs,chica

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    1. Olá, Chica! Gosto muito da sua ideia do pedacinho! :) Interessante ver como surgem diversas interpretações! Um abraço!

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  14. Os vaga-lemes ficam acendendo e apagando nossas lembranças entorno do riachinho cantador! abraços

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    1. É doce sua visão, Ives, de vaga-lumes que alumiam nossas memórias... um abraço!

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  15. Bia, delicioso texto. Quando criança vi muitos vaga-lumes, hoje, infelizmente, não mais. As luzes da cidade não deixam. Me fez recordar doces momentos lendo seu texto agora. Um beijo no seu coração, minha querida.

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    1. Olá, Paulo! Recordar coisas boas mostra que o passado também merece seu crédito, embora não se deva viver nele. Um abraço!

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  16. Olá,Bia,
    Com certeza, é uma belíssima qualidade. As pessoas felizes tem uma visão positiva da vida e permanecem em paz com elas mesmas, por isso a facilidade , a sua , em ser feliz e a dos outros,em fazê la feliz...enfim, as pessoas felizes o são porque se fazem felizes...
    o que torna uma vida um evento especial?> Aproveitar ao máximo cada segundo, de cada fase da vida , pois cada momento é único e esse privilégio nunca mais poderá se repetir...
    é verdade, a ausência de rádio e tv nos propiciava alcançar resultados afetivos e efetivos nas conversas.. .
    teriam menos vaga-lumes na cidade ou nós que não conseguimos enxergá-los?> Nesse mundo tão agitado e corrido, entre essa correria desenfreada, temos que resgatar antigos valores que estão há algum tempo esquecido em nossas memórias, parar de enxergar o mundo em branco e preto, parar de filtrar as emoções, ouvir mais nossos corações e com certeza enxergaremos uma imensa quantidade de vaga-lumes...
    Abraços à tia V. e Tia C. e Novembro azul, meu apoio!
    Obrigado pelo carinho, belos dias,beijos!

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    1. Olá, Felis!
      Tem razão, buscar uma visão positiva ajuda bastante, e tem um pouco a ver com hábito. Nem todo mundo é de ferro, kkkk, tem dias que fica difííícil enxergar oq eu é bom, mas com um pouco de insistência, é possível.
      Obrigada por responder minhas perguntas! :)
      Se tem alguém que tem o tempo todo o afã de querer viver a vida totalmente sou eu... e se eu puder levo quem quiser vir comigo!
      Achei muito interessante em seu ponto de vista a colocação do "filtrar emoções"... sinto falta de sentir nas pessoas esses desvelar, se mostrar, sem medo ou reservas excessivas, penso que viver a vida como se estivéssemos pisando em ovos é limitante... sei que o que faz brilhar pode estar ligado à quebra de barreiras defensivas que vamos construindo por medo de sofrer... são dois lados de uma moeda: ouvir mais o coração e correr o risco, ou fechar o coração e deixar de ver/ser vaga-lume.
      Tia V. partiu há uns 10 anos, com 60 anos, após morar um bom tempo em uma comunidade fiantrópica - eu era muito apegada à ela e me fez muuita falta em um período delicado que vivi na adolescência, À Tia C. obrigada pelos abraços. Ambas sempre muito especiais em minha memória. Abraço!

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  17. Oi Bia! Acho que os acontecimentos mais simples como o aparecimento de vaga-lumes nos trazem um sentimento de completude. Quando as coisas são simples, tudo é mais feliz.
    Bjos!
    http://amonailart.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Val! Hoje quando saí para dar uma volta com meu cachorro me vi percebendo as folhas caindo lentamente das árvores, distinguindo o canto dos passarinhos em cada árvore, me senti tão bem, tão grata pela vida... e fiquei pensando quantas pessoas deixam de perceber tudo isso todos os dias. Um abraço!

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  18. Oi Bia,

    Respondendo sua pergunta: A pessoa sabe que você quer tornar a vida dele (a) especial? Essa pessoa deseja suas especialidades? As vezes a gente quer mudar a vida das pessoas, só que estas simplesmente não querem. Insistir é perda de tempo.

    Pode ter certeza, você é um tremendo vaga-lume para muita gente. Só tem um porém: devido a sua luz, os vaga-lumes, tornam-se presas fáceis, principalmente para corujas e sapos. Cuide-se. Abração.

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    1. Olá, Nestor!
      Considero pertinente suas perguntas e como você penso que oferecer o que não se deseja, além de ser perda de tempo, é chato, se fosse o caso, eu gostaria de saber. Acredito que não é o caso, já fui vítima de corujas e sapos e sei o quanto pode ser devastador. Senti um traço de preocupação comigo e agradeço, mais uma vez a sensação de ter por perto um irmão. :)
      Talvez um dos meus maiores medos seja perder a luz, ou perder o desejo de buscá-la, torço sempre para que isso não aconteça.Sei o que é viver sem luz, é muuuuito duro.
      Um abraço!

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  19. oi Bia, também queria saber como tornar especial, a vida de uma pessoa. Porque tem momentos que vivemos que são tão mágicos e valiosos e tempos depois relembramos e percebemos como foi espontâneo e natural, emocionante e precioso. Talvez a resposta seja essa - espontaneidade e pureza de coração.

    Lembro de um acontecimento vaga-lume que me fazia dormir com um sorriso no rosto - as conversas com meu pai enquanto olhávamos o céu. Eu queria saber porque a lua andava e ele com seu jeito simples de homem do interior tentava me explicar. Não entendia nada do que ele dizia e continuava na dúvida, mas achava lindo ele tentar me falar sobre a lua, estrelas e infinito.

    Suas lembranças me fizeram lembrar das minhas. E eu sorri outra vez. Obrigada por isso.

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    1. Oi, Rosa!
      Adoreeei sua resposta! :))) Sim, concordo contigo, espontaneidade torna tudo mais verdadeiro e mágico. Hoje percebo que quando estou perto de quem amo não consigo não ser eu mesma, e acredito que isso faz parte da vontade de tornar a vida do outro especial - o grau de conforto, a sensação de "casa" que se sente quando se está perto dessa pessoal é o que a torna tão especial.
      Também eu sorri com sua lembrança e também fazia inúmeras perguntas ao meu pai e nutria essa admiração. É interessante como temos a sensação de que eles sabem tudo, não é mesmo?
      Um abraço, obrigada pelo carinho.

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  20. Boa noite Bia, adorei a sua historia sobre os vaga-lumes! O texto está muito bem escrito, como sempre, mas gostei especialmente dos pormenores literários com que foi recortando o desenvolvimento do mesmo!
    A sua tia devia ser o máximo! Boa camarada!
    Os vaga-lumes a mim e apesar da minha idade fizeram-me regressar aos meus tempos de criança para a rua que mais me marcou e que ainda hoje guardo no meu coração!
    A rua dos meus avós maternos!
    Quando à noitinha de regresso a casa, depois do serão passado na casa deles (tenho um escrito para minha avó no meu canto) era bem escurinho (ainda não havia lá iluminação nas ruas) , os vaga/lumes ladeavam-na e era a rua mais bonita do mundo!
    E nessa rua moraram as pessoas que ainda hoje me fazem lacrimejar de saudade, como está a acontecer neste momento!
    Muito obrigada pelo tema! Adorei.
    Beijinhos,
    Ailime

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    1. Olá, Ailime! Minhas tias, figuras especiais, inteligentes e bem humoradas. Tia V. foi praticamente uma segunda mãe para mim, Tia C. vi poucas vezes, mas em todas as ocasiões seu humor era uma marca indelével.
      Eu lembro da rua da minha avó materna e do meu avô paterno. Curioso, ler você me fez pensar como infância com avós estão atrelados a lembranças de rua, da sensação de liberdade.
      Que lembrança doce, pude me transportar para a ruazinha iluminada por vaga-lumes... se as lágrimas foram daquele tipo de saudade boa, então está valendo! :)
      Um abraço!

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  21. Que agradáveis recordações, Bia. E nunca a facilidade de ser feliz pode ser considerada um defeito. Talvez uma ingenuidade boa. Adorei ler. Bjs e boa semana.

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    1. Olá, Sérgio. Obrigada pelo carinho na resposta. Um abraço!

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  22. Eu sou tão encantada com vaga-lume Bia! Tenho muita vontade de escrever um texto sobre. Acho mesmo que um cenário, um dia bucólico como esse pode trazer luz à nossa vida. E acredito que deveríamos contemplar momentos simples como esse, com mais frequência. Como você disse "a simplicidade de ser feliz".
    Adorei, especialmente, a última frase do texto.

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    1. Olá, B.! Eu gostaria muito de ler um texto seu sobre o tema. Apesar de simples acho fantástica a química que produz luz no vaga-lume. Um abraço!

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  23. Quem sabe enxergar o simples num mundo cheio de luzes é capaz de saber onde estão os vaga-lumes...
    Que texto mais gostoso de se ler, Bia...
    Não saberia lhe contar quando fiz ou quem me fez feliz com a luz do vaga-lume.. que pena, não me lembro. Acho que sou muito sonhadora e vejo vaga-lumes em todas as partes e transformo tudo em conto, deve ser isso.
    Beijos!!!!

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    1. Oi, Clara! Que bom ter gostado. Também sou sonhadora, tendo plena consciência de que nem todos os sonhos se realizarão, mas os que se realizarem valerão a pena. Você transforma os sonhos em conto... em não costumo ler ou assistir muitos romances por já ter romance o suficiente na cabeça e no coração, hahaha. Um abraço!

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  24. Bia,

    Viajei no tempo, até o meu tempo! Suspirei.

    Hoje em dia, nas cidades grandes, é praticamente impossivel ver vagalumes. Dizem que a poluição é uma das causas. Eu sei que sinto falta de ver tambem libélulas e borboletas. Acho que minha filha nunca viu uma libélula.

    Eu tambem costumava ir numa fazenda e tambem na casa de uns amigos que ambos tinham cachoeiras. Puxa, entrava naquilo ultra frio sem dar um pio. Hoje, acho que só entra o dedão do pé! hahahahahh

    Amei!

    Beijios

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    1. Oi, Sissym! :)
      Sempre achei libélulas bizarras e incríveis, por sua fragilidade e forma. Aqui ainda vemos libélulas, nuvens até, dependendo da estação do ano. Borboleta acho que diminuíram, e eu acho tão lindas!
      kkkkkk, Gosto de ir à praia e molhar os pés na água até hoje, mas entrar de corpo inteiro no frio, acho que não, kkkk! Imagine só cachoeira!!!
      Fiquei feliz por ter despertado em você boas lembranças!
      Um abraço!

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  25. Bia,

    Acredito que pra tornar a vida de alguém especial, só mesmo uma pessoa especial pra conseguir isso.
    Isso me fez refletir a forma com que as pessoas se acham donas das outras, e as tentam mudar. Isso sufoca e maltrata.
    Tenho muitas lembranças de momentos que vi vaga-lumes. E, enquanto lia a sua narração, me transportei pro tempo da infância, adolescência e até na fase adulta, onde vivi momentos parecidos com os seus.
    Acho que os vaga-lumes não gostam das cidades. Eles moram bem afastados. Se fosse eles, nunca sairia de lá. Risos
    Beijos

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    1. Olá, Lucinha!
      Há pessoas especiais que não são reconhecidas como tal, e especiais que não imaginam o quanto são... e com isso suas especialidades vão sendo desperdiçadas ou desvalorizadas.
      Tentar mudar o outro é uma espécie de violência, só a própria pessoa tem o direito de mudar se desejar ou sentir necessidade. Procuro aceitar e compreender as características das pessoas que amo, énso que isso reflete amor verdadeiro.
      Fiquei imaginando se na mata ainda há shows de vaga-lumes como o que presenciei... e fiquei feliz por saber que tem vários momentos vaga-lumes guardados na memória. Que venham ainda muitos outros.
      Um abraço!

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