domingo, 4 de setembro de 2016

As mídias e a poesia de Marina Colasanti

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Vinte alunos entre 4 e 5 anos. A atividade pedia para desenhar o que as crianças fazem com os pais nos horários de folga. Resultado: 13 assistem televisão, 2 jogam no vídeo game ou celular, 2 dormem - e só (???). Restam três crianças "normais": uma cozinha com os pais, outra joga bola, outra passeia. Não é de admirar que no início do ano letivo não sabiam cantar, ouvir uma história e nem mesmo brincar, a única atividade que eles conheciam era... assistir tv, rsrsrs. No mínimo, preocupante. Das perdas irrecuperáveis que a ausência de infância provoca, as que mais me angustiam são as de alegria, gentileza e sensibilidade.




Mídias são recursos de comunicação e integração - tv, vídeo, computador, celular, rádio, telefone, livros, áudios, músicas, jogos - e todos são muito bem vindos na educação, assim como as mídias sociais - blogs, Facebook - quando bem utilizados.




Por exemplo, um mal uso do Facebook é a especulação e invasão dos limites alheios.  Recentemente, mesmo quase não estando por lá, usei a ferramenta de restrição para alguns, e para os que não compreendem a comunicação sutil do avanço dos limites da amizade, usei exclusão e bloqueio, que é para não deixar dúvidas da distância que quero de pessoas inconvenientes. Impressionante como há quem confunda alegria, cuidados pessoais e simpatia com liberdade ou disponibilidade!  Eu, hein!




Quando fiz pós em Mídias os professores deixaram muito claro que o acesso à grande gama de material disponibilizado precisa ser introduzido e utilizado na sala de aula, pois só assim aprenderão a usá-los de maneira adequada. O aluno saberá manipular um livro sem estragá-lo; dançar uma música respeitando o espaço do outro; saberá ouvir quando o outro falar; compreenderá que compartilhar em redes sociais não é o mesmo que expôr sua vida, invadir a vida alheia ou desrespeitar o outro; que há  APP maravilhosos para estudo com uso em celular ou tablet. E assim por diante.




Os pais questionam o uso desses materiais na escola muitas vezes sem conhecerem sua importância social e intelectual, mas são os primeiros a usarem as mídias como meio de controle de língua, rsrsrsr. Sei que há também professores que não se apropriam da necessidade do uso desses materiais como devem. Talvez crianças bem orientadas quanto ao uso e com uma infância bem vivida cresçam e saibam respeitar o espaço do outro sem que sejam necessárias ferramentas de restrição. Mas claro, os pais precisam saber usar as mídias saudavelmente, como ensinar o que não se conhece?




Uma das mídias mais conhecidas e aceitas é o livro, pois ainda estamos na "cultura do papel". Particularmente ainda prefiro ler um livro impresso do que no celular, por exemplo. Hoje eu trouxe as pitadas preferidas que encontrei esses dias enquanto buscava um novo livro para ler para meus pequenos chamado "Classificados e nem tanto", de Marina Colasanti. Um pequeno livro, com pequenos poemas, que pode ser uma mídia muito bem vinda não só para quem vive de verdade a infância dos filhos, mas também para quem compreende o valor de alimentar para sempre a vida com poesia e simplicidade. :)



o livro: tem mais poesias aqui

grand finale





24 comentários:

  1. Que beleza de post! Faz mesmo pensar que crianças e adolescentes não saibam o que é um convívio de família, só vendo tv, coisas assim. Que pena! Há tanto a ser partilhado nos encontros e no dia a dia. Ainda que sejam sutis as mensagens pelo exemplo. Gostei de ver e o livro deve ser ótimo!beijos, obrigadão pelo carinho,chica

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    1. Olá, Chica, como vai?
      Na realidade o problema não é o acesso às diversas mídias que exitem hoje em dia, mas o mau uso delas. Como bem lembrou, jamais podem substituir as partilhas do dia a dia, se assim acontece, é porque há algo de errado no contexto do cotidiano.
      Penso que falou bem sobre os exemplos, se os pais não tem habilidade para tornarem sua vida interessante, curiosa, divertida, como ensinarão os filhos a serem criativos?
      Abraços!

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  2. Bia, gosto deveras dos seus posts, embora muitas vezes não comente. O de hoje retrata uma realidade muito pertinente, que tem a ver com a educação.
    Educar, para quê? O que queremos alcançar? O mundo em que vivemos "inventa", a cada momento que passa, um novo desafio. E a grande questão, irremediavelmente ideológica, por várias razões, prende-se com o seguinte: estarei eu à altura do desafio? (Também sou professor, informo)
    Muito haveria por dizer, assim o exige o tema, mas creio que isso vai muito para lá do espaço de que desfrutamos. É que, num desejável frente a frente, aberto a todas as pessoas bem intencionadas, o Atlântico continua a não garantir esplanadas viáveis. :)

    Um abraço :)

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    1. Olá, Ac, obrigada, que bom que gosta, é sempre estimulante saber!
      Que interessante questão! Tem razão, a vida cada vez mais acelera a velocidade dos desafios, então vejo como uma faca de dois gumes: ensinar as crianças a saberem lidar com eles, e como professores, nos habilitarmos para também conhecermos os desafios, sabermos como lidar e assim, podermos ensinar com qualidade. Além da família, os professores buscam se esquivar do uso das mídias para não terem que superar o desafio de conhecê-las, como se essa fosse uma fuga possível.
      Abraços!

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  3. Anda-se terceirizando tudo, inclusive a criação e interação com os filhos, os professores já perceberam isso a muito tempo, agora, as mídias eletrônicas chegam para somar ao arsenal escapista dos que sonegam afeto e responsabilidade, pondo "babás tecnológicas" para preencher o vazio de humanidade. Até que um dia, a realidade confronta os desconhecidos pais e filhos.

    Um abração e uma boa semana.

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    1. Olá, Apon, é verdade, o confrontamento chegará, quando a imaturidade e inabilidade emocional dos filhos repercutir na vida dos pais.
      Em um curso uma professora disse que hoje em dia é muito legal ser criança pela gama de materiais de acesso que temos à disposição, e é verdade. O problema não está na tecnologia, que é fantástica, mas nessa troca que citou, de afeto, carinho, convívio, toque, olho no olho, conversas, por eletrônicos.
      Outra palavra que me chamou a atenção em sua fala foi "responsabilidade". É impressionante como cada vez mais os pais se eximem de suas responsabilidades como educadores e procuram delegar a quem quer que seja.
      Abraços!

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  4. Muito bom! Também gosto do papel... do seu cheiro...
    Um abraço

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    1. Olá, Paulo, para leituras ainda considero papel imbatível! Abraços!

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  5. Olá, Bia,boa noite, tive a oportunidade de ler o excelente "Classificados e nem tanto", de Marina Colasanti .Verdade, o cheiro do livro em papel não tem igual!
    O 'cenário' descrito inicialmente: sem sombra de dúvida, preocupante,pois, a melhor fase na vida de uma pessoa é a infância,para a sua formação cognitiva, "alegria, gentileza e sensibilidade " e esta deveria ser aproveitada plenamente, longe de muita tv, game, celular, mídia e se necessário,conforme dito logo abaixo, somente como apoio adicional e não prioridade, pois, tudo de qualquer forma precisa ser introduzido e utilizado, para ao menos assim aprender a usá-los de maneira adequada.
    Diante disso, torna-se fundamental que os
    envolvidos, tenham pleno conhecimento e que estejam atentos aos exageros e às ferramentas de restrições.
    De alguma forma as mídias, tv, game, celular, tecnologia veio para ficar. Claro que alguns não tem o bom senso da boa utilização , especulam e ocupam espaço alheio.Mas, é bem isso mesmo, seja em mídias, seja na escola , no ambiente de trabalho, não há como escapar de quem parece fazer de tudo para nos tirar do sério. E é aquilo que até já escrevi em meu blog, "para o que me incomoda, um basta já" e compartilho com a sua atitude.
    Enfim, muito bem colocado,ainda que o exagero no uso , possa ser uma condição comum encontrada , geralmente não costuma ser fácil fazê-la -a criança,o adolescente- mudar de ideia, principalmente, se basearmos que as atitudes dos adultos, em relação ao tema, não são , em sua maioria, grandes exemplos para as crianças e também, "como ensinar o que não se conhece?"...
    Bela postagem, emoldurada com as suas "pitadas preferidas" e,dentre, a minha é :"Ninguém se esqueça: caiu o trono do Rei quando a coroa subiu-lhe à cabeça.
    Feliz semana,belos dias,abraços!

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    1. Olá, Felis, um livrinho fantástico para fazer pensar!
      Sim, é isso: quanto mais diversificada for a gama de materiais apresentados e manipulados por uma criança, tanto mais rico será seu repertório, o que não significa que podem substituir bens maiores como carinho, afeto e trocas.
      Pais conscientes certamente não seriam passíveis de restrição pois não haveria necessidade disso, bem como saberiam utilizar a restrição nos filhos em relação ao inadequado. De umas duas semanas para cá uma aluna minha passou a dormir todos os dias na aula, até que o pai contou que ela ficava assistindo tv de madrugada com o irmão mais velho. E cadê os pais, para dizerem que isso estava errado? Precisou a escola chamar e dizer? É por aí...
      "Para o que me incomoda, um basta já" - ótima frase, rsrsrs. Não tenho paciência, Felis, é algo que me tira do sério, perceber especulação, comentários dúbios ou alguém querendo satisfações da minha vida. A quem pertenço compartilho tudo naturalmente e com prazer - com minha filha, com o amor, os amigos, e não admito que alguém com quem simplesmente sou agradável e aceito um convite de amizade no Facebook ache que faz parte desse círculo de pertença, rsrsrsr. Corto sem dó!
      Pais, professores e comunidade precisam compreender que a tecnologia é uma realidade cada vez mais dominante e que o mínimo que podemos fazer pelas crianças é aprender a usá-las bem para sermos os melhores exemplos.
      Essa pitada do rei é um boa frase para se carregar na memória, nos mostra a necessidade de manter a humildade sempre. As minhas preferidas são: a frase do peixe e as frases de vela, rsrsrs.
      Abraços!

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  6. Bia, impressionante, não é?
    Que de todos esses meninos, apenas 3 tenham noção de " tempo livre" nao dependente das novas tecnologias. É uma pena que os educadores ignorem que existe vida para além dos videojogos e da televisão.
    Obrigada pelos comentários sempre tão especiais.
    Beijinhos

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    1. Olá, Nina!
      Os educadores não estão dispostos a aprender como podem usar os recursos midiáticos, sem perceber que ignorar esse tipo de material é o mesmo que tapar o sol com a peneira. As crianças aprendem a usá-los, de um jeito ou de outro, e nem sempre da melhor forma.
      Abraços!

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  7. Oi Bia, bom dia!
    P/minha felicidade no condomínio onde moro ainda existe bastante verde, parquinho p/as crianças brincarem e local p/que joguem bola ou outras atividades com a mesma, e uma vez por mês a churrasqueira (local p/festas) é reservada p/reunião e festinha p/elas. Quando chego na janela fico olhando o quanto é importante essa interação das crianças com o verde, com a terra e principalmente com as outras crianças.
    Noto também que na maioria das vezes as crianças são levadas a esses espaços pelos avós e fico pensando se com os pais teriam a mesma liberdade, já que esses pertencem mesmo a geração dos celulares (24hs por dia kkk), dos faces, dos instagrans e outras inutilidades "ÚTEIS" (contraditório o que coloquei né? kk
    Bjssss e uma semana muito abençoada p/vcs

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    1. Olá, Dinha!
      Interessante em seu condomínio fazerem uma festinha mensal para as crianças! Eu também moro em um condomínio com bastante área verde e a criançada faz a festa. Minha filha sempre lembra o quanto sua infância foi feliz pelo tanto que brincava por aqui! A única coisa que me preocupa é que tem pais soltando sozinhas crianças muito pequenas, com 1/2 anos de idade, como se a região fosse o quintal de sua casa, um imenso perigo, visto que sempre tem trânsito de veículos aqui. Mais uma irresponsabilidade dos pais!
      Sua fala sobre o convívio com os avós me fez lembrar o último livro do Içami Tiba que fala justamente da importância das crianças conviverem com os mais velhos, talvez porque ainda conservem visões da vida que são importantes e que os pais, não tem mais.
      Essas inutilidades de fato são úteis quando bem utilizadas, sou muito a favor delas sempre! Sem elas não estaríamos conversando, rsrsrs!
      Abraços!

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  8. Bia, voce escreve! É uma delicia de ler sem dizer que tem um dom que leva a curiosidade do leitor de chegar na proxima frase!
    Sobre o FB, eu tambem ando cortando asas e outras aparando.
    A TV que já mostrou muito material improprio, que penetra nas casas e introduz conceitos, tem mostrado preocupação com o bem estar social, falando por exemplo de educação, bullying e gentilezas. Penso que as escolas devam ter aulas sobre ética.
    É importante valorizar o ser humano em sua totalidade.

    Beijinhos

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    1. Olá, Sissym!
      que delícia ouvir um elogio desses sobre minha escrita!!! Sem dúvida, motivador, rsrsrs! :D
      "Sobre o FB, eu tambem ando cortando asas e outras aparando." Perfeito! E sem dó!
      Concordo contigo, mas as aulas de ética começam, sobretudo, com uma postura ética do professor. Muitos deixam as salas para espiar ou fofocar com outros sobre a vida alheia... como cobrar das crianças?
      Sem falar nas atitudes excludentes, ou de preconceito, posturas arraigadas... é de lascar! O professor é um dos profissionais que mais precisa de atualização e flexibilidade, pois as crianças tem modificado o perfil muito rapidamente.
      Abraços!

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  9. Gostei do seu post e gosto imenso da Marina, mas não li este livro. Vou anotá-lo. A tecnologia quando mal utilizada causa grandes danos à sociedade.

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    1. É dos danos que tenho medo... são pouco passíveis de retorno. Abraços!

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  10. Bia querida hj passando rapidamente
    pra saber se já recebeu o presente
    me avisa qdo viu bjussss volto com mais tempo
    Rita

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    1. Olá, Rita! Ainda não recebi o presente, assim que chegar, te aviso! Abraços!

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  11. Bom dia Bia,
    Não a esqueci não...Gosto de saborear os seus artigos com calma e disponibilidade.
    Este artigo é muitíssimo interessante e importante como alerta (e só prova a excelente profissional que é) nos dias de hoje em que as crianças se vêem privadas de ar livre, de regras, de educação. No fundo há como que um abandono e as novas tecnologias são como que " toma lá, não me aborreças:)). Aqui onde moro custa-me imenso ver as crianças nos shoppings "enfiadas" naquelas salas com os insufláveis cheios de poeira;)) enquanto os pais fazem compras, quando em redor existe a serra, jardins e mar. Há actualmente uma enorme pressão sobre os pais nos seus trabalhos e por vezes mal vêem os filhos, como aquelas duas crianças que referiu que só dormiam. É a sociedade em que vivemos, mas graças a Deus ainda vai havendo honrosas excepções.
    A Bia faz um excelente trabalho e tomara que muitas mais “Bias” consciencializem os pais e mostrem para as crianças que há outras coisas lindas na vida.
    Um grande beijinho e Parabéns pela sua enorme dedicação à profissão que abraçou.
    Boa semana.
    Ailime
    (Adorei as ilustrações com os poeminhas)

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    1. Olá, Ailime!
      É verdade, como bem lembrou, as pressões e responsabilidades profissionais cada vez mais tomam o tempo dos pais que cansados usam as mídias como um "sossega leão", rsrsrs. Na verdade é triste, perde-se um tempo precioso, a infância dos filhos, que não voltará mais.
      Creio que quando nos dispomos a fazer algo, precisamos fazer o melhor nisso. Ser professor é uma grande responsabilidade, pois estamos lidando com o desenvolvimento intelectual e social de vários indivíduos.
      Muito obrigada pelo carinho! Abraços!

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  12. Delicia de post, Bia. E ainda levantou boas reflexões e uma ótima lição. Infelizmente, a modernização tem esse lado ruim, embora os bons sejam muito maiores. Aliás, nada bom que é mal utilizado dá certo... bjsss

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    1. Olá, Sérgio!
      Acho que resumiu bem as questões quando diz que "nada bom que é mal utilizado dá certo". É verdade. De nada adianta os melhores recursos se não soubermos como utilizá-los adequadamente. Abraços!

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