sábado, 1 de agosto de 2015

Os monges e a cortesã

Dois monges estavam caminhando pela floresta quando viram uma bela cortesã às margens de um córrego inundado. como haviam feito voto de castidade, o mais jovem ignorou a mulher e atravessou o córrego bem depressa.


imagem daqui

Percebendo que a bela mulher não poderia atravessar o córrego em segurança, o monge mais velho a segurou nos braços e a carregou até o outro lado. Ao chegarem à outra margem, ele a colocou de volta no chão. Ela agradeceu com um sorriso e os dois monges seguiram em frente.

Ao relembrar o incidente inúmeras vezes, o mais jovem foi ficando cada vez mais agitado.
"Como é possível?", ele pensava com raiva. "Será que o voto de castidade não significa nada para o velho monge?" Quanto mais o jovem pensava sobre o que presenciara, mais zangado ficava e a luta em sua mente se exacerbava. "Ora, se eu tivesse feito uma coisa dessas, teria sido expulso da ordem. Isso é revoltante. Eu posso não ser monge há tanto tempo quanto ele, mas sei distinguir o certo do errado."

Olhou para o monge mais velho mais ver se ele, pelo menos, demonstrava algum remorso pelo que fizera, mas o homem continuava sereno como sempre.

Finalmente o jovem não pode mais suportar aquela situação e falou: 
- Como pôde fazer uma coisa dessas? Como pôde sequer olhar para aquela mulher, quanto mais levantá-la no colo e carregá-la? Esqueceu-se de seu voto de castidade?
O  monge mais velho mostrou-se surpreso. Em seguida sorriu com enorme bondade nos olhos:
- Eu não a estou carregando mais, irmão. E você está? 

Pare um pouco, pense, e se quiser, comente: o que o texto o (a) fez pensar/sentir?

Continuando...

Estou relendo "Você pode mudar sua vida" (não que esteja ruim, rsrsrs) e reli esse texto* após atender uma pessoa que foi muito magoada e por consequência magoou muito, no passado. Vivendo hoje em outro contexto, não conseguia perdoar, se perdoar e remoía as lembranças do que havia acontecido, acabando angustiada e travada pelo medo. Presa ao que passou não conseguia compreender que a escrita do futuro pode ser diferente, e feliz.

Vejo vários sentimentos/atitudes paradoxos e implícitos nesse conto: intolerância/generosidade; perdoar e se perdoar; medo e coragem; radicalismo/flexibilidade; egoísmo/empatia; até que ponto o comprometimento é saudável; prisão/libertação, apego/desapego, interpretações precipitadas - nem tudo é o que parece.

 Quem seria melhor:o monge aprendiz ou a cortesã?

O que você pensou ao ler pode refletir muito do que sente nesse momento. :)


*no livro o texto refere-se à lembranças amargas que precisam ser deixadas "à margem do córrego" e ao excesso de autocrítica que precisa ser controlada.

19 comentários:

  1. Oi Bia.
    Ótimo tema para reflexão, como é comum encontrar aqui.
    É certo que cada um é cada um, mas também somos tudo isso; esse misto de tudo. Num dia corajosos, no outro medrosos, intolerantes, generosos... Quem nunca magoou ou se sentiu magoado?
    Acho que a rigidez da rotina diária, muitas vezes não nos permite flexibilizar atitudes para determinadas situações e passamos a agir feito robôs, prisioneiros das regras sociais. Enfim, bom senso é essencial sempre.

    Abraços e um lindo domingo.


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    1. Olá, Cris! Interessante seu ponto de vista... a rigidez da rotina diária, ausência de valorização, injustiça, insensibilizam aos poucos o ser humano, até chegar ao ponto da frieza e do vazio.
      Saber deixar para trás as mágoas - causadas ou sentidas - é primordial para recuperar a alegria de viver.Não se trata de esquecer, se sim de pensar sem sofrer.
      Abraços!

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  2. Um lindo texto pra reflexão! Levo comigo pra ler com mais calma!Hoje foi o dia da viagem de volta!pena, acabou! bjs, chica

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    1. Olá, Chica! Tão bom viajar, não? É gostoso voltar para casa, mas sempre fica aquele gostinho de "quero mais". Abraços!

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  3. Um texto muito bom que precisa efectivamente de uma boa reflexão. O monge mais novo, mostrou com a sua atitude que nunca será um homem feliz, nem um bom monge, pois o que interessa na religião, é o que se pensa, e como se reage às situações que a vida apresenta, e não o levar à risca o que está escrito. Cristo mostrou-nos isso várias vezes nas suas parábolas.
    Um abraço e bom domingo

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    1. OLá, Elvira. De fato, você trouxe a perspectiva religiosa ao texto, e quantas pessoas fazem essa confusão, levantam as bandeiras morais dos dogmas religiosos mas na prática esquecem de aplicar justiça, generosidade, empatia, discernimento... esquecem que acima de qualquer regra está o amor pelo ser humano. Tanto que um dos maiores valores ensinados por Cristo foi o da compaixão. Abraços!

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  4. Verdade amiga acho que o peso da
    consciência é que faz com que carregamos
    nossos pesos e pecados, uma bela postagem

    Bjusss
    Rita

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    1. Olá, Rita, é verdade. Porém continuar a carregá-los não ajuda em nada, pois não apaga o que passou e continua perpetuando o sofrimento através de pessoas que não se sentem merecedoras da felicidade. Com mais amor, penso que a humanidade aprenderia a se perdoar com maior habilidade e com isso, evitar cometer novamente os mesmos erros.
      Abraços!

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  5. Bia, eu acho uma triste discriminação, se o monge não a carregasse no colo ela morreria afogada e o monge aprendiz que bate no peito a deixaria morrer deveria ser expulso do colégio santo.
    Beijos
    Dorli Ramos

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    1. Oi, Dorli!
      Sim, bem colocado, a discriminação é latente nesse texto, onde o monge jovem, cego pelo preconceito, não enxergou a bondado no gesto do monge experiente.
      Abraços!

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  6. Bom dia Bia, um texto muito bom para reflexão.
    O que me tocou essencialmente foi para já o tom crítico do jovem monge em relação à atitude do monge mais velho que agiu de forma correcta.
    O que leva o mais jovem a ter uma outra visão do assunto?
    Apenas e só uma extrema insegurança talvez baseada na falta de convicção com que abraçou a sua relogiosidade.
    Penso que este caso me faz lembrar os casamentos sem amor e que jamais darão certo.
    Se o jvem não se questionar interiormente para alterar seu modo de pensar vai criar à sua volta um clima de mal estar e jamais exercerá seus votos com fidelidade pelo menos nos seus julgamentos. Tudo nele será sempre questionável talvez também pelo cumprimento rígido de suas promessas, mas que não o levarão a lado nenhum. São essa atitudes que estarão a afastar muitas pessoas das práticas religiosas.
    Bia decerto já me estou a desviar do centro da questão., mas penso desta forma.
    Beijinhos e uma óptima semana.
    Ailime

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    1. Olá, Ailime!
      Independente da mensagem do texto, ler o que escreveu me fez pensar que quando somos mais jovens e imaturos temos essa tendência à sermos mais críticos, duros, intolerantes... penso que há duas vertentes... pessoas que com o passar do tempo tornam-se mais duras e egoístas ainda, e outras tornam-se mais macias, flexíveis... depende do ponto de vista que levamos dos aprendizados da vida. Esses dias li uma reportagem de capa no MSN local dizendo que para um relacionamento ser feliz não se pode perdoar... Como assim? Então um relacionamento feliz é feito a base de pressão, cobranças, intolerância a erros e promessas por algum motivo não cumpridas? Desse jeito estou ferrada, rsrsrs, pois passei uma vida tentando aprender a ser paciente, gentil, compreensiva e generosa. Nem li a reportagem pois quebraria os alicerces das minha convicções, muito mais baseadas no amor.
      Esse pensamento vai de encontro à sua interpretação, muito bem vinda, pois a intenção é essa mesma, que cada um traga seu ponto de vista. Concordo contigo que um relacionamento baseado sobretudo na promessa, no comprometimento, tende a se desgastar com o tempo. Promessa e comprometimento precisam ser uma consequência natural do amor, caso contrário, se o amor não for a base, com o tempo, desperta sentimentos vazios.
      Abraços!

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    2. Oi Bia!

      Fiquei a pensar se seguir a risca o que por vezes acreditamos ser o certo nos faria bem por muito tempo.Deixar alguém pra trás seja em que determinadas situações nos faria ficar bem com o nosso coração, com a nossa paz interior?

      Lembrei e uma determinada pessoa que me falou que não doaria seu sangue pra salvar nem os próprios filhos pq vai contra sua religião, enquanto que o próprio Deus deu seu único filho pra ser massacrado e humilhado por todos.

      O monge agiu com o coração,no meu ver o jovem monge sentiu inveja por não ter tido a humildade do seu mestre,precisamos ao menos um pouco de humildade do nosso mestre, pra agirmos com humildade diante do nosso semelhante.

      Lindo texto!

      Obrigada pela visita Bia, e quase não encontro seu blog rs

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    3. Olá, Mary!
      Muito interessantes suas colocações... em alguns momentos temos certeza de que determinadas atitudes são as melhores, e acontece de depois percebermos que já não cabem mais. Talvez justamente por falta de humildade muitos insistem em caminhos/atitudes/modelos desgastados, pois muitas vezes a mudança soa como um fracasso, quando na verdade, é nobre.
      O exemplo do segundo parágrafo ilustra muito bem o quanto o radicalismo cega os bons sentimentos de uma pessoa.
      Também vejo inveja do monge jovem, e medo de seguir seu coração, protegido por um escudo de um comprometimento vazio de significado.
      Abraços!

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  7. Oi Bia,
    Já coloquei a Barra de seguidores
    Uma linda
    Dorli Ramos

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    1. Olá, Dorli, já, já darei um pulinho lá. Abraços!

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  8. Oi Bia!
    Eu vejo que cada um tem uma maneira de olhar e de julgar, e o mal julgador, sempre acaba se corroendo.
    Bjssss querida e uma semana abençoada p/vcs

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    1. Olá, Dinha! O problema não é o mau julgador ficar se corroendo - também acho que lá no fundo é o que acontece, e sim prejudicar outras pessoas por conta de sua mesquinhez.
      Abraços!

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  9. Olá, querida Bia
    Hoje estou justamente a refletir sobre isso e até fiz um post aqui:

    http://www.espiritual-pentecostes.com.br/2015/08/minha-religiao-e-humanizadora.html

    Tudo a ver com o que leio agora no seu...
    Respondi o seu questionamento no meu lá no final...
    Bjm fraterno

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