sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O frei capucinho e sua bênção


imagem daqui

Há um ano, após meses bem conturbados e uma rápida situação alicerçada por pequenas atitudes e  palavras, comecei a me questionar se não seriam sinais sutis de que eu estava sendo insistente ou inconveniente. Durante um festejo santo local pedi uma bênção individual solicitada a um frei capucinho que segundo minha mãe "tinha uma bênção forte", kkkk.

Parei em sua frente, ele me perguntou qual era meu problema e eu disse, "preciso tomar uma atitude muito difícil para mim e preciso de força". Ele segurou minha mão com calor e firmeza, colocou a outra na minha cabeça e após murmurar algumas palavras, disse: "em nome do Espírito Santo você terá a resposta que procura".

Comecei a chorar compulsivamente e voltando ao banco minha mãe perguntou, "vai ganhar uma bênção e vem chorando?" kkkkk... ela não sabia que o que me tocou foi ele ter respondido algo que não perguntei (notem as falas). Leu o que se passava no meu coração, que era a  dúvida se eu  estava agindo certo ou errado, se deveria ir em frente, se deveria me afastar... no fundo, eu não queria tomar nem receber nenhuma atitude, que com certeza me mataria por dentro.

Por uma semana me emocionei lembrando as palavras do frei. Lembrei de um prazo interno que eu havia me dado meses antes contado aqui que havia esquecido, zerei as más lembranças na passagem de ano e resolvi esperar.

***

Esse ano, no domingo e no mesmo festejo, minha mãe novamente foi pedir uma bênção individual a outro padre e me perguntou, "não vai pedir uma bênção?", E naturalmente veio uma resposta que nem eu esperava: "não, mãe, meu ano foi cheio de bênçãos e eu só vim aqui hoje agradecer".

Além das bênçãos que tive financeira e profissionalmente, pessoalmente tive momentos ótimos, uma viagem que consolidou irremediavelmente algo muito forte aqui dentro, atitudes e palavras que mostraram o quanto uma pessoa amadureceu, pode acertar e me fazer acreditar de novo e sobretudo, que eu não estava na direção errada. Senti uma proximidade que havia deixado de sentir,

Já imaginaram se eu tivesse escolhido endurecer meu coração? O quão infeliz o ano teria sido?

Hoje não sei muito bem o que fazer, o quanto esperar ou até onde posso sonhar - fundamental para mim. Sinto falta de escolher a almofada do sofá com alguém perto, de ter vivido algumas coisas junto e medo das angústias de final de ano onde presenças físicas fazem muita falta. Porém o mais importante é ver o quanto o ano foi especial, o quanto me senti e tentei fazer sentir especial.

Enquanto espero uma direção meu sofá continua sem almofada, kkkkk, tento esquecer a proximidade do final do ano e sobretudo, continuo confiando em Deus e na Sua capacidade de nos falar através de pessoas e situações.

E me pergunto como há pessoas que não tem fé, ou que não conseguem ouvi-Lo.

Você tem alguma história pessoal sobre ouvir a Deus?

16 comentários:

  1. Oi Bia!
    Linda a sua descrição da "benção" recebida pelo frei. Existem pessoas abençoadas que verdadeiramente são enviadas de Deus. Fico feliz em saber que com essa benção vc se encontrou.
    Bjsss amiga e um belo FDS p/vcs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Dinha!
      A bênção foi de fato um presente muito marcante pra mim. Acredito sim que podemos receber mensagens de Deus, não só através de padres ou da igreja, mas de pessoas que surgem em nosso dia a dia sem explicação. Sempre que fui sensível à essas falas, minha escolha a partir dessa escuta sempre foi acertada.:
      Abraços!

      Excluir
  2. Muito bonita a sua história. Deus nunca falta a quem confia n'ELE.
    Em tempos sofri muito. Tanto que quase reneguei a fé. Estava muito revoltada, pois desde menina, que sonhava ser mãe, e apesar de todos os tratamentos que fiz não conseguia. Um dia por causa do trabalho, tive uma discussão com uma colega, que era uma irresponsável e deixava sempre parte do trabalho dela, para eu ou outra colega fazer. E ela sabendo do meu desgosto disse-me " Deus que te assinalou, algum defeito te achou. Na minha terra, as figueiras que não dão fruto, arrancam-se e queimam-se"
    Comecei a pensar naquilo, deixei de comer, de dormir ao ponto de ter sido internada e ter estado 8 dias a dormir.
    E não é que pouco tempo depois de sair do hospital, o Senhor pôs nas minhas mãos um bebé de 3 meses de idade? A mãe abandonara-o, e nós adotámo-lo. Tem hoje 35 anos e já nos deu uma netinha que tem agora 6 anos.
    O tempo de Deus não é o nosso tempo e hoje agradeço-lhe todos os dias da minha vida.
    Um abraço e bom fim de semana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Elvira!!!
      Nossa, que história a sua! Apesar da discussão que tiveram, nada justifica o tamanho da maldade da fala da sua colega... mexer com o desejo de ser mãe não realizado por motivos alheios à sua vontade de fato foi um golpe muito duro, imagino o quanto deve ter sido difícil para você!
      Que bom que Deus não lhe faltou e enviou uma criança para preencher a sua vida com alegrias! :D
      Deus nunca me faltou quando parei para ouvir com cuidado... e sempre que penso nessa minha história penso que há um sentido nisso tudo e que Deus só pode querer nosso bem e nossa felicidade. Acredito que há pessoas que não seguem a voz de Deus por não conseguirem confiar o suficiente, ou porque em algum momento confiaram e sofreram, sem compreender que até no sofrimento há um sentido maior.
      O importante é que nessa história o amor prevaleceu! :) E na sua também! Obrigada pela partilha!
      Abraços!

      Excluir
  3. Tocou-me o seu relato, Bia.
    Eu também sou crente, embora de forma nada convencional. Numa coisa eu me senti cúmplice no que relatou, foi na decisão de esperar, de sentir algo mais subtil, mais profundo, até tomar uma decisão.

    Um bom final de semana :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ac!
      Ler o que escreveu me fez lembrar de uma frase do filme Aventuras de Pi que gosto muito, que diz que "a fé é uma casa de muitos cômodos, onde também há espaço para dúvidas".
      Não importa a maneira como acreditamos, acreditar já é o suficiente, toda forma de crença é válida, rsrrss!
      Embora acredite que não teria condições se tivesse que superar mais uma situação similar à que passei, sinto que hoje o melhor a fazer é continuar confiando e esperando, até porque está tudo indo bem...
      Abraços!

      Excluir
  4. Boa tarde Bia,
    Fiquei emocionada com o seu testemunho da bênção!
    Acredito que Deus tem planos para nós e que o tempo d'Ele não é o nosso como diz acima a Elvira.
    Andei durante alguns anos afastada da igreja (ainda em solteira e já depois de casada) e passei por momentos difíceis e um casal amigo do meu marido direcionou-me para um sacerdote em Lisboa, que comigo teve uma conversa muito profunda e depois me deu a bênção! A partir daí a minha vida mudou radicalmente! Eu andava alheada e foi como se um véu que me envolvia se tivesse rasgado. Regressei à igreja e não mais deixei de seguir Jesus encaminhando os meus filhos também! O Espírito Santo agiu em mim!
    Deus tem-me dado imensos sinais do seu amor misericordioso!
    Continue confiando em Deus que Ele logo lhe dará a almofada rsrsrs que merece!
    Beijinhos e um ótimo domingo.
    Ailime

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Ailime!
      Já tive momentos de ausência de fé onde a descrição do véu me pareceu muito apropriada. Penso que a ausência de fé traz uma amargura difícil de resolver. Hoje vou à igreja com pouca frequência, mas trago a fé em meu coração sempre. Há dias em que fico decepcionada com Deus, rsrsrs, mas não dura muito tempo... tudo tem um sentido e devo ser humilde para aceitar isso. Hoje em dias minha vida está muito melhor do que há um ano atrás e só posso agradecer a Deus pela bênção da mensagem recebida e pela capacidade de ouvi-la, discernir e repensar. Nem tudo o que vemos é o que parece.
      Mas não se engane... já encontrei a almofada que mereço há muito tempo, hahaha, disso não tenho duvidas... ninguém teria mais afinidade e ninguém me faria mais feliz! E independente de qualquer coisa que aconteça, não mais o deixarei sozinho.
      Obrigada por sua partilha... tenho certeza que no reencontro da fé ela se solidificou ainda mais forte!
      Abraços!

      Excluir
  5. Bia, vom agradecer todos carinhos por lá! Como vistes, estou fora( apenas o canteiro da vida aberto, mesmo assim só de vez em qdo postarei!) ! Estamos com o Kiko em tratamento de quimioterapia e cuidados.Assim, resolvi focar nisso e olhar pra CURA que esperamos e almejamos! Vamos firmes e confiantes! bjs, obrigadão! INTÉ! chica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Chica! Meu pai teve câncer de próstata ano passado, não foi necessário quimio mas cirurgia sim. Depois dos cuidados se recuperou totalmente e hoje está curado, fiquemos confiantes na recuperação do Kiko! Estou torcendo muito por vocês e já disse um médico que manter-se confiante corresponde a 50% do tratamento!
      Abraços, fiquem bem!

      Excluir
  6. Olá, querida Bia
    Uma certa vez, estando eu morando numa outra Cidade muita linda que eu amava residir, recebi uma pista divina que aconteceu... veio em forma de imagem e eu procurei escutar o que Ele me estava a dizer... deu certinho...
    Sabe, Bia, Ele fala e a gente precisa ouvir porque é certíssimo o que Ele nos adverte ou mostra...
    Senhor ensina-nos a Te ouvir sempre!
    Bjm fraterno

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Rosélia!
      O que falou me faz pensar como é interessante quando conseguimos manter o coração aberto e a sensibilidade apurada... isso permite que possamos discernir entre aquilo que queremos ou pensamos ver e aquilo que realmente precisa ser compreendido. É a distância que leva à confiança para que haja acerto e não, erro.
      Abraços!

      Excluir
  7. Oi Bia!
    Estou passando p/desejar uma semana de paz e abençoada p/vcs
    Bjsss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Dinha, obrigada, para você também! :) Abraços!

      Excluir
  8. Olá Bia,

    Muito bacana você ter tido este reconhecimento das tantas graças que já recebeu, a ponto de desejar apenas agradecer ao invés de pedir ainda mais bençãos.
    Penso que há coisas que somente a vida resolve, por mais que desejemos resolvê-las no nosso tempo. O que tiver de ser, será. Nunca saberemos o que seria melhor para nós. Às vezes, alguns sonhos não se realizam na forma que desejamos porque Deus pode estar intercedendo a nosso favor. Viver o que a vida nos oferece, com intensidade, sem maiores planejamentos, também pode ser muito gratificante.
    Continue confiando em Deus, que sabe o que é melhor para cada um de seus filhos.
    Estou sempre atenta aos recadinhos de Deus, que me chegam de formas variadas.

    Beijo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Vera!
      Costumo agradecer até quando as coisas não vão bem, rsrsrs, esse ano então o merecimento do agradecimento é maior ainda! Procuro também sempre olhar e valorizar o que é bom.
      Vivo a vida com muita intensidade... digo que se o dia tivesse 48, 72 horas, viveria com a mesma intensidade cada minuto. Talvez por esse motivo a sede de viver ainda mais e a sensação de que o tempo está passando rápido demais.
      Acho que o tempo nos ensina a ser pacientes - caso contrário nos tornamos amargos, reclamões... o problema do tempo é quando começa a esbarrar em necessidades e limitações humanas. Penso que o que acreditamos valer a pena merece a espera, por outro lado lidar com essas limitações e necessidades é um desafio que me empenho bastante em manter sob controle. Espero de verdade conseguir pelo tempo suficiente.
      Concordo contigo, enquanto há confiança em Deus (e em quem importa), há força e esperança.
      Abraços!

      Excluir