sábado, 20 de maio de 2017

Desemparedar

Esses dias, ouvindo um livro que fala sobre terapias e diversas abordagens possíveis para a cura de doenças, chamou-me a atenção um trecho muito curioso sobre o que seria a morte...


Seria simplesmente a transição de consciência de um estado para outro, afinal, o que acontece é o padecimento do corpo físico, porém a consciência permanece ativa. E o que seria a consciência? É a percepção de quem se é... Por esse motivo, quando uma pessoa esquece quem é, diz-se (ou sente-se) que já morreu, mesmo se o corpo estiver vivo. Nessa concepção, cada vez que alguém se distancia em alguma parte de sua essência, é como se estivesse colocando um muro entre sua consciência e a realidade, até que sua consciência esteja completamente emparedada.

Por outro lado, uma pessoa capaz de dissolver em si mesmo ou no outro esse muro, invisível e impermanente - desde que o concebamos assim, pois se acreditamos que é indissolúvel, a morte estará sacramentada - pode voltar a enxergar a grande beleza do processo de vida na plenitude de seu significado com a retomada da percepção através da consciência. Não por acaso, o melhor veículo capaz de dissolver os muros, é o amor. Uma concepção filosófica mas acima de tudo, bela e coerente.

Seria essa a diferença entre a morte - ou a vida, afinal?

Nelson Mandela convidou ao sentimento de vida na ocasião de seu discurso de posse, como segue:

"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.
É nossa luz, não nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?”.
Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho do Universo.
Você se fazer de pequeno não ajuda o mundo. Não há nenhuma iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros."


20 comentários:

  1. Que lindo e promove , provoca uma bela reflexão!Fico aqui imaginando aqueles que chegam à morte passando pela vida sem amor,,, Que triste.Esses creio, ficam realmente emparedados e na hora H não adianta do muro querer simplesmente se livrar..É preciso tijolo a tijolo ir removendo durante a vida!@ Adorei! bjs, obrigadão pelo carinho em todos blogs! Lindo fds! chica

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    1. Oi, Chica, que pertinente sua colocação! De fato, mais além o livro cita algo assim... essa visão dá justamente a ideia de que os muros precisam ser desconstruídos durante a existência, até porque nunca sabemos quando será a hora "h", como bem lembrou.
      Eu acredito que o amor (próprio e/ou do outro) é fundamental nesse processo, para quem estiver receptivo à ele - esse é outro ponto fundamental. Ninguém dissolve muros sem que se dê abertura para isso, não é mesmo?
      Abraços! Obrigada pelo carinho!

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  2. Será?
    Nestas coisas, sou mais terra a terra.
    Bjs

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    1. Olá, Elisabete, há tantas suposições, né? Obrigada por colocar sua opinião, a relação morte/vida ainda é um tabu, nem todos se posicionam. O desconhecido causa sempre estranheza.
      Abraços!

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  3. Olá, Bia.

    Morrer é despir o corpo físico, essa interface material, que nos permite interagir com o mundo físico. Assim, tornamos ao mundo espiritual, metafísico e ao nosso estado real, nosso eu essencial. Estamos corpo, mas, somos espírito.

    Um abraço e uma boa semana.

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    1. Olá, Apon, como vai?
      Essa visão resume bem a ideia da autora acerca do conceito de morte, um desprendimento, uma separação. Alguns autores defendem que a consciência é o espírito, a alma, a centelha, e ambos estão ligados. Há quem considere todos separadamente, e há quem considere que tudo acaba quando o corpo se vai.
      Enfim, o assunto é um mistério permeado por inúmeros caminhos, mas no fundo, penso que todas as hipóteses procuram levar ao mesmo lugar: à busca do ser humano pelo estado de felicidade e valorização da vida.
      Abraços!

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  4. Que interessante reflexão, Bia. A morte é o maior mistério da vida (irônico)e conforta pensar nisso que vc escreveu. Pq, confesso, só de imaginar que significa o fim de tudo assusta. Tomara que seja assim mesmo. Bjs e boa semana.

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    1. Olá, Sérgio, de fato é irônico, a morte é o maior mistério e ao mesmo tempo, a maior certeza... pelo menos, do corpo físico. Concordo que esse ponto de vista dá uma ideia de continuidade reconfortante. Creio que aquele que deseja essa continuidade (como nós) deve ter grande amor pela vida, não é mesmo? :) Algo longe do "descanso eterno" ou do simples fim, rsrsrs.
      Abraços!

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  5. Olá Bia
    A morte é apenas um até logo, Cristo foi preparar lugar e voltará. Ele prometeu vida eterna para todos aqueles que o recebem como Salvador. Abraços querida, o seu blog é bastante encantador.

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    1. Olá, Lucinalva, que bom ter gostado de estar aqui! Vida eterna certamente é uma visão mais otimista e significativa do que descanso eterno, e inspira em cada um a necessidade de fazer o bem pensando na continuidade e no impacto que causamos na vida do outro. :)
      Obrigada, abraço!

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  6. Boa tarde Bia,
    Uma magnífica reflexão sobre um tema que por vezes é incompreensível à nossa razão.
    Eu acredito que apenas a matéria morre. A consciência a que chamarei de alma será transportada para outra dimensão.
    O facto de pessoas estarem vivas com sua consciência inactiva não significa que não tenham consciência ainda.
    Um assunto muito complexo. Não sei se a minha abordagem foi correcta, mas penso assim.
    Um beijinho.
    Ailime

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    1. Oi, Ailime, tem razão, por ser incompreensível muitos evitam pensar no inevitável, rsrsrs!
      Muuuito interessante, você estuda mecânica quântica? Essa é a ideia defendida pelos novos físicos: "Eu acredito que apenas a matéria morre. A consciência a que chamarei de alma será transportada para outra dimensão. " Quanto mais conheço sobre essa nova linha da ciência, mais argumentos coerentes encontro. Do mesmo modo, essa visão também traz a ideia de que é preciso pensar nas atitudes do hoje, visto que é a mesma consciência que permanece, ainda que em outro espaço-tempo.
      Eu concordo contigo, ainda que emparedada, a consciência permanece ali, passível de resgate, se o indivíduo conseguir a tempo olhar para dentro de si.
      Gostei muito da sua colaboração de ideias inovadoras em um mundo preso em tabus, paradigmas e crenças limitantes.
      Abraços!

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    2. Oi Bia, como vai?
      Só para dizer que não estudo nada de mecânica quântica. É apenas a minha percepção;))!!
      Um beijinho e obrigada pela sua atenção.
      Boa semana.

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    3. Olá, Ailime, de qualquer forma é uma percepção arrojada! Se um dia tiver interesse em Mecânica Quântica sugiro começar com o livro Universo Autoconsciente, do físico Amit Gotswami, complexo, porém muito interessante!
      Abraços!

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  7. OOi!!
    Vejo a morte como a volta pra casa.
    O plano espiritual é o nosso lugar e aqui, nesse corpo e nesse planeta, é onde colocamos em prática, mais uma vez, todo o conhecimento que recebemos e que já temos. É onde tentamos resgatar nossos erros e corrigir nossos passos.
    Tarefa difícil com toda essa imensidão de possibilidades materiais e tendo em vista que, para o nosso próprio bem, não lembramos de tudo o que já fizemos.

    Vendo pelo lado mais físico a coisa toda encaixa no que já foi dito.
    O plano espiritual não deixa de ser uma outra dimensão e a consciência é o espírito, o que mantém esse corpo material em atividade. A matéria perece, mas a consciência permanece com tudo o que já fomos e fizemos até aqui.

    Assunto complexo (e vasto, na minha opinião) esse, e temo ter me enrolado mais do que exposto ideias, mas seguimos tentando, hehehehehe.

    Beijos e uma ótima semana.

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    1. Oi, Nah!
      Eu entendi suas ideias, embora não conheça a filosofia espírita, penso que o primeiro parágrafo trata da morte sob a ótica dessa filosofia.
      De fato em questão de física há pontos similares com o espiritismo, outros diferentes. Por exemplo, a física quântica admite a existência de inúmeras dimensões (superiores e inferiores), todas coexistindo no mesmo tecido de espaço-tempo, a qual mudam simplesmente de acordo com as faces dos dodecaedros que constroem esses tecidos. Há inúmeros outros elementos envolvidos nesse ponto de vista, como você disse, de qualquer forma assunto é complexo, rsrsrs.
      É interessante como as opiniões trazem diversas óticas sobre o mesmo tema, gosto de conhecer diferentes concepções e ideias.
      Abraços!

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  8. Uma excelente reflexão Bia. Nelson Mandela, era um sábio. Demonstrou-o nos seus escritos e na sua forma de vida.
    Um abraçoo

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  9. Olá Elvira, tem razão! Um homem de muita coragem que provocou mudanças incomensuráveis na história e na cultura. Todos somos capazes de provocar mudanças, mesmo que pareçam pequenas, são importantes. Abraços!

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  10. Pois é Bia, eu tenho feito reflexoes pessoais e profundas sobre como estou vivendo, sobre como estou vendo tudo ao redor, o que está me sufocando ou impedindo minha libertaçao interior. Se eu não estiver feliz comigo mesma eu estaria morrendo.
    Então, estou fazendo mudanças e há pessoas que não aceitam isso, por exemplo, decidi colocar em pratica algo que me incomodava mais de 1 ano: desativar a conta do facebook. São redes sociais demais e tudo é quase um faz de contas. O Facebook era o que mais me consumia, mesmo usando cada vez menos, decidi dar uma pausa indeterminada. Como as pessoas podem estar conectadas em tantas redes sociais? Isso é uma loucura. Eu prefiro ouvir uma voz, ver um filme legal mesmo que seja na tv, e assim a dominar minha vida real.

    Bjs

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    1. Olá, Sissym, como vai?
      É interessante e corajoso buscar dentro de si o que está sufocando ou provocando amarras, porque se isso acontece, independente das condições, algo dentro de nós, permite. Cada um tem o seu tempo para essa reflexão e busca, e precisamos fazê-la mais de uma vez na vida. O festejado (após a finalização do processo muitas vezes, difícil) reencontro consigo. É uma pena que nem todos compreendam, respeitam e estimulam esse tempo.
      Como sabe há um bom tempo sou figura rara no facebook... primeiro vieram as decepções por perceber que muito é um faz de conta, depois por perceber que é um antro especulatório, depois por perceber que nos expomos e somos "alvo" mesmo sem essa intenção, já fiz umas três "limpas" na lista de "amigos" e só está ativo para que eu não perca contato com pessoas queridas como amigas e parentes.
      Hoje sou mais dos filmes, livros, shows, poucas redes sociais e interação moderada, também sinto que retomei o domínio sobre a vida real. Na verdade, creio que isso mostra um degrau na evolução da maturidade, a não ser quando fazer parte de uma rede é uma questão profissional.
      Abraços!

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