sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Filosofias distintas: contraditórias ou complementares? (parte 1)

imagem daqui

"Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência.

Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e  berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:
— Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço! Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.
— Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem.
E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?"

Jostein Gaarder - O mundo de sofia

imagem daqui


(Após uma tempestade)
"A fazenda Monte Belo cumpria mais uma jornada. Algumas lágrimas do céu ainda percorriam o contorno dos corpos das aves. Os bem-te-vis, os primeiros a despertar, tinham motivos irrefutáveis para emudecer, se enraivecer, protestar contra a cruel natureza. Ninhos derrubados, seus filhotes silenciariam o chilrear. Mas, com magia inexprimível, homenageavam a vida, cantarolavam com vigor, revelando uma transcendência e uma resiliência inexplicáveis. As rolas salpicavam sons sem alternâncias de notas, mas não menos arrebatadores do que os pássaros gorjeadores. As andorinhas, como acrobatas dos céus, felizes, viraram a página da noite aterrorizante, serpenteando performances com rara envergadura.
Não pensar tem seus privilégios: cada dia é um novo show."

Augusto Cury - Armadilhas da mente

Dividi em duas partes para não ficar extenso e cansativo. A parte 2, minhas divagações sobre esses interessantes e distintos pontos de vista, está escrita e será publicada em breve. Enquanto isso, que tal pensar fora da caixa? Filosofia do coelho ou do pássaro?  #mesurpreenda ;)


21 comentários:

  1. Olá, querida Bia
    Creio que vou comentar em duas etapas... to com sono mas, da primeira, recorto:

    Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.
    (É assim que acontece e muito...)

    Bjm fraterno

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    1. Voltei pra segunda etapa: As andorinhas, como acrobatas dos céus, felizes, viraram a página da noite aterrorizante, serpenteando performances com rara envergadura.
      Isso é lindo modo de ser!!!
      Bjm fraterno e ótimo Domingo!

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    2. Olá, Rosélia!
      Obrigada pela disponibilidade de voltar para complementar sua resposta! :)
      Não gosto de gritarias, nem para discutir sirvo, kkk... mas essa, dos filósofos, é aquela que fala à alma. Merece crédito, não?
      Gosto muito da simplicidade alegre dos passarinhos... perseguir sua alegria, seu voo, sua capacidade de adaptação... primordialmente sem nos perdermos de quem somos.
      Um abraço!

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  2. Que lindo textos trouxestes e gostei do canto à vida! bjs, chica

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    1. Obrigada pelo carinho, Chica. Cantemos! :) Um abraço!

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  3. Legal Bia vou ler depois a segunda parte
    e dar uma opinião mas gostei por egto e com
    certeza cada dia é um novo Showwwwww

    Bjuss de bom final de semana

    └──●► *Rita!!

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    1. Olá, Rita! Certa vez vi numa palestra que devemos pensar, "hoje vou para mais um presente de dia" em vez de pensar "vou para mais uma luta". Faz toda a diferença, mas nem sempre é fácil, especialmente em dias de cansaço, hahaha.
      Um abraço!

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  4. Olá, Bia
    Bom tudo para nós.
    O que trazemos na memória, da velha infância ?
    Também, não sei.
    Portanto estou cá, para desejar um dia agradável, refletindo que, a maior obra do Criador, é você.
    Um abraço.

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    1. Olá, José!
      Tenho pensando muito na infância e lembrado episódios que há muito estavam esquecidos. Gostaria de compreender porquê isso está acontecendo nesse momento, visto que passei anos sem lembrar... fuga? sensibilidade extra? saudade? ... de qualquer forma, o sentimento é alegre e reconfortante.
      Um abraço!

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  5. Oi Bia querida

    Um texto pra pensar e refletir...
    Será que nos acomodamos tanto com as situações que muitas vezes a vida nos impõe, que na maioria delas não temos atitudes para mudar ou mesmo para enxergar que estamos na mesmice???
    Profundo isso né....

    Beijos
    Ani

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    1. Oi, Ani, como vai?
      É profundo mesmo... e instiga a uma busca pessoal. Já passei por fases em que não conseguia enxergar a pequenez de minha realidade, ou acreditava que era o que merecia... poucas das coisas da vida são de fato impostas, em geral as imposições são mais internas, o que torna um grande desafio superá-las.
      Um abraço!

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  6. A aceitação do pássaro não significa ausência do pensar, mas conhecimento dos efeitos da natureza, com os quais convivem, naturalmente. Se assim caminhássemos, não nos assustaríamos tanto e não temeríamos, mantendo o canto, mesmo nas tempestades.
    Há quem aceite tudo que ouve e se acomoda na mesmice, sem questionamentos. E há os que sabem que os limites não estão ali, na pequenez, e que é preciso sair do casulo e descobrir novos caminhos. Creio que os filósofos o fazem, apresentando visões diferenciadas do conhecido, objetos de sua constante busca do saber. Bjs.

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    1. Oi, Marilene!
      Ah, que beleza quando a alma chega no ponto de cantar mesmo nas tempestades! Até consigo, mas depois acabo me sentindo exausta. Acredito que essa beleza da constância do passarinho é uma das minhas metas como ser humano, alegria sempre. Nada fácil, kkkk.
      Há certa beleza na mesmice, desde que se esteja em uma condição de plenitude e felicidade. Nesse caso doses pontuais de visões diferenciadas são suficientes. Porém, quando os questionamentos são recorrentes, é hora de alargar horizontes, sem medo.
      Um abraço!

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  7. Oi Bia

    Eu sabia que era meio pássaro meio gente, mas não sabia exatamente porque,agora sei!

    Beijos

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    1. :D E tenho certeza que vez por outra galopa na ponta dos pêlos do coelho! :) Um abraço!

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  8. Bem, acabei lendo a segunda antes da primeira, mas não afetou tanto assim a ordem. Gostei das reflexões, Bia. bj

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    1. Gosto quando encontro escritos que me fazem pensar... que bom que gostou, um abraço!

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  9. Olá Bia, como vai?
    Sabe que tenho algum pena em não ter prosseguido meus estudos para ler e aprender com os filósofos!
    O pouco que entendo da linguagem deles é que estão sempre à procura do entendimento e de o transmitirem a nós que continuamos a não lhes dar ouvidos! Será? assim!
    (O mundo de Sofia que tenho ali e não li;))! Ainda estou a tempo e necessito!
    Por outro lado o segundo texto me parece falar do oposto! Brincar, viver a vida sem muitos problemas como as aves que esvoaçam pelos céus! A liberdade de não pensar também será um forma de conhecimento que nos apazigua!
    Que tal me portei? Passaria no exame? rsrrsrs!
    Beijinhos!
    Ailime
    Será?

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    1. Olá, Ailime!
      Sim, passaria no exame, kkkk!
      O primeiro mostra que o pensar pode ser libertador, e o segundo, o não pensar... contraditório, não?
      Talvez o que eu não tenha conseguido deixar claro no outro post é que ambos são importantes e produtivos, desde que usados no momento certo, na dose certa!
      Há o momento do pensar para se chegar à uma conclusão que leve a atitudes que direcionem à satisfação pessoal, há o momento do não pensar e simplesmente viver para trazer leveza à vida...
      Claro que nem sempre acertamos em usar um ou outro, kkkk... e calro que sei que essas são apenas mais algumas das minhas teorias malucas, kkkk.
      O importante é que funcione, não é mesmo?
      O mundo de Sofia certamente levarei um tempão para ler, por ter mais de 900 páginas e ser muito denso... é preciso ser lido em dias tranquilos mentalmente.
      Um abraço!

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  10. Há tanta coisa, que perdemos depois de nos tornarmos adultos, com tanta informações úteis e não úteis entramos em colapso, sem saber de fato o que é bom ou ruim. bj

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    1. Gélia, faz sentido... talvez precisemos desenvolver um sistema de filtragem de informações que nos ajude a identificar e guardar somente o que nos faz bem. Um abraço, bom vê-la por aqui!

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