segunda-feira, 20 de julho de 2015

"Para sempre Alice", sobre memória

Sempre gostei de alimentar a ideia de que aquele que procurar conservar em sua memória enfaticamente o que é/foi bom, não terá Mal de Alzheimer, pois a doença seria uma espécie de castigo para alguém que não deu valor ao que teve de bom. Sei que é uma visão ignorante e ilusória de algo que não se pode evitar.

Juliane Moore recebendo o Oscar por sua atuação no filme

O filme "Para sempre Alice", de 2014, traz uma renomada professora de linguística que tem aos 50 anos diagnóstico precoce da doença e passa a desenvolver estratégias para manter vivo seu cérebro. Segundo o filme quanto maior o grau de instrução do paciente com esse diagnóstico mais rápido a doença se desenvolve, porém mais ferramentas tem para desenvolver estratégias cognitivas para atrasar a evolução da doença.

Grande parte dos casos vem da herança genética, hoje é possível identificá-la através de exames antes mesmo de se manifestar, aumentando a possibilidade de retardar o desenvolvimento dos sintomas, que incluem perda de memória recente, desorientação, debilidade física, perca do senso social, da autonomia, entre outros.

No filme a atriz passa a usar uma pulseira por orientação de uma clínica especializada com o escrito "memória prejudicada", um recurso interessante para que a pessoa lembre-se que tem um problema em casos de lapsos de memória ou para que alguém a ajude caso esteja perdida. Achei interessante, viável e útil.

Além de boa alimentação, exercícios físicos são fundamentais para manter a boa oxigenação do cérebro. Atividades de lógica, aprender coisas novas e desenvolver variados interesses durante toda a vida contribuem para alimentar uma boa saúde mental.

Sábado me senti solitária e foi desagradável, rsrsrs. Tenho estratégias eficientes para lidar com isso mas às vezes são insuficientes, rsrsrsr, acontece... Sobrevivi ilesa, no domingo estava melhor. A sensação que tenho é que o paciente de Alzheimer vive uma solidão eterna, preso em um mundo próprio que vai se desconstruindo sem que tenha domínio para a reconstrução.

Sei que há casos em que o convívio com o paciente torna-se inviável por tornar-se agressivo ou renitente, mas imagino que vale a pena dedicar algumas horas de amor à essas pessoas. Existem muitas que são esquecidas em asilos e nunca mais visitadas. Os neurônios e conexões neurais podem estar morrendo aos poucos, mas o amor é sensorial e mesmo sem saber quem o outro é com certeza sentirá a extensão do seu carinho.

Não sabemos nosso destino. Prefiro conservar a teoria das boas memórias, rsrsrs, viver bem e nesse sentido fica um trecho valioso do filme "Sociedade dos poetas mortos", de 1989:



Carpe diem ---> aprecie o presente


P.s.: achei bonita a inscrição que há abaixo desse vídeo no Youtube: "A cada amanhã olho no espelho e pergunto: 'Se hoje fosse o último dia de minha vida, gostaria de fazer o que vou fazer hoje?' E se a resposta for 'Não' durante muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa."

19 comentários:

  1. Oi Bia!
    Eu leio sempre por aí que devemos exercitar bem o cérebro, e p/isso os médicos aconselham a leitura, palavras cruzadas e outros truquinhos mais, justamente p/ evitar ou retardar a doença, mas acho que não funciona muito não, já que o Paulo Gracindo leu e decorou textos a vida inteira e morreu com a doença no seu último grau.
    Bjssss

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    1. Olá, Dinha!
      Exercitar o cérebro é um dos meios de mantê-lo vivo e ativo, mas infelizmente não é garantia de evitar a doença, que depende de outros fatores, como tendência genética. Tanto que a doença avança com mais rapidez entre as pessoas com maior formação. Abraços!

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  2. Quero mt ver esse filme, Bia. E essa doença é muito cruel porque ela "mata" a pessoa deixando-a viva. Sempre me emociono quando vejo situações assim e esse seu texto tá ótimo. Esse outro filme mencionado por vc eu também não vi. Bjs e boa semana.

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    1. Sérgio, de fato é uma situação muito triste, tanto para quem vive, como para quem está por perto.
      Os dois filmes são ótimos... o segundo assisti na minha adolescência, foi inspirador, um "levante" para a vida, super recomendo! Abraços!

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  3. Oi Bia,

    Essa doença é com certeza uma das mais tristes...assistirei o filme...

    Sobre o trecho do filme, "Espetacular" um filme que todos deveriam assistir...

    Abçs

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    1. Olá, Vanessa, tem razão! Sociedade dos poetas mortos é um clássico motivador para quem anda esquecido de como é bom viver e como é importante aprender a pensar sob outros prismas.
      Abraços!

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  4. Querida Bia, em primeiro lugar desculpe só hoje está aqui para agradecer sua visita no dia do amigo. Com visitas em casa quase não tenho tempo de navegar na net. Mas o que importa é que saibas que te considero muito e que desejo que esta amizade virtual um dia , quem sabe se torne real e se assim não for possível que ela dure e se fortaleça.
    Amei sua postagem e me fez lembrar desse maravilhoso filme que ao assistir me emocionei por demais. O filme nos orienta muito, como lidar com essa doença e a sua postagem está perfeita e com certeza, estais dando uma grande contribuição para quem assistiu lembrar e para quem não assistiu, buscar assistir esse espetacular filme que traz um grande exemplo de vida.
    Abraços, fica na paz de Deus.

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    1. Olá, Lourdes, agradeço sua passagem por aqui, sempre agradável. Considero o finalzinho do filme, especial, carregado de emoção. Abraços!

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  5. Olá, Bia, tudo de bom.

    A sua postagem, é um convite, a uma profunda reflexão sobre: Viver.
    Um abraço.

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    1. Olá, José... "viver"... não há convite melhor! Abraços!

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  6. Boa noite Bia, hoje um tema que por vezes me "amedronta", mas que não adianta fugir dele, pois o mal existe!
    Se viver mais alguns anos não sei se vou escapar ao terrível "alemão"!
    No entanto cá ando na minha vida tentando viver o dia a dia da melhor forma possível!
    Sabe onde aprendi a conviver com esta doença? Num lar de idosos que visito já há alguns anos!
    Muito difícil também para as famílias!
    Uma doença muito complicada!
    Obrigada pela sua coragem em falar do assunto, assim como partilhar o vídeo do filme O Clube dos Poetas mortos. Muito bom este filme também.
    Beijinhos,
    Ailime

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    1. Olá, Ailime!
      Belo gesto este seu de visitar o lar de idosos de vez em quando... em geral as pessoas acabam esquecidas numa idade em que mais precisam de amor e carinho, muito triste.
      Com amor tudo fica mais suave, não é mesmo?
      Viver a vida da melhor maneira possível é uma ótima saída.
      Abraços!

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  7. Bia que saudades de te ler....
    Tenho casos na família com essa doença e sem duvida é muito triste.
    Uma tinha do Waldir esta internada em uma clinica aqui em Araraquara, teve um dia que o tio dele nos ligou dizendo se poderíamos pega-lo na rodoviária pois estava trazendo um bolo para a esposa e não queria ir de ônibus até a clinica pois tinha medo de derrubar o mesmo.
    Enfim pegamos ele no terminal e o levamos até a clinica, e somente nesse momento ficamos sabendo que o bolo era pra comemorar o aniversario de casamento deles. A moça da recepção não queria liberar a entrada do bolo sem ordem do medico e ainda foi rude com o tio do Waldir dizendo que pra que tanto esforço se ela nem ia saber o que estava acontecendo. Ele muito triste respondeu: -Mas eu estou bem e jamais deixaria de comemorar nossos 47 anos de casados, mesmo que ela não saiba que dia é hoje eu e meus filhos sim. E ela adorava comemorar com esse bolo.
    Nossa menina foi um constrangimento e ao mesmo tempo uma lição, a enfermeira chefe deixou o bolo entrar. Precisava ver que bonitinho ele falando com ela que estavam comemorando o aniversario, servindo o bolo pra tds nós e feliz. Nunca mais esquecerei isso.
    Por alguns momentos parecia que ela sorria e tinha a vaga sensação de estar participando.
    Quanto ao filme vou ver simmmmmm...e a inscrição abaixo do video foi sensacional.
    Estou refletindo muito sobre isso.

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    1. Olá, Patrícia!!! Que história linda, que belo gesto de amor esse do tio do Waldir!! Penso que o mais importante é que esse amor se sobressaia sempre... tenho certeza que mesmo vivendo no mundo dela, a tia sentia o amor e o carinho que envolveu o momento. Mesmo inconscientemente sentiu-se amada e penso que essa é uma linguagem universal, compreendida por todos, independente de sua condição social, mental ou física.
      A inscrição abaixo do vídeo é inspiradora e nos faz pensar o quanto é importante nortear nossos caminhos de forma a buscarmos viver bem.
      Abraços!

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  8. O filme do vídeo é daqueles que não se esquece. Maravilhoso!
    A doença é triste. Creio que sofrem mais os que lidam com alguém querido afetado por ela. Não se sabe em que momentos está lúcido e só mesmo o carinho para aplacar a dor. Bjs.

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    1. Olá, Marilene!
      Tem razão, não é fácil ver quem amamos perdendo a lucidez. Tive uma tia que no final do câncer perdeu a memória, não foi fácil, mas temos que seguir, buscando sempre muito amor para alimentar o coração.
      O "sociedade..." é daqueles filmes que vez por outra é preciso rever para lembra como vale a pena a vida, e lembrar do quanto podemos! :)
      Abraços!

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  9. Bom dia! Assisti a Sociedade dos Poetas Mortos há muito tempo e não me esqueço!
    Quero assistir Para sempre Alice, fiquei curiosa e deve ser um filme forte, mas que vale a pena cada instante!
    Beijos!
    CamomilaRosa

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    1. É, de fato é um filme forte e um alerta para uma doença que pode acometer qualquer pessoa. Abraço!

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