sábado, 15 de agosto de 2015

Imaginação para controlar a autocrítica

Apesar de Augusto Cury ser famoso por seus livros de autoajuda, "Armadilhas da mente" é literatura. Na história Camille começa a se fechar em seu mundo por se considerar incompreendida e entedia-se facilmente com as pessoas que considera tolas demais.




Após várias tentativas sem sucesso, encontra um psiquiatra com uma abordagem diferente da usual que consegue acessá-la explicando que para voltar a viver de verdade Camille precisa alterar seus gatilhos de memória. Pesquisando mais sobre o assunto descobri que são sons, palavras, imagens que vasculham as janelas de memória do cérebro à procura de associações. Nas janelas estão nossas experiências e como elas repercutiram em nossa vida. Por esse motivo um mesmo gatilho pode produzir sensações muito boas ou muito ruins, de acordo com o indivíduo. Sem o gatilho de memória teríamos uma mente confusa, perdida em inúmeras lembranças sem conexões.

O gatilho de memória é como um ator principal e as janelas de memória, coadjuvantes. Quando o ator principal deixa de atuar adequadamente, os coadjuvantes tomam conta, deixando nosso "palco" confuso. Há inúmeras técnicas capazes de alterar os gatilhos de memória ou criar gatilhos do bem, a PNL trata disso na "ancoragem",

Há vários artigos na net que falam do tema (um muito bom está aqui), mas meu objetivo é ser pontual. Outro fator influenciado pelas janelas de memória é a autocrítica. Paul McKenna diz que a autocrítica é um recurso auto-protetor, embora seja visto como prejudicial. A autocrítica quer nos proteger do sofrimento, mas pode ter um efeito rebote, de medo, angústia excessivos. É como uma mãe excessivamente amorosa que protege tanto os filhos a ponto de não permitir que vivam, errem e amadureçam.

Penso que quando temos medo das más interpretações alheias na verdade é a nossa autocrítica que está entrando em guarda para nos defender. O bom é que também podemos "conversar" com ela adequadamente.

Na prática as técnicas de Paul:

  • Quando a autocrítica surgir através de uma imagem congele a cena. Em seguida imagine que a voz em seu cérebro desse até o seu polegar, ganha uma voz engraçada (grossa, fininha, do Pato Donald...) e converse com ele perguntando o que a autocrítica está querendo lhe dizer.
  • Em seguida tire toda a cor e som da imagem que causou a sensação ruim, diminua a imagem em seu campo de visão até deixá-la do tamanho de um selo e afaste-a pra bem longe até sumir.
  • Depois lembre de algum momento em que se sentiu autoconfiante e feliz, deixe a imagem grande e clara, as cores vivas, tente ouvir os sons e sentir o que sentiu na ocasião. Perceberá que automaticamente se sentirá um pouco melhor. Essa mesma técnica vale para imaginar sonhos e objetivos. 

São técnicas simples que funcionam muito bem. Por exemplo, um dos meus pensamentos bons é uma viagem que fiz ao Rio. :)  É claro, é necessário um pouco de constância, pois quanto maior a sensação angustiante, mais difícil de distanciá-la, mas em geral após algumas tentativas (3 ou 4) já me sinto bem melhor. Recomendo!

Reforçamos as janelas de memória ruins quando nos fixamos nelas. Substituindo os pensamentos por bons da maneira adequada - sem nos irritar com a autocrítica nem dar atenção em demasia para ela - é para eles que estaremos dando créditos e consequentemente, maior segurança e tranquilidade teremos.

"Como você se sente de um momento para o outro é resultado direto da maneira como está usando o seu corpo e das imagens e dos sons que está criando em sua mente".

E você, como faz para recuperar a serenidade?


28 comentários:

  1. Que interessante e temos mesmo que prestar atenção! Por vezes vemos tudo errado à nossa volta;pode ser dentro de nós. Usar esses mecanismos do bem é preciso! Lindo fds! bjs, chica

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    1. Olá, Chica! Ler o que escreveu me fez pensar no princípio da projeção, de ver em volta algo que na verdade incomoda internamente, mas isso não é uma regra, às vezes o contexto não nos favorece como ser humano. Em ambos os casos aprender a direcionar o pensamento/sentimento é um grande ganho para a inteligência emocional e para apoiar escolhas. Como bem falou, usar os mecanismos do bem é preciso. Abraços!

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  2. Bia passando para deixar um abraço e um bom final de semana
    não consegui ler o post inteiro minha net tá ruim e nem abre direito
    bjuss querida até mais

    Rita

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    1. Oi, Rita!
      Obrigada, Rita, net ruim é um problema generalizado, rsrsrs, abraços!

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  3. Uma escrita muito profunda com dizeres interessantes que me fizeram parar pra refletir, na forma de como nós em si devemos nos cuidar e zelar por esta maquina chamada corpo... e mente... bj nas linhas do seu coração, fico por aqui aguardando-a em meu espaço.... uanderesuascronicas.blogspot.com

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    1. Cuidarmos do nosso corpo e mente é uma forma de gratidão por estarmos vivos e melhora consideravelmente nossa qualidade de vida. Assim como as reflexões, sempre produtivas quando nos impulsionam para o melhor. Abraço!

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  4. Bia, gostei do seu texto. A auto crítica está intimamente ligada ao poder desse gigante feroz que dá pelo nome de EGO. Olho nele! Pode ter uma ação demolidora no nosso quotidiano.
    Beijinhos. Bom domingo.

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    1. Olá, Nina! Muito bem lembrado, o "senhor" Ego é bem perigoso... quando está em baixa nos detona com a crítica e nos torna fracos, incapazes... quando em alta excessiva perdemos o limite das nossas atitudes, nos tornando arrogantes. Talvez por isso a auto-crítica precisa ter seu equilíbrio: não ser ignorada a ponto de não nos ajudar a estabelecer limites, porém não pode ser exaltada a ponto de nos travar, minorizar, entristecer. Sem falar que descuidando o ego pode ser manipulado por terceiros, tanto para uma ponta quanto para outra. Abraços!

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  5. Bia, geralmente exageramos na autocrítica, o que costuma nos impedir de ser mais espontâneos. Por mais que possamos negar, não queremos pagar mico ou propiciar censuras de terceiros. A maturidade ajuda, mas não oferece uma abertura abrangente. Pelo que descreveu, o livro me pareceu muito bom. Como tudo que o autor escreve, a reflexão é ponto principal a nos chamar atenção.
    (Anda não viajei (rss). As fotos são de meu arquivo. De Deus quiser, a Vera e eu esteremos voando no começo da semana). Bjs.

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    1. Olá, Marilene
      Ler o que escreveu me faz pensar que desenvolvemos autocrítica à medida que crescemos. Quando criança somos espontâneos naturalmente, porém vamos desenvolvendo essas "travas" que vão nos lapidando nem sempre de forma desejável. Por esse motivo achei bem apropriada a comparação da autocrítica com a mãe suuuper zelosa que não permite que os filhos corram riscos e quando insistem em ir em frente e erram de novo ainda vem a voz e diz, "eu não disse"? Geralmente filhos de mães assim são mais tristes, não é mesmo? A maturidade não faz milagres, mas nos ajuda a compreender que podemos nos ajudar, ainda que não seja fácil.
      Desejo às duas excelente passeio, vocês merecem, melhor coisa é viajar! :)
      Abraços!

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  6. Oi Bia,
    Autocrítica, simplificando, é a análise dos nossos atos, mas em excesso pode ser prejudicial. Temos que analisar algumas ações errôneas e modifica´-las, sem alarde.
    Muito bom texto
    Beijos no coração
    Dorli Ramos

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    1. Olá, Dorli!
      Tem razão em sua colocação sucinta... quando fragilizados a autocrítica tem um efeito devastador, daí a importância de encontrar meios de se distanciar dela, dessa forma podemos analisar a perspectiva da questão por outro ângulo e temos a chance de fazer diferente.
      Abraços!

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  7. OI BIA!
    ADOREI TUA POSTAGEM, ESTE É UM ASSUNTO QUE GOSTO MUITO ACHO QUE PARA NOS CONHECERMOS TEMOS DE DAR ESTAS PARADAS NA MENTE E OUVI-LA E COMO EM TEU TEXTO NOS MOSTRA, TOMARMOS AS "RÉDEAS" DELAS E ISSO É POSSÍVEL.
    ACHO QUE UMA BOA TÉCNICA É TERMOS EM MENTE QUE NOSSAS ATITUDES FORAM TOMADAS COM A MELHOR DAS INTENÇÕES E QUE NEM SEMPRE CONSEGUIMOS QUE DÊ CERTO, MAS, NÃO PODEMOS ENGANAR NOSSA MENTE, "TEM DE REALMENTE SER ATITUDE TOMADA COM MUITO BOA INTENÇÃO", POIS NÃO HÁ COMO MENTIR PARA NÓS MESMOS.

    ABRÇS
    -http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Zilani!
      Temos tantos pensamentos ao mesmo tempo que é difícil discernir o que nos vale e o que é uma interferência negativa... O autor defende que a intenção da autocrítica é boa, ao contrário do que sempre pensamos, pois deseja nos defender, mas que a mente tem condições de desenvolver outros caminhos mais suaves e positivos para nos conduzir. E que essa escolha está à disposição de qualquer ser humano, a qualquer momento, basta ter um pequeno esforço disciplinar.
      Podemos mentir para nós mesmo por um tempo, mas esse é o tipo de mentira que não vai longe e sempre que a verdade se mostra dá uma sensação muito desconfortável... evitar olhá-la de frente é uma fuga e raramente é a melhor saída. Há atitudes tomadas com boa intenção e há outras que usam como desculpa a boa intenção, penso que a isso você quis se referir quando fala sobre verdade e mentira.
      Abraços!

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  8. Gosto da maneira como você realça em seus textos, o quão importante é o nosso autocontrole. Podemos nos autoprogramar, e com uma dose de otimismo + prática, "jogamos" com o nosso cérebro, até conseguirmos o resultado esperado. Sem sombra de dúvidas, os mecanismos da nossa mente são fantásticos.

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    1. Olá, B. Certamente o que me fascina no assunto mente é realmente as possibilidades fantásticas que ela oferece. De fato o autocontrole propicia melhor qualidade de vida sobretudo em momentos difíceis de passar/superar.
      Por outro lado viver o tempo todo de autocontrole é cansativo. Tenho receio de qualquer tipo de "jogo" (sempre me passam uma impressão de sentimentos rasos) e procuro ser muito cuidadosa entre a linha do jogo saudável (que direciona para a autoconfiança, positivismo) e a manipulação, que desprezo sempre, em relação à si ou ao outro.
      Às vezes é bom simplesmente poder relaxar, ainda tem sido raro. Abraços!

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  9. Oi Bia!
    Tento direcionar esses gatilhos de memória, mas ainda não consegui chegar no ponto certo.
    Vou tentar colocar na prática as técnicas do Paul!
    Bjssss querida e uma semana de sucesso e abençoada pvcs

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    1. Olá, Dinha!
      Também ainda estou tentando achar o ponto certo, rsrsrsrs... se é que um dia chegamos, visto que a construção de memórias e gatilhos é diária.
      Mas após usar as técnicas de Paul admito que tenho mais facilidade... tudo o que for ruim deve perder cor, sons e encolher... tudo o que for bom deve ganhar muitas cores, sons, cheiros... e assim fica mais fácil selecionar o que ficará marcado no cérebro! :) Tanto que os gatilhos que tenho mais dificuldade para mudar são os que aconteceram antes de eu aprender isso, que foi no final do ano passado. É realmente eficiente.
      Abraços!

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  10. Olá Bia como vai?
    Este artigo é excelente e mais logo vou lê-lo aqui para os meus amores;))! Acho que carecemos todos de um certo equilibrio nas nossas autocríticas.
    Hoje vim aqui para informá-la que fiz uma pausa e se Deus quiser voltarei em setembro. Bjs e até lá.
    Ailime

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    1. Olá, Ailime! Palavrinha chave de sempre, equilíbrio!!!
      Desejo um descanso especial para você e para os seus... pelo que vi a blogosfera está tirando férias coletivas em agosto, rsrsrs, bom retorno em setembro! Abraços!

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  11. Bia,
    Texto profundo! Para pensar....
    Fazer uma auto-análise avaliativa de alguma coisa requer auto-conhecimento, discernimento, para não se punir e aproveitar a conversa com o "eu" e se colocar bem numa situação que exige mais de si. Costumo usar gatilho de memoria, é como uma arma de prontidão. Outra coisa, eu sou mais fechada (misteriosa) do que minha aparencia extrovertida. Nunca digo nem falo exatamente tudo , sou um universo com buraco negro que ninguem sabe o que há lá. Com certeza é o meu lado muito observador que deixa neste ponto. Outra coisa, precisei trabalhar a avaliação crítica para evitar censuras, que seria uma parte negativa do lado mental.

    Gostei do tema abordado. Há muito o que ler, pensar e dizer.

    Bjs

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    1. Olá, Sissym! Interessantes colocações... sobre a tendência que temos para a autopunição, especialmente quem tende ao sentimento de culpa, como se nunca merecesse ser feliz. Como já comentei em outro texto aliado à isso e quase inconsciente temos uma tendência autodestrutiva, de suscitar fraquezas nos momentos mais inoportunos. Nem sempre a conversa com o "eu" é fácil, mas conseguir desenvolver a capacidade de encontrar nessa conversa respostas que nos direcionem positivamente é fortalecedor e motivador.
      Como somos irmãs, rsrsrs, também sou misteriosa e observadora, pouquíssimas pessoas me conhecem a fundo, para essas me revelo completamente. Fora esses (meu amor, minha filha...) poucos sabem de mim, de fato.
      Ter limites é diferente de se censurar o tempo todo... penso que a censura nasce muito mais das pessoas que convivem conosco e nos fazem acreditar em crenças que nem sempre correspondem à realidade do indivíduo.
      Abraços!

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  12. Bia,

    Texto muito bom, que me prendeu ao assunto e me fez refletir.
    Sou bastante serena, mas, quando a perco, tento encontrar em meu próprio silêncio. Complicado entender, mas é assim que acontece.
    Não é fácil ser totalmente equilibrada, diante do mundo de hoje. Mas, vamos tentando. Rs
    Abraços

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    1. Olá, Lucinha, como vai?
      Compreendo o que quis dizer... há o silêncio da solidão, que causa angústia, inquietação, tristeza, mas há também o silêncio do reencontro consigo mesmo, do sinal de que as coisas estão se encontrando dentro da gente, e devolve o bem estar da serenidade, quando ficamos confortáveis com quem somos e como estamos.
      Abraço!

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  13. Esse livro parece interessante, Bia. E como fazer pra recuperar a serenidade? Acho que essa pergunta vale um milhão de dólares. Estamos tão atordoados o tempo todo que anda complicado. E fico feliz que um dos seus bons pensamentos seja uma viagem feito ao estado onde vivo, por mais problemático que seja. E uma solução pra vc refletir um pouco e se acalmar é tentar ficar consigo mesmo, pensando. Bjs

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    1. Olá, Sérgio! Atualmente a sociedade privilegia a produção o tempo todo e trata qualidade de vida como se sempre merecesse estar em segundo plano... mas ainda acho que são as pessoas que acabam tumultuando o dia a dia umas das outras, rsrsrs, é um tal de um querendo ver o couro do outro, kkk, uma loucura!
      Passei dois dias inesquecíveis no Rio com quem amo, há destaque também para as comemorações de aniversário (minha e dele), lembranças tão boas, enfim... eita mulher apaixonada, kkkk! O Rio é lindo, lindo, uma delícia!
      Eu fico muito comigo mesma, trabalho boa parte do dia com o artesanato e isso me faz pensar bastante, eu gosto. Sinto bastante falta da companhia próxima das pessoas que amo, mas também sei ficar comigo mesma, procurando estar serena. Abraços!

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    2. Ah, Bia, o artesanato é uma terapia. Deve fazer pensar bastante mesmo. Admiro quem tem talento pra isso. bjs

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