domingo, 9 de abril de 2017

Os impactos da raiva reprimida

Há bastante tempo descobri que a raiva explosiva era um dos sentimentos que eu mais precisava trabalhar internamente. Conhecendo a tabela de publicada aqui, percebe-se que a raiva não é totalmente negativa pois impulsiona a uma atitude e no meu caso  creio que, quando não gerou culpa (essa sim, nociva), incentivou uma busca positiva.




Porém, há o tipo de raiva enrustida, tão ou mais prejudicial que a raiva explícita, a raiva que ferve por dentro como lava guardada em um vulcão. Arly Cravo definiu como "raiva anestésica". É o tipo de sentimento originado por traumas, rejeições, injustiça, subestimação, preconceito, desigualdade, violência, causada por pessoas com as quais não se pode travar um embate, resolver a questão ou colocar a dor para fora por obediência, respeito ou hierarquia - precisaram se submeter. Então a raiva fica guardada, parece superada, mas eclode disfarçada em atitudes, sentimentos (como inveja, ciúme, cobrança) e pensamentos.


Pode surgir do tratamento desigual dos pais para com os filhos, do chefe que humilha ou desconsidera o funcionário, da esposa ou marido que subestima e diminui o companheiro, de uma situação de revolta onde o indivíduo não pode expressar sua indignação, enfim, a gama é grande, e creio que todos já passamos por situações que a geraram e mais uma vez a diferença está em como cada um lida com ela. O pior é que é muito difícil que a pessoa reconheça em si traços da raiva anestésica.

O sentimento reprimido ferve por dentro. Alguns indivíduos conseguem elaborar, perdoar e seguir com o coração leve, porém com frequência pessoas passam a vida deglutindo sua raiva reprimida sem expressá-la explicitamente, tornando-se amargas, sarcásticas, arrogantes, insatisfeitas crônicas, e até, insuportáveis. Em alguns casos usam a bondade como uma fachada - vou fazer porque sou bonzinho, MAS... (sempre tem uma condição)  e/ou usam alguém como "bode expiatório" em quem despejam suas frustrações e expectativas.

Já conheci, vivi e convivi com pessoas assim - com uma delas convivo até hoje, por parentesco próximo. Penso que o risco é de acabarmos contaminados, desenvolvendo também a raiva anestésica. Arly ressalva a importância urgente de nos distanciarmos para que possamos tocar a vida de maneira saudável, orientando a enviar emanações de amor, o único sentimento capaz de curar as feridas que a pessoa teima em manter abertas dentro de si sem perceber o quão são prejudiciais para as pessoas à sua volta, quando não conseguem exercer os sentimentos curativos de aceitação, perdão e superação.



Ps: recomendo a quem tiver interesse no assunto o excelente vídeo de Arly Cravo ---> aqui onde ele destrincha esse tipo de perfil e orienta sobre como podemos ajudar essas pessoas - ou nos ajudar, se formos vítimas.

13 comentários:

  1. Texto forte e há raivas e raivas.... Temos que fazer um belo bloqueio pra não nos deixar contaminar, pois há aquelas que são ruminantes da raiva... Triste!Adorei te ler!bjs, linda semana,tuuuudo de bom,chica

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    1. Oi, Chica! É realmente de se pensar o que é mais nocivo, explodir ou guardar... o ideal é desenvolver sabedoria para sabermos nos expressar sem causar estragos e sem guardar mágoas.
      Estou procurando realmente informações para aprender a fazer esse bloqueio, rsrsrs, como tem gente com raiva reprimida no mundo, no serviço então tem aos montes!
      Abraços!

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  2. Oi Bia
    estava lendo e pensando, será que eu sinto essa raiva anestésica ? Decididamente não
    deve já ter sentido em algum momento da ida. Pois tem pessoas e pessoas que nos faz sair do sério. Agora ninguém mais me tira a minha alegria e felicidade.
    Dou uma isolada básica e deleto antes mesmo da pessoa ter a chance de soltar suas garras.
    Sobre o perdão, o coisa difícil de entender. Eu sempre digo, quem perdoa é Deus.
    Já tive problemas assim, da pessoa me pedir perdão por coisas que fez. Sabe que eu nem tinha percebido ? Foi pior a situação. Dali em diante fiquei mais esperta e aí sim chamou-me a atenção para o fato de que ela não se redimia, que era viciante na sua forma de lidar comigo . Fez-me muito mal. Tanto que a última vez que ela pediu perdão, eu ai sim deletei de vez da minha vida. Sem chance. A forma desse perdão era de que eu era a causadora do problema. Eu ? Então tá. Siga seu caminho e eu sigo o meu. Raiva não sinto ão. Só penso que as pessoas criam situações tristes e vão nos abraçando e envolvendo. Longe de mim! Quero Paz, e se essa Paz for solitária, não tem problema.É bem melhor viver assim, do que com pessoas silenciosamente raivosas , prontas para colocar uma pedra onde se tropece.

    bjs
    e sobre o Elo 7 achei ótima a ideia. No momento estou em transição de produto.
    Estou tão cansada das bijuterias ! Mas até o momento não veio uma inspiração para mudar.
    obrigada !

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    1. Oi, Zizi, tem razão, penso que todos sofremos de raiva anestésica em algum momento da vida. O importante você já conseguiu, superar e viver hoje com alegria, pois o que mais importa na vida é o hoje, e não o que passou, especialmente quando se fala em erros e amarguras.
      Sobre o perdão penso que se Deus mora em cada um através da centelha, então devemos praticar o perdão, pois somos uma parte Dele... nada fácil, mas se olhamos o perdão pelo prisma libertador, constatamos que vale a pena. Eu já vivi momentos incríveis que não teria vivido se não tivesse perdoado. Também é o que me permite manter o coração leve e amoroso, mas cada tem esse exercício em si à sua maneira.
      Fiquei pensando na situação que citou. Difícil quando as pessoas culpam outras pessoas por situações que elas mesmas cativam, tornam responsável o outro (como eu disse, um bode expiatório) ao invés de assumirem a responsabilidade por sua vida. Faz bem em não guardar raiva, pois a maior prejudicada seria você, e faz bem também em se afastar, pois pessoas assim não conseguem enxergar os próprios erros e não valorizam quem tem boas intenções por melhor de si que você dê.
      "É bem melhor viver assim, do que com pessoas silenciosamente raivosas, prontas para colocar uma pedra onde se tropece." É muito difícil conviver com pessoas que tem o prazer de dizer que nada dará certo ou que nenhuma iniciativa é boa o suficiente e pior se isso vier disfarçado em pele de cordeiro, porque cria uma contradição interna, então você confia e só depois, se lasca, rsrsrs. Desejo que essas pessoas encontrem paz e isso só acontece quando se tem a coragem de olhar para dentro de si e encarar seus fantasmas e seus medos, escolhendo a alegria como direção.
      Fica a dica do Elo7, espero que encontre um novo artesanato apaixonante e que a dica do site vá em frente! Se precisar de ajuda para criar a lojinha é só me avisar! :)
      Abraços!

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    2. Oi Bia, tão bom o que você escreveu !
      senti dentro de mim, a Paz que precisava, a certeza de que estou bem com minhas convicções. Seus textos e respostas sempre me auxiliam e sempre carrego comigo
      bjs

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    3. Zizi, é um grande presente saber que minhas palavras trouxeram paz para o seu coração, está aí algo que me deixa feliz quando consigo, disseminar paz nesse mundo tão cheio de turbulências e egoísmos! Obrigada por registrar, faz a diferença! Abraços!

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  3. Olá Bia,

    Ótimo artigo reflexivo! Você explicou muito bem a maioria das causas e efeitos dessa raiva anestésica (enrustida). Na verdade, desconhecia esta denominação de raiva anestésica. Já senti esse tipo de raiva em inúmeras ocasiões da minha vida, principalmente pela dificuldade de "explodir". Penso que aquele que extravasa sua raiva tende a ficar melhor consigo próprio. O problema é que tal reação pode acabar machucando alguém.
    Ruim mesmo é ficar ruminando a raiva, sem tomar nenhuma atitude para desarmá-la. A minha sorte é que não guardo mágoas, nem rancores. Posso ficar uns tempos mal, mas logo me recomponho. Se trancamos a raiva, claro que ela nos levará a transtornos físicos e emocionais. A raiva precisa ser liberada e/ou expressada e há canais para isso. Afinal, a raiva é uma emoção humana natural, que precisa ser expressada de forma sadia, o que exige exercício e aprendizado.

    Feliz Páscoa para você e família! Que seja de paz, esperança e amor!

    Beijo.

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    1. Olá, Vera, eu também desconhecia essa denominação. Quando jovem eu era questionadora - com fundamento - e repreendida, explodia, e depois a culpa era usada como meio de monopólio e isso me afetava demais... com o passar dos anos e outras experiências similares a capacidade de colocar a indignação para fora foi sendo reprimida, infelizmente em muitas ocasiões mesmo eu tendo razão. A realidade é que as pessoas são intolerantes à raiva e reagem de maneira punitiva, mesmo quem em 99% dos dias você seja um poço de doçura, rsrsrs. Por outro lado, se não temos estima ou frieza o suficiente para lidar com os impactos da raiva explosiva, precisamos desenvolver bastante maturidade para não desenvolver o ruminar da raiva, como bem citou. Como é danoso! Arly diz que dificilmente as pessoas se reconhecem nesse estado, pois acham que tem o direito de agir como agem como se fosse um preço que vida (e quem estiver por perto) tem a pagar a elas. Tremendo autocentrismo!
      "Se trancamos a raiva, claro que ela nos levará a transtornos físicos e emocionais."... Como já mencionei num passado recente quase me entreguei à raiva anestésica, até perceber que o físico mostrava suas consequências. Sou muito grata a Deus pela capacidade de transpôr esse sentimento venenoso tirando conhecimento positivo e fértil. O ser humano precisa aprender a ser paciente com seus desvios emocionais para poder colocá-los no trilho de novo com amor e alegria, afinal a vida tem momentos e pessoas difíceis, não podemos nos abandonar à mercê deles.
      Abraços, obrigada pelo carinho, Feliz Páscoa.

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  4. Me identifiquei MUITO com esse texto, Bia. Já vivi isso e ainda vivo de vezem quando. É complicado. Aliás, é mais comum do que se imagina. Sua postagem ainda serve pra refletir um pouco sobre isso tudo. Beijão e Feliz Páscoa!

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    1. Oi, Sérgio, creio que todos já vivemos com pessoas assim, e até nós mesmos já ficamos em alguns momentos da vida. É realmente complicado lidar com isso, especialmente se vem de pessoas com as quais precisamos conviver. Traz um rombo na estima, pois essas pessoas ressaltam o que temos de bom raríssimas vezes ou somente quando é do interesse pessoal. Na maior parte do tempo estão sempre insatisfeitas ou reclamando ou colocando defeito no que fazemos e pensamos ou nos mostrando o quanto somos incapazes ou cobrando algo, e usando culpa e rejeição para coibir uma reação, o que já é mais difícil com a estima suprimida.
      Penso que não podemos mudar o outro, mas podemos nos espelhar para vigiarmos como NÃo devemos ficar.
      Abraços!

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  5. Olá Bia. O seu texto serve para reflexionar sobre a raiva que muitas veces sentimos, especialmente pelas injustiças do mundo.
    um abraço

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    1. Olá, Tania, é verdade... e com isso aumentamos ainda mais o fluxo de raiva, quando seguir a direção oposta é a atitude mais sábia e produtiva. Porém é preciso bastante autocontrole e amor no coração para não se deixar dominar por esse sentimento que reprimido, torna-se venenoso. Abraços!

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