sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A miss e a caixa do forro

Esses dias meu pai trouxe uma caixa de papelão escrita meu nome. Estava guardada com meus pertences de quando saí pela terceira vez de casa, há quase oito anos. Não entendi sua atitude, visto que moram num sobrado grande e a caixa estava no forro - onde sonhei um dia construir uma espécie de castelo. Recebi a caixa com um sorriso, não entendi mas achei irrelevante questioná-lo. Tudo bem.


A caixa está fechada até agora. Despertou-me uma sensação curiosa e nova... é como se abri-la  representasse uma ruptura definitiva com a casa, ou como se meu pedacinho que ainda estava lá tivesse ido embora. Não se iludam, sempre quis ter meu canto, não aceitei retornar quando me separei, gosto muito mais de estar onde estou... talvez a caixa represente uma ligação infantil, que foi-se embora há muito tempo, o que é bom.

E que bom que lembranças existem. Esses dias contei para minha filha que já fui Miss... pois é, quando eu tinha 12 anos estava passando férias na kitinete que minha tia V tinha na praia quando umas meninas nessa idade bateram na porta e perguntaram se eu não queria concorrer a Miss Gaivotas, nome do balneário onde estávamos. Perguntei para minha mãe se podia, que não se opôs, e lá fui eu no dia combinado...

Eram sete meninas. Haviam arrumado a piscina do lugar com passarela, música e flores. De repente comecei a me sentir nervosa e ridícula, afinal, estava naquela fase de transformação e meu corpo  parecia um "pau de virar tripa", com os cabelos armados e ressecados pelo sol e mar e os dentes muito tortos que só conheceriam um aparelho ortodôntico três anos depois. Chance zero.

Quando me chamaram desfilei correndo de vergonha ao som de "Chuva de prata", de Wando, pensando, "o que estou fazendo aqui?". Para finalizar o mico - e piorar - cantamos "Fogo e paixão" no microfone. É. Quando o resultado saiu, fui a segunda a ser chamada, ou seja, o 6º lugar, e me deram uma faixa escrito "Miss dengosa". Quis engolir a faixa, pois na época era educada demais para imaginar que gostaria mesmo é que colocassem "naquele lugar", kkkkk!

Mas ah!!! Lembro-me da decepção e que preferia ter sido a "Miss Charmosa", que havia sido a última colocada, pois achava que ser charmosa era melhor que ser dengosa!!! kkkkk... as primeiras colocadas mereciam ganhar porque já tinham o corpo em cima, foi uma concorrência desleal, que a minha já frágil estima encarou com um soco de esquerda, kkkk! Passei anos sem suportar ouvir Wando, kkkk!

Mas guardei  aquela faixa por um bom tempo... penso que o episódio colaborou para fomentar meus conflitos internos com a aparência, mas hoje, do alto da minha personalidade ultra segura (#mentira, kkkk) vejo com bom humor que valeu a pena. É muito bom olhar para trás e perceber que se teve história, teve vida, mesmo que os momentos não tenham saído como gostaríamos. Assim como devem ser boas as lembranças guardadas naquela caixa que está ali, à minha esquerda, e que vou abri-la agora com carinho e com o bom humor que os anos trouxeram e que aliás, deveria fazer parte como matéria obrigatória do currículo escolar do Ensino Fundamental!




E você, qual mico passou na adolescência que lembra até hoje?


45 comentários:

  1. KKKKKKKK Bia, olha que eu ainda tô com 18 e ao ler seu texto me lembrei exatamente da época em que tinha 12 e vivia choramingando pelos cantos, comparando o meu corpinho tão minúsculo com o das minhas coleguinhas. Consegui superar, e é claro que a porcentagem que sempre me falta é preenchida com muitos crescimentos internos. Uma coisa leva à outra e esses conflitos infantis me fizeram crescer bem rápido como pessoa.
    E como é boa esse tipo de nostalgia, mesmo que os momentos que vivemos não tenham sido os melhores, como você disse...
    Beijão!

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    1. Olá, Lúria!
      Destacou outro ponto com o qual me identifiquei: possivelmente os conflitos também me fizeram crescer depressa. É curioso, fui uma criança muito fantasiosa, bem menininha mesmo, e diante dos conflitos - ignorados pelos próximos - pulei de repente para o amadurecimento. O que tem seu lado bom, mas parece sempre ter deixado uma frágil lacuna que precisa de atenção contante para não aflorar.
      O que não ofusca os momentos curiosos que passamos, kkk!
      Um abraço!

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  2. Rssss...Miss Dengosa foi demais! Adorei!! Só tu!!E a caixa,ainda não abriste?

    bjspraianos,lindo fds!chica

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    1. Oi, Chica! Abri sim a caixa... tinha cadernos, fotos, cartões e pilhas de agenda. Já escrevia muito desde aquele tempo, e muito em códigos também, kkk. Ótimas lembranças. Um abraço!

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  3. Tenho muitas lembranças da infância mas se eu entendo o significado de mico, só me lembro de uma coisa.Eu tinha 9 anos e andava na 3ª classe. Era muito ingénua, morava num casebre junto ao rio, na Seca de bacalhau, e não sabia que as mulheres menstruavam todos os meses. Naquela época os adultos escondiam tudo das crianças. Eu menstruei muito cedo. Exactamente em Novembro de 56 dois meses depois de ter feito 9 anos. Foi no recreio da escola que senti uma coisa nas pernas passei a mão e estava cheia de sangue. desatei num berreiro que não me calava. As outras crianças perguntavam o que se passava e eu berrava que ia morrer tinha rebentado. Convém explicar que uns meses antes um vizinho tinha morrido com um AVC hemorrágico, mas as pessoas nessa altura não sabiam sequer o que isso era e dizia simplesmente que o homem morrera porque tinha rebentado uma veia na cabeça. Eu associei esse caso ao que me acontecia e pensava que me tinha rebentado uma veia na barriga. Os colegas foram chamar a professora que me levou para a casa de banho e me disse sem mais explicações que me calasse, que aquilo acontecia todos os meses às mulheres e que ia mandar chamar a minha mãe. Em casa a minha mãe também não me deu grandes explicações, não me levou ao médico e tudo ficou por ali. Anos mais tarde tive que tirar um adenoma bastante grande que segundo o exame patológico, tinha tantos anos como eu. E o médico disse-me que quando uma criança menstrua aos 9 anos, salvo raras excepções, existe problemas com o seu aparelho reprodutivo.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Oi, Elvira!
      Nossa, que história! E de cunho informativo, afinal. Não sabia que mulheres que menstruam cedo tem indícios de algum problema, pensei que era uma questão genética somente.
      Ainda bem que hoje em dia grande parte das famílias explica essas questões às meninas... imagino o quanto deve ser traumático - tanto para a criança como para as outras - passar por uma situação dessas.
      Ainda bem que o tempo passa, e as coisas vão ganhando outras dimensões, não é mesmo?
      Um abraço, obrigada pela partilha!

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  4. Aaah que divertido!... Miss Dengosa já é muito bom! Eu nunca poderia ter sido miss, porque sou baixa e era um monte de ossos, no entanto o meu aspecto frágil nunca me fez ter complexos, e dediquei-me aos estudos e ao desporto com unhas e dentes...:-)
    Ah, e adorava cantar, só que a minha voz era de cana rachada. Adorava cantar a "Índia " de Gal Costa, e canções revolucionárias da altura.
    Essa caixa deve ter recordações fantásticas da tua adolescência!
    Bom fim de semana, Bia.
    xx

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    1. Oi, Laura! Também sou um monte de ossos, kkk, hoje em dia seria até o "padrão", mas há quase 30 anos atrás, kkk, não!
      Sábia atitude dedicar-se aos estudos e desportos... aprendi essas preciosas ferramentas há uns dois anos atrás, e penso ser um caminho seguro contra a fragilidade.
      Mais uma coisa em comum... sempre gostei de cantar, kkkk! Não esse repertório eclético como o seu, mas gostava de cantar. E não, não poderia ganhar dinheiro com isso, embora tenha sido locutora.
      A caixa trouxe mesmo ótims recordações...
      Um abraço!

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  5. Olá, Bia!
    Tenho pra ti uma frase de um poeta espanhol que gravei e a deixo certo de que ratifica o teu expressivo e franco texto: "Yo soy Yo y no me importa lo que digan".
    Abraço.

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    1. Ótima frase, Viviani... deveria fazer parte da cartilha da vida de todos. Autoconfiança ajuda muito! Um abraço!

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  6. Que texto lindo... Mesmo quando o passado é doloroso é bom lembrar, é bom saber que tenho história. Sim eu já paguei micos e sofri com alto estima fragilizada... mas a vida é cheia dessas coisas, viver essas coisas faz parte do processo, a medida que o tempo passa a gente vai percebendo que coisas boas e ruins acontecem com todos e vamos aprendendo a ri de nós mesmo...

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    1. Olá, Pandora!
      Se fôssemos completamente protegidos desses episódios de baixa estima, será que teríamos a oportunidade de amadurecer de fato? Penso como é complicado para os pais encontrar essa medida, de criar um criança que se tornará saudável, capaz de rir de si mesmo, ou frágil, sendo protegido ou desprotegido em demasia.
      Um abraço!

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  7. Bia vc me faz rir, e ser miss Dengosa ah é legal né
    não mas gostei de saber que já foi importante um dia
    la nos tempos de criança.......E a caixa abriu ou quer
    guardar as lembranças kkkkkkkk

    Bjuss de bom final de semana

    └──●► *Rita

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    1. Oi, Rita!
      Abri sim a caixa e grande parte das lembranças já foi compartilhada e guardada. Coisa boa! :) Um abraço!

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  8. Então comecei compartilhando no G+ assim:
    "Leiam Miss Dengosa hahahahah"
    I'm sorry, mas esta foi otima!

    Eu nunca concorri a nada nesta categoria, mas já fiz muitas interpretaçoes teatrais em casa. Eu morava numa casa muito grande. Nas ferias, praticamente todos fds, eu e a turminha da vizinhança ensaiávamos peças e (rsss) cobrávamos a entrada. Deveria ser centavos, porque não dava para nada. Contudo, até entendo, eu morria de vergonha de cobrar dos parentes. Vai que achavam um boa M... Na verdade, ficavam elogiando. Só uma das atrizes que ficava danada, minha querida prima Katia, porque chamavam ela de gordinha ou que era dura para dançar, ela ficava emburrada. A boa de samba era a outra prima, a Sonia. E eu não vou me auto-elogiar, mas fui parar nos palcos da cidade onde morava.

    Miss Dengosa, o filho do Wando é meu vizinho, gente boa, charmoso como o pai. Eu acho que ele não canta nada, nenhuma nota sequer.

    Beijinhos

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    1. Oi, Sissym! Você viu? Só pra mim, kkk!
      Que legal, faziam teatro??? E ainda cobravam? kkkkk!!! Belo incentivo quem pagou... fiquei ultra curiosa para saber oq eu encenou em sua cidade. Uma fadinha? :D
      No Magistério fizemos várias peças teatrais, para quebrar a timidez. Eu sempre acabava como indicada, mesmo sem me oferecer. :p Fui Branca de Neve, Emília (Sítio), fiz apresentações de dança... eu gostava, sempre tive a queda por tudo o que envolve arte e para mim, que já trabalhava muito na época, era como uma válvula de escape.
      Geeente, o filho do Wando é seu vizinho? Que mundo pequeno... já contei aqui que minha avó era encantada por ele, kkkk! "Ai, aquela boca do Wando!!!", ela suspirava, kkkkk!
      Um abraço!

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  9. Olá, querida Bia
    Passei um só que me lembre e que foi o fato de eu ter entrado na dança portuguesa com os ensaios já começados e as colegas pedram pra eu sair que não dava... rs...
    Mas, tentei e, anos mais tarde fiz dança e agora, na terceira idade, sou livre leve e solta com a dança... sem problemas.. inclusive fiz dança senior e é uma beleza as danças típicas... Me saio muito bem!!!
    Bom ter história, né, Bia?
    Me alegrou lembrar-me disso neste momento...
    Bjm festivo de 2015

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    1. Oi, Rosélia!
      hahaha, Imagino você entrando na dança e não ter dado certo... eu era um fiasco no vôlei (sou até hoje), sempre me colocavam no time por falta de opção e depois ficavam chamando a atenção quando eu errava, não era muito agradável, kkk. Mas assim aprendi a dizer "não" para algo que não me faz bem.
      O legal é que sua história teve uma revira-volta e acabou bem feliz! Parabéns! Amo dançar, faz um bem danado!
      Um abraço!

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  10. São lembranças assim que nos deixam com um sorriso longo no rosto, Bia, que delícia de aventura e com testemunhas,rsrs...miss Dengosa!Marcou presença, fez diferença e deixou saudades :)D
    Adorei!
    Caixas antigas me aguçam, me chamam; tenho algumas.
    Bjos, querida,
    Calu

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    1. Oi, Calu!
      Acho que a pior parte foi a das "testemunhas", kkkk!!!! Qualquer dia acho essas fotos na casa da minha mãe... e digitalizo aqui para comprovar, kkkk!
      Eu tenho caixas de guardados... reflexos de momentos que marcaram e deixaram registros.
      Um abraço!

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  11. Sobrou pro Wando!
    Dentes necessitando de aparelho e cabelo armado que só conhecia Neutrox ( e que mesmo caindo muito, continuava muito armado ) levei vários de esquerda da vida, mas olha resolvi frequentar com afinco as aulas de bom humor e posso garantir que sou boa aluna!
    Ensina os adolescentes que tudo passa e depois é possível rir?
    Beijo!

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    1. Oi, Ana! Pulei sem querer sua mensagem, rsrsrs!
      Ei, eu usei Neutrox! :) Meu cabelo era ultrafino na infância, mas na adolescência encheu que só, kkkk, parecia uma juba! Mas era bonito, ainda não havia a ditadura do liso.
      Usar aparelho até hoje me faz reconhecer nos dentes quem já usou um, kkk.
      Apanhei bastante também e assim como você, estou no roll das boas alunas. Se a vida der uma mãozinha, melhor ainda!
      Ah, eu ensino sim... e também minha filha. Há o que merece a atenção e até a tensão, e há o que nem merece permanecer na cabeça.
      Um abraço!

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  12. Olá,Boa noite, Bia
    quem diria, Miss Dengosa, hein?
    Adorei a frase: "É muito bom olhar para trás e perceber que se teve história, teve vida, mesmo que os momentos não tenham saído como gostaríamos.".A vida é feita de momentos bons e ruins. As vezes, temos que reconhecer que não se pode vencer/ser feliz todo tempo, como gostaríamos. Tudo tem o seu tempo para acontecer. Tem coisas que acontecem para fazer com a gente fique mais experiente, até para entender que Ser feliz não é apenas resumir nossa vida em bons momentos...
    Mico na adolesc^^encia? Se vc perguntasse qual foi o mico de hoje,eu até contaria!
    Eu namo uma menina que era Manequim de uma loja, usava as roupas da loja e desfilava para as madames compradoras e não,por acaso, naquela época, eu tinha muitos ciúmes dela e ia todos os dias/tardes na loja, para vê la desfilando. Até que um belo dia, depende do ponto de vista, fui convidado pela dona, para desfilar com as roupas masculinas, calça jeans...aceitei,precisava do dinheiro ,e imagine, o Felis desfilando e se tu " Passei anos sem suportar ouvir Wando"... eu, "Passei anos sem suportar usar calças jeans" e nem tenho mais ciúmes, de nada e ninguém!
    Obrigado pelo carinho, belos dias, beijos!

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    1. Olá, Felis!!!
      Renovar o olhar sobre algo que aconteceu e transformar o que pareceu ruim no momento em algo divertido é uma questão de amadurecimento, eu acho... treinar o bom humor é das melhores coisas que podemos fazer conosco para passar os tempos entre os momentos felizes da melhor forma possível. Mas convenhamos, tem vezes que é de lascar... hoje eu estava caminhando e pensando que só quero esquecer uns meses do ano passado. Ainda bem que bons momentos chegaram a tempo de eu me animar novamente, e recuperar o bom e bem vindo humor.
      Olha, essa de desfilar foi um barato, hein? Já trabalhei em tantas coisas diferentes para angariar fundos, kkkk,que jamais julgaria alguém desfilando calças jeans, kkk. Namoro lucrativo esse!
      Acho que um bocadinho de ciúmes faz bem, a gente se sente importante para o outro, e sente ciúme de quem é importante pra gente, mas quando passa das medidas, sabe-se lá as consequências, embora a mais bizarra que ouvi até aqui foi o seu testemunho, kkk!
      Um abraço!

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  13. Bia,

    Tive que rir do seu desfile. Fiquei curiosa com o conteúdo da caixa. rs
    Eu paguei muitos micos na minha infância e adolescência. Eu era muito bobona.kkkkkk
    Um deles, vinha da escola, e já perto de casa, tive que passar perto de um cavalo. Minha mãe dizia que era perigoso, passar atrás de cavalos, pois eles davam coices. kkkk Então, eu fui andando e olhando pra trás, nisso, tropecei, caí e quebrei meus óculos que faltavam pouco cobrir minha cara. Todo mundo riu, e ninguém veio me ajudar. Fiquei uns bons dias sem sair de casa, de tanta vergonha.
    O pior deles, foi quando o cachorro da minha tia mordeu meu traseiro. Não contei pra ninguém. Minha mãe descobriu porque viu sangue e a minha calcinha rasgada.kkkk Veja que perigo menina. Ainda bem que o cachorro era vacinado. Depois, minha mãe contou pra minha tia, e ela espalhou isso pela vizinhança. Eu me sentia a menina mais idiota da rua. Rs Mas são lembranças boas, e ainda bem que hoje em dia, não sou tão bobona assim. kkk
    Adorei esse post. Como é bom recordar essas coisas.
    Beijos

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    1. Oi, Lucinha! A caixa tem fotos e escritos, muitos escritos... sempre gostei de registrar pensamentos e sentimentos.
      Bobona eu sou até hoje, kkk, acho que até mais que antes... mas aprendi a encarar as coisas com humor, ganho lascado!
      Minha mãe também tinha umas crenças sobre cavalos, principalmente se a pessoa estava "naqueles dias"... diziam que o cavalo sentia o cheiro e vinha atrás da gente. Pense o quão longe eu passava de cavalos nesses períodos, kkk, atravessa a rua, acho que ninguém entendia!
      Pior é quando a história se espalha sem que a gente deseje como aconteceu com você... fica todo mundo olhando e a gente querendo se enfiar num buraco, kkk.
      Eu até hoje não sei o que é pior, se é ninguém ajudar quando acontece alguma coisa, ou vir um bolo de gente em volta perguntando de está tudo bem. Sinceramente, acho que prefiro a primeira opção, kkk, levanto rapidinho e finjo que nada aconteceu!
      Um abraço!

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  14. Olá! heheh não pude deixar de rir também" Esses dias achei uma caixa do passado, e quantas lembranças estão guardadas né, e os os objetos despertam tudo! abração

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    1. Olá, Ives! O curioso é que junto com os objetos, parece que as sensações voltam a ganhar vida! Um abraço!

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  15. Olá Miss Dengosa,

    Como disse, que bom que tantas histórias foram vividas e que certamente outras tantas ainda serao vividas....

    Isso é viver e reviver!

    Adorei como sempre, e ri muito também...

    Abçs

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    1. Olá, Vanessa!
      Viver, reviver, sempre valem a pena quando o resultado são boas risadas. Um abraço!

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  16. Bia Dengosa, que apelido mais bonitinho hoje, mas na época até entendo que não tenha gostado tanto, eu também ia preferir ser charmosa, mesmo que fosse o 6o.lugar. rsss
    Deliciosas suas lembranças, atiça nossa memória e pra dizer a verdade, acho que tive alguns micos sim, como a vez em que peguei a bicicleta de meu amigo Wilsinho emprestada e saí desembestada. Atropelei a mulher mais chata da vila em que morávamos, nada lhe aconteceu, mas a histérica gritava aos quatro ventos sobre um bico de papagaio que ela tinha na coluna. Nada de mais! No dia seguinte, lá estava ela, enchendo a criançada, dizendo que não podia isso nem aquilo, era a própria Bruxa do 71. rss
    Mas, imagina a minha cara, quando cai da bike na frente de todos, justo na hora em que fui dar minha virada cheia de ginga. kkkk Eu era uma patetinha!
    beijos cariocas


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    1. Oi, Beth!
      Fiquei imaginando a cena, você pedalando enlouquecidamente e atropelando a mulher, kkk... pelo menos era uma mulher chata, a consciência pesaria mais se fosse uma pessoa legal. Posso até imaginar o discurso mau humorado que ela fez sobre as crianças do bairro para a vizinhança! kkk... Geralmente pessoas ranzinzas ficam extremamente aborrecidas com alegria alheia.
      Menina, já contei aqui que caí de cara na lama de bicicleta aos 4 anos e só aprendi a andar com 8, e ainda assim levei um tempão para ter coragem de fazer a voltinha... lembro da cena até hoje.
      Um abraço!

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  17. Oi, Bia!
    Que história bacana! Agora posso contar pra todo mundo que conheço alguém que foi miss... rs.
    Eu era muito criançola para certas coisas e enquanto as minhas amigas sofriam por terem de passar em frente à casa dos meninos que elas gostavam, eu ainda nem pensava em namorar. Lembro de uma vez que me empurraram um menino e disseram que ele estava caidinho por mim. Eu tinha uns 11 anos e achei a situação muito constrangedora. Ficamos eu e ele mudos, eu não conseguia falar nada e eu temia que ele falasse qualquer coisa ou que quisesse pegar na minha mão. Lembro que em uma determinada hora, saí correndo para a minha casa e dei graças à Deus por me ver livre daquela situação. Depois disso, senti na pele o que era não querer passar na frente da casa de um menino - a cidade era pequena e a casa dele ficava no caminho para a Escola. Pior que tudo, ele entrou para a minha escola, três turma à frente - Ele era mais velho, mais esperto e queria todos os dias me levar para casa. Ficamos nessa o ano todo, até que mudei de cidade. O pior mico foi na minha partida em que ele me deu nosso primeiro beijo e na frente de todo mundo. Anos mas tarde, quando estagiava em um escritório de advocacia numa cidade bem distante da cidade em que morei na infância. Tive que representar a advogada em uma audiência - a primeira de minha vida e quando olhei o advogado da outra parte, reconheci os olhos azuis depois de 10 anos de ausência. Aquela sensação de perder a voz, aconteceu de novo, mas eu já sabia disfarçar bem. Não sei porque fingi que não o conhecia e ele me mandou flores no outro dia dizendo que além de ser uma boa advogada, tinha me tornado uma boa atriz! Depois disso, descobri que o meu constrangimento de criança poderia ser maior, pois haviam coisas que eu não tive maldade para enxergar! (rs*)
    Beijus,

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    1. Oi, Luma!
      Que história!!!! O que é mais curioso é esse tipo de volta surpreendente que a vida dá... quem diria que iria reencontrá-lo depois de tanto tempo, nessa situação? E você pelo jeito marcou a vida do moço, kkk, afinal, ele mandou flores no dia seguinte ao do reencontro em termos profissionais. ;)
      Com 11 anos tinha uns amores platônicos, mas nada de pensar em namoro... era algo mais próximo de fantasiar um príncipe encantado. Acho péssimas essas situações armadas, encontros forçados, sou uma pessoa bem fechada e nas vezes que passei por isso, me fechei completamente.
      Até com quem amo... uma vez há anos atrás ele chegou um pouco mais perto que o de costume e por mais que eu desejasse enlouquecidamente que ele fosse em frente, me assustei e acho que me retraí involuntariamente... e olha que já tinha 18 anos, kkk. Que coisa. Hoje eu me sinto completamente a vontade ao seu lado. :)
      Não sei se a sua história com o rapaz foi em frente... eu amo ganhar flores, mas só se for de quem amo. Uma vez, com 15 anos, ganhei de um rapaz que não tinha nada a ver, me senti péssima, kkk.
      Abração!

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  18. Bia, adorei saber dessas suas lembranças e deve ter sido uma volta ao passado quando vc abriu essa caixa. E é bom guardar recordações. Mta gente não gosta, reclama de quem guarda, mas é bom sim. Não só guardar na mente, como guardar através de fotos e objetos. O maior mico que eu paguei foi só pra mim mesmo pq ninguém soube, ainda bem. Gostava de uma menina e quando finalmente tomei coragem e comprei um presente pra ela, descobri acidentalmente que ela tinha começado um namoro no msm dia. Foi mico pq estava que nem um idiota esperando o momento e ainda doeu... Bjão

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    1. Oi, Sérgio!
      Guardar é ruim quando as coisas trazem sensações ruins, ou quando servem para a pessoa só viver no passado e esquecer o presente.
      Seu mico me lembrou uma história familiar. Não vejo como mico, talvez como um desacerto do tempo, ou falha de comunicação. Talvez a garota também gostasse de você mas imaginou que você não queria nada com ela e tentou encontrar um meio de tentar esquecê-lo. Você quis ser gentil, e isso não é mico. :)
      Imagino que deve ter sido difícil para você. Espero que a tenha perdoado pela dor que lhe causou involuntariamente.
      Tenho medo das falhas de comunicação, de mensagens que podem ser entendidas da forma errada e possam produzir lacunas para o resto da vida,ainda mais se tratando de amor, um sentimento delicado que deixa a sensibilidade à flor da pele. Tem uma lado maravilhoso e outro frágil, ao mesmo tempo. Por outro lado, quando pessoas que se amam de verdade ficam juntas, tornam-se fortes, muito fortes.
      A hora certa do amor é a hora em que decidimos que é o que realmente importa, e nesse momento, tudo realmente começa a fazer sentido e passa a ser só uma questão de controlar o medo.
      Fui longe no comentário, Sérgio, kkkk.
      Um abraço!

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  19. Como vai Bia, ou devo chamar de Miss Dengosa?

    Ando um pouco corrido por aqui, mas não posso deixar de comentar sua história da vida real. Não importa ganhar ou perder, para nossos pais, sempre seremos príncipes ou princesas. O fato é que o tempo não volta, o que volta, às vezes, é a vontade de voltar no tempo, não é mesmo? Viver é isso, permitir acontecimentos, adicionar registros, ser protagonista de sua própria história. Alguns com capítulos mais extensos, outros mais breve... Fico pensando, como seria 'sem gosto' a nossa vida se o tempo não imprimisse suas marcas.
    Gostei de ler esse capítulo de sua história. Abração.

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    1. Olá, Nestor!
      O legal é quando a gente aprende a olhar para trás, para a história, e rir daquilo que em algum momento, foi desagradável. Esse me parece o maior termômetro de evolução pessoal.
      Sempre fui muito espontânea e gostei de viver a vida intensamente... minha filha e seus amigos sempre dizem, "nossa, a senhora tem muitas histórias para contar". E isso traz leveza ao que passou, quando partilhamos sempre fica mais leve.
      E sempre gosto de escrever minha história em frente... não vivo no passado porque sei que nunca somos iguais ao que fomos ontem.
      Abração!

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  20. Olá Bia, visto à distancia essas coisas até são engraçada, mas na hora acredito que não apreciasse muito!
    Sobre coisas da minha adolescência que não apreciei nada foi mesmo aos quinze anos o medico dizer que tinha miopia e precisava usar óculos sempre! Ora eu também pau de virar tripas alta e magríssima, com óculos tapando meus olhos azuis; imagina? Chorei, chorei e durante alguns anos não usei!
    Mas pior que isso foi minha mudança do interior para a cidade aos treze anos! Um horror minha adaptação!
    Mas tudo passou e chego até a ter algumas saudades desses tempos! Grande aprendizado;))!
    Beijinhos, Ailime

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    1. Olá, Ailime!
      Essa questão do óculos é delicada... hoje em dia até é vista como uma questão de estilo, mas houve um tempo em que era motivo de chacota. Agora, mudar do interior para uma cidade deve ser um grande choque, pois pelo jeito que falou parece que gostava muito do interior.
      Sempre gostei da cidade onde moro (interior, mas não muito), e sempre gostei de ir à capital, cidade grande. Atrativos e vantagens diferentes.
      Penso que a saudade desses tempos vem da sensação de que passamos por essas questões, e superamos. ;)
      Um abraço!

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    2. Muito obrigada, Bia! Saudades das minhas amigas de infância e dos meus avós que tive de deixar lá!
      Depois alguns anos sem ir lá. Foi difícil;))! Beijinhos. Ailime

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  21. OI BIA !
    TENS RAZÃO, NOSSA HISTÓRIA DE VIDA É SÓ NOSSA E MESMO O QUE NA ADOLESCÊNCIA NOS PARECEU SOFRIDO, AGORA NOS FAZ RIR COM CARINHO, POIS TUDO É APRENDIZADO.
    BIA, ADOREI TUAS DIVAGAÇÕES, MAS, SOU CURIOSA, " O QUE HAVIA NA CAIXA"?
    FIQUEI LENDO AS HISTÓRIAS NOS COMENTÁRIOS E ME DIVERTINDO MUITO.
    UMA COISA QUE JAMAIS ESQUECI, POIS ME CONSTRANGEU MUITO FOI QUE AOS 9 OU 10 ANOS, GANHEI DOIS PARES DE SAPATOS E UM TINHA DE SER PARA A ESCOLA E O OUTRO PARA PASSEAR, COLOQUEI AMBOS A BEIRA DA CAMA PENSANDO QUE AO ME LEVANTAR PELA MANHÃ, ESCOLHERIA CADA UM PARA SUA FUNÇÃO. MAS, COMO, ATÉ HOJE ME LEVANTO MEIO SEM ACORDAR BEM, ESQUECI E QUANDO JÁ ESTAVA NA ESCOLA, OLHEI PARA MEUS PÉS E ESTAVA COM UM PÉ DE CADA SAPATO, QUASE MORRI, FUI PARA CASA NAQUELE MOMENTO E TIVE DE EXPLICAR-ME PARA MEUS PAIS POR TER VOLTADO, POIS A ESCOLA ERA LONGE E EU NÃO IA SOZINHA PARA A MESMA. COMO NUNCA ESQUECI DISSO ACHO QUE NO MOMENTO ME ENVERGONHOU MUITO.

    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Zilani! Ri muito imaginando a cena da troca dos sapatos, kkkk! Sempre tive roupa para sair/trabalhar/estudar e roupa para ficar em casa. Desse jeito as roupas para passeio se conservam por muito mais tempo.
      Ano passado, e olhe que eu já tenho 39, kkk, uma vez fui trabalhar com a blusa ao contrário, e outra com meias de pares diferentes, kkk.
      Um abraço!

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  22. Que légal… adorei Miss Dengosa. Assisti a esse último concurso e achei que todas precisariam ter mais "dengo" afinal vendo uma, parecia que víamos todas…: ficarm iguais, que coisa!!! Enfim. Micos, passamos muitos, mas qq dia eu conto hahahahha bjs

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  23. Hmmmmm, kkkkkkkkkkk
    Mico eu pago até hoje.... rsrsrs
    Mas um que foi feio mesmo, mas não era mais adolescente, foi quando fui a um parque aquático e tinha aquele maldito escorregador gigantesco.
    E como eu era "me chama que eu vou", fui!
    E tinha medo de altura e tudo!
    Fechei os olhos e escorreguei, parecia um foguete rechonchudo deslizando no rio d'água. Até espatifar na pequena piscina, me levantar e sair cambaleando.
    Detalhe, meu sutiã do biquini foi parar no meu pescoço e só depois de algum tempo fui perceber. Nisso todo mundo já havia visto minha vergonha.
    Ainda bem que nunca mais voltei naquele lugar.
    Beijos!

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