domingo, 8 de fevereiro de 2015

Companheirismo e Cia

Esses dias precisei atender um dos voluntários que fazem parte do meu grupo. Preocupado com problemas de saúde, estava com medo de não ter apoio necessário caso a situação fosse grave. Estava iniciando um relacionamento e ainda não tinha vínculo o suficiente para mostrar à ela o quanto precisava do seu companheirismo.



Ele descobriru que não estava com nada grave e suas dores eram reflexos da preocupação, mas a partir da conversa a distância entre companheirismo e companhia me pareceu clara. Companhia é ter alguém por perto com quem se possa dividir o espaço, momentos, conversas, o dia a dia. É estar com alguém. Isso não significa nem de longe companheirismo e é nesse ponto em que aparece a carência do ser humano quando se sente só mesmo estando acompanhado.

Companheirismo sugere vínculo, confiança, empatia, sentir-se à vontade para compartilhar medos, alegrias, perdas e conquistas, não por uma questão de interesse ou necessidade, mas por uma questão de afeto. De maneira autêntica o companheirismo abraça os pensamentos, sentimentos, compromissos e responsabilidades do outro como se fossem seus e caminha paralelamente, não só pensando no que é melhor para si, mas visualizando o que é melhor para ambos e ajudando quando possível.


Mas não significa que a companhia é desnecessária. Vivi um relacionamento que terminou por falta de companhia, outros que terminaram por falta de companheirismo e um que me isolou das duas coisas e ainda assim eu achava que era o que merecia.

Companhia seria a partilha da presença física e o companheirismo, emocional.

Porém cada um tem sua fórmula ou características mais acentuadas. Como amiga sou muito mais companheira do que companhia, visto que não tenho o hábito de sair com amigos, mas sempre estou pronta para ouvir e ajudar. Já em casa ou num relacionamento a dois procuro ser as duas coisas quando possível, pois a meu ver ambos são importantes para uma relação saudável e feliz. Acredito que o homem que eu amo privilegia ambos também.

Há quem seja excelente companhia, mas esteja centrado prioritariamente em sua vida, e há quem se envolva com o dia a dia do outro mas boicota sutilmente seus projetos. Há quem se dê bem com um ou outro tipo de personalidade, e dentro dessa diversidade de fórmulas da vida é que está a capacidade mágica de encontrar a combinação que torne um relacionamento sólido e feliz, o que afinal, é o importa.

E para você, o que é mais importante?





32 comentários:

  1. Podemos ser companheiros independente de distância, a presença física nem sempre traz o conforto que o coração necessita. Uma excelente reflexão
    Um ótimo domingo
    Beijos
    ”Sonhos e Poesia”

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    1. Olá, Gracita! Tem razão, o companheirismo pode ser mais presente mesmo à distância do que a própria companhia ao lado. E assim vão-se construindo conceitos e revelando suas importâncias.
      Um abraço!

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  2. Puxa, imagino que situação triste não poder se abrir com quem está ao seu lado! Credo! Deve existir companheirismo, cumplicidade e a companhia é para horas boas e más! beijos, tudo de bom,chica

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    1. Olá, Chica!
      Acredito que ele até poderia se abrir, mas não se sente ainda à vontade. Há pessoas que são naturalmente reservadas e desconfiadas, temem mostrar suas fragilidades e perceber que o (a) outro (a) pode usar isso contra si.
      Falou tudo, companheiro(a) e companhia de verdade é aquele(a) que está sempre ao lado independente das circunstâncias. É o chamado #tamojunto. Um abraço!

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  3. Boa tarde Bia..
    um assunto bem abordado e é bem isso que acontece..
    quando quem estamos fica mais distante acaba nos distanciando tb..
    vejo muitas coisas assim.. coisas que podem ser resolvidas mas um dos dois não cede..
    meu mano por exemplo.. namora mas a namorada dele nunca esta junto para uma caminhada, para um andar de bicicleta.. sabe, coisas simples.. e quando estão juntos por não estarem próximos assim saio os arranca rabos né.. muitos relacionamentos acabam assim.. abraços

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    1. Olá, Samuel!
      Tocou em um ponto importante... são bem poucas as pessoas dispostas a ceder amigavelmente um pouco em prol da relação. Em geral as pessoas querem fazer tudo a seu modo sem se preocupar com o que é importante para quem dizem amar.
      Senti falta de estar acompanhada em várias ocasiões, inclusive simples, em meu último relacionamento, chegou um ponto em que fazia tudo sozinha, e então deixa de fazer sentido estar com alguém, mesmo que haja companheirismo.
      Pior ainda são os casos que citou, em que estar junto mesmo é tão raro que no convívio próximo as diferenças acabam aparecendo. Ou quando o outro vai "obrigado" a algum lugar e começa a agir ou nos tratar mal.
      Por esses motivos hoje considero fundamental estar com alguém com proximidade de gostos pessoais e objetivos de vida.
      Abração!

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  4. Olá, querida Bia
    No momento, estou precisando de cumplicidade, sem sombra de dúvida...
    Fique com Deus!!!
    Bjm fraternal

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    1. Rosélia, como é gostoso sentir cumplicidade... palavra importante que me lembra apoio, confiança e segurança. A cumplicidade abre portas para um relacionamento onde um não precisa esconder o que é do outro. Um abraço!

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  5. Olá Bia!
    Dou-lhe parabéns pela síntese: "Companhia seria a partilha da presença física e o companheirismo, emocional.".
    Para mim, a melhor companhia é um(a) companheiro(a)

    Abração
    Jan.


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    1. Olá, Jan!
      E sua síntese também foi perfeita! Ter a companhia de uma pessoa companheira... tem coisa melhor?
      Um abraço!

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  6. Boa noite, Bia.
    Estou desde a parte da tarde para comentar, mas desliguei o pc porque estava trovejando.
    Na realidade, quase não vim aqui hoje, talvez porque a minha mente estivesse bloqueando isto.
    Este texto seu está ótimo, fui lendo com a maior atenção, concordando com as questões colocadas, até que deixou-me muito confusa na interrogação.
    Eu confundo a falta da presença com amor.
    Se não tem a presença, não ama.
    Por outro lado, a pessoa é companheira, quer sempre o meu bem, coisas do tipo.
    Mas se me amasse, de fato, não seria mais presente?
    O cansaço, a net, o estudo, qualquer coisa está vindo na frente.
    É uma confusão total.
    Fiquei mais confusa ainda quando li.
    Adoro o companheirismo, mas vejo que a presença é muito importante.
    Por outro lado, ter a presença sem alma e confiança, vontade de dividir, não é bom.
    Ou aceita-se as coisas como são, uma vez que não consegue-se mudar, ou separa tentando encontrar as duas coisas numa pessoa só, mesmo existindo amor.
    Difícil demais tomar decisões.
    Tenha uma semana de paz.
    Beijos na alma.

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    1. Olá, Patrícia, como vai?
      Faz bem em desligar o computador quando está trovejando... eu já perdi modem, roteador e placa de rede insistindo nos dias de raio! :p
      Pelo que li,me pareceu que está sentindo falta de se sentir uma das prioridades dele... não seria a questão a falta da companhia, mas do sentimento de se sentir tão importante quanto os outros compromissos e/ou sentimentos. Mas pode ter sido só uma impressão minha. Sentir-se importante e parte da vida do outro é tão fundamental quanto o companheirismo e a companhia.
      Sou uma defensora assumida do amor, penso que precisa ser valorizado, independente de estar perto ou longe (e quanto maior é, maior a vontade de estar perto), digo isso porque amo muito, muito alguém e ele sempre está entre minhas prioridades... a direção das suas decisões pode se basear no tamanho do amor que sente por ele e na capacidade que ele tem de lhe fazer feliz.
      Diferenças e concessões sempre haverão, desde que haja equilíbrio nisso.
      Decisões são mesmo difíceis e as minhas sempre são baseadas na dimensão e sinceridade do que estou sentindo.
      Será que ajudei? :)
      Um abraço!

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    2. Boa noite, Bia.
      Sim, ajudou.
      Na realidade, sei que estou adiando o que já deveria ter feito.
      Dessa vez não preciso que desenhe mais para mim, compreendi e farei o que tiver de ser feito.
      Tenha um fim de semana de paz.
      Beijos na alma.

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    3. Olá, Patrícia! Cada um interpreta a leitura à luz do que sente ou pensa... Um abraço, boa sorte em sua decisão.

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  7. Bia, em tempos de internet e WhatsApp, o companheirismo parece se dar mais na base do teclado do que na presença física. Mas, ainda assim, entendo que, de alguma forma, vale a pena. Afinal, uma amizade pode até ser virtual, mas o sentimento tem que ser real. Um beijo no seu coração.

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    1. Olá, Paulo! Pois é, a tecnologia carrega essa dualidade... pode privar as pessoas do contato físico, olho no olho, ou pode justamente oportunizar que fiquemos mais perto de alguma forma de quem está longe... Não adianta o contato físico se não estiver revestido de sentimentos.
      A maneira como usamos e tecnologia e conduzimos o que sentimos é o que define tudo.
      Um abraço!

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  8. Bia,
    Gostei da sua maneira clara em conceituar companhia e companheirismo. Penso dessa forma também, e as duas são importantes, todavia cada tipo de relacionamento, carece mais de um que de outro. Que ser humano pode viver sem esse companheirismo? E como é gostosa uma companhia!
    Ando meio devagar, talvez porque já tive muita pressa! Mas estou sempre dando uma visitadinha, embora quase nunca comente.
    bjkas doces!

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    1. Oi, Marly!
      Obrigada por suas visitas! Cada ser humano tem necessidades próprias e encontrar alguém que conheça, entenda, respeite e partilhe isso é uma bênção.
      Um abraço!

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  9. Bia,

    Acho que meu comentario não entrou aqui, bem, vou falar outra coisa (rsss...).

    Eu sou uma pessoa que preza a amizade e sou companheira, mas sofri tantas e tantas decepções durante os anos que seguiram minha separação que entrei na ostra e fechei!
    E olha que solta umas pérolas! rsss

    Bjs

    Bjs

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    1. Oi, Sissym, fiquei curiosa para saber o que havia respondido antes, hahaha.
      Entendo o que diz, já entrei em ostras, já produzi pérolas, já saí da ostra e tenho muito medo de acabar fechada de vez.
      Que as pérolas que produzimos sejam usadas para enfeitar a alegria que virá.
      Abração!

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  10. Olá, Bia.

    De fato, a combinação de companhia e companheirismo é o ideal. Mas nesses tempos em que assistimos o império do individualismo, a solidão acompanhada, ocupa mais e mais espaços.

    Um abração e um bom recesso carnavalesco.

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    1. Olá, Apon!
      Suspeito que se houvesse mais afinidade e generosidade entre as pessoas, mais companhia e companheirismo seriam as consequências, e mais felicidade autêntica seria produzida = menos individualismo. Estou realmente no limite de conviver com individualismos.
      Um abraço!

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  11. Oi Bia,

    Já vivi todas as situaçoes citadas no texto, companhia, companheirismo e cumplicidade acima de tudo, sao fatores essenciais para um relacionamento. Sobrevivia despedaçada e vazia, era essa a sensaçao que o o último relacionamento me deixou...

    Agora tudo mudou Graças a Deus, rs

    Abçs

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    1. Oi, Vanessa!
      Ah, o importante é que tudo passou, e que seja duradoura essa sensação de que pode se sentir fortalecida por quem está ao seu lado! :) Um abraço!

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  12. Grande verdade! Não basta estar do lado para ser companheiro.

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    1. Olá, Viviani. O companheirismo, além de atitude, é uma questão de afinidade. Um abraço!

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  13. Boa noite Bia, que tema tão interessante e sobre o qual me debruço tanto!
    Numa relação a dois se "tamos junto" será importante companhia e companheirismo, não?
    Por outro lado também penso que por vezes pessoas que estão longe se fazem mais presentes (companhia), do que as que estão mais próximas!
    Cumplicidade será um misto de ambas? Serei egoísta, mas penso que numa relação a dois as duas são necessárias!
    Beijinhos,
    Ailime

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    1. Olá, Ailime!
      Interessante seu ponto de vista... de fato talvez cumplicidade seja o misto de companheirismo e companhia. Há quem os confunda com parceria, quando pessoas estão ligadas por interesses, não por afinidades ou sentimentos profundos.
      Não considero egoísmo acreditar que ambas são necessárias, pois quem gosta, se interessa e quer dividir responsabilidades com alguém, é porque esse alguém lhe desperta bons sentimentos, e naturalmente vem a vontade (necessidade) de sua companhia.
      Um abraço!

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  14. Bia, acho que não tem o melhor. Tem o momento de companhia e o momento de companheirismo.
    Companheirismo é mais íntimo e nem todos têm essa disposição. Mesmo estando juntos não são companheiros, mas têm companhia.
    Uma união de companheirismo envolve muito mais que corpos, como vc disse, e existem muitos que não sabem ou nunca saberão o que é isso. Talvez por não serem companheiros de ninguém.
    Companheirismo é troca, companhia não.
    Eu acho que só tenho uma amiga companheira, que ficamos meses sem nos falar e qdo nos encontramos, começamos a conversar como se tivéssemos nos visto ontem...E estamos pro que der e vier uma pra outra. Ela é uma segunda mãe pra mim...
    É isso.
    Bom fim de semana, bom carnaval se gosta de carnaval, bom feriado se prefere descansar.
    Beijos

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    1. Olá, Clara! Tem razão... o companheirismo precisa da disposição para acontecer, o estar disposto a perceber o outro, não somente conviver com o outro.
      Há pessoas que são companheiras primordialmente de si mesmas, essas sempre usarão os fatos a seu favor, algumas manipulam situações dizendo que é para o bem de todos, quando na verdade está somente pensando no seu próprio bem.
      Quando diz que companheirismo é troca, me faz pensar que companheirismo é confiança. Podemos estar na companhia de alguém, mas não confiar nela o suficiente para revelarmos quem somos de verdade. Para a troca é preciso abertura.
      Tenho alguns poucos amigos companheiros, mas tenho tanta dificuldade para pedir ajuda, que raramente me utilizo desse vínculo, kkkk!
      Fico com o bom feriado... carnaval para mim perdeu a graça há muito tempo. Quem sabe recupere se um dia resolver assistir as Escolas de Samba no Rio. :)
      Um abraço!

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  15. Oi Bia, como está?

    Companhia é um querer, um amar, digamos assim, de forma mais branda. São nossos laços de amizade para com outras pessoas.
    Já o companheirismo, requer um comprometimento maior, requer cumplicidade, fidelidade, respeito, lutar pelos mesmos propósitos... Trata-se da lealdade entre duas pessoas que decidem caminhar lado-a-lado em busca de seus sonhos e objetivos. Andam na mesma direção e estão dispostas a pagarem o preço que for preciso para manter esse vínculo estabelecido.
    O que mais se vê por aí, são relações com base em companhias, ou seja, até que um enjoe do outro.
    Abraços.

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    1. Olá, Nestor! Suas definições são coerentes e interessantes. O compromisso transcende a fugacidade do enjoar. Penso que ambos são importantes e só possíveis, verdadeiros e sólidos quando existe muito amor.
      Um abraço!

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