domingo, 27 de agosto de 2017

Os arquétipos e o conceito "Do be do be do"

Você sabe o que são arquétipos?

Há umas duas semanas assisti online algumas palestras do físico quântico Amit Goswami que me trouxeram subsídios interessantes sobre o assunto. Arquétipos são aspectos fundamentais do nosso inconsciente, modelos primordiais e ancestrais, um conjunto de informações que trazemos conosco e que determinam o que somos essencialmente. Os arquétipos são como o ar - todos respiramos, porém não podemos pegar. O assunto foi largamente estudado por Jung, resultando em uma vasta coleção de livros muito explorado em religiões, livros, filmes, e em marketing e publicidade, induzindo o consumidor à aquisição de produtos e serviços, porém estes não serão meus enfoques aqui.


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Segundo Amit, quanto mais próximo vivemos dos arquétipos de virtude, maiores as chances de vivermos nosso propósito de alma e por consequência, com plenitude. Os principais são: verdade (consigo mesmo), amor, beleza, abundância, holdness - inteireza, poder, justiça, bondade, Selfie (Todo). As profissões exploram arquétipos, alguns exemplos:

beleza: artistas, desenhistas, arquitetos, pintores, dançarinos, fotógrafos.
abundância: empresários e economistas.
holdness: médicos, enfermeiros, psicólogos, profissionais que cuidam do bem estar global.
poder: políticos.
justiça: juízes e advogados.
bondade: religiosos e filantropos.

Isso não significa que os profissionais realizam bem suas funções de acordo com os arquétipos, por exemplo, um juiz pode ser injusto, um médico pode agir com descaso, um filantropo pode ser corrupto... (infelizmente, não raro)

É importante tomarmos consciência de quais são os arquétipos principais em nossa essência. Por exemplo, há três primordiais em mim: o amor, pois quanto mais posso exercer minha capacidade de amar e demonstrar meu amor, melhor me sinto; bondade, pois fico muito mal quando não ajudo alguém que posso ajudar, seja quem for, além de não conseguir guardar ódio ou realizar vinganças; e beleza, por me sentir muito bem exercendo qualquer forma de arte. Isso não significa que eu não deva exercer os outros, ao contrário, exercitá-los aumenta a expansão e gama de conhecimentos, só não se pode distanciar daqueles que são primordiais para o propósito particular.

Penso que a escola deveria trabalhar o tema como meio de ajudar os alunos a encontrar seu melhor caminho profissional. Muitas vezes os pais influenciam - do ponto de vista do próprio ego ou de seus arquétipos - os filhos a escolherem profissões consideradas ideais, de status ou sucesso financeiro, mas se o jovem exerce uma profissão distante de seu arquétipo, ou não será bem sucedido, ou o estudo e exercício da profissão demandará um esforço tamanho que o desconectará de si mesmo. Além disso, não raras vezes "vestimos" arquétipos impostos por outras pessoas. Por outro lado, quanto mais damos espaço para que nossos arquétipos se manifestem, mais próximos estamos da sensação de satisfação pessoal.

Outro ponto interessante colocado por Amit é o de que, quando se conhece alguém e o amor - não, paixão ou atração - é despertado imediatamente, isso significa que ambos trazem uma configuração muito parecida de arquétipos de base, um embasamento que me chegou bem significativo... porém,  por mais que se ame alguém, é preciso que cada um encontre-os dentro de si e resolva vivenciá-los, sem imposições.

Para saber se estamos no caminho certo é muito simples, basta olhar para si e se perguntar:  na maior parte do tempo, "estou alegre? estou satisfeito? vivendo com leveza? consigo superar minhas crises rapidamente? tenho prazer de viver?" Caso as respostas sejam negativas, talvez seja o caso de pensar um pouco mais sobre o assunto.

Como descobrimos quais são nossos arquétipos primordiais? Através do processo determinado por Amit como "Do be do be do", traduzindo, "fazer, ser, fazer, ser, fazer...", ou seja, nos dedicando a trabalhar, ajudar, a ler livros e textos que nos tirem da zona de conforto do conhecimento e nos dando espaço para sermos o que somos. Também indica-se a meditação de concentração -"do/fazer" (estar com foco no que fazemos) e de relaxamento "be/ser" (centrar-se em si mesmo). Assim naturalmente em algum momento teremos insights (momentos nomeados por Amit de sensação "ahá!") sobre quais são os caminhos fiéis à nossa essência.

Esses caminhos aparecem em forma de intuição, e creio ser essa a parte mais difícil, pois em vários momentos da vida o ego se disfarça de intuição e quando seguido as coisas acabam não dando certo, então aprendemos que intuição não funciona, rsrsrs, o que é um erro. São dois grandes desafios:  aprender a diferenciar o que é um comando do ego do que é intuição, e ter a coragem de segui-la. Parece trabalhoso, porém há o incentivo de que sempre que se seguem os verdadeiros propósitos, a vida começa a fluir natural e exponencialmente.

E você, sabe quais são seus principais arquétipos?




obs: respondendo perguntas inbox, apesar de indicar alguns vídeos, não faço mentoria com ninguém, somente sigo indicações de livros e vídeos, portanto não posso indicar coachings. há muito material disponível para quem se dispõe a pesquisar e estudar.

14 comentários:

  1. Que interessante! Dá que pensar.
    Bjs

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    1. Oi, Elisabete, tem razão, é um assunto muito importante, pois todos vivenciamos arquétipos - não há como fugir disso, e no entanto pouco ouvimos sobre o assunto. Abraços!

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  2. Que legal! Tu sempre encontra textos e temas lindos e que nos acrescentam...Adorei! Vale cada um pensar quais os arquétipos tem em si...bjs, linda semana! chica

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    1. Oi, Chica, é verdade, vivenciamos a todos, porém nem sempre temos conhecimento daqueles que são nossa orientação essencial. Os arquétipos são influências fortes e é importante reconhecer aqueles inadequados para nosso perfil. Abraços!

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  3. Quanto mais avançamos nestas incríveis descobertas aprofundando o autoconhecimento e interações relacionais, mais nos deparamos ante veredas novas e pontos ainda meio turvos no caminho, mas isto, a meu ver, constituem etapas agregadoras e de grande valia para os próximos passos.
    Seguindo a listagem, eu creio serem meus arquétipos relacionados ao Amor-hodness e o Amor- primordial, a beleza e a inteireza.
    Agora, depois de lê-la, vou me debruçar sobre o assunto. Quero saber mais.
    Obrigada manina-borboleta.
    Bjo,
    Calu

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    1. Oi, Calu! Há vários pontos turvos pois o assunto é vasto e complexo. Embora todos sejamos influenciados por essas informações primordiais, sem esse conhecimento, não temos como saber lidar com isso de forma a extrair nosso melhor. Viver o arquétipo para o qual fomos formados pacifica internamente, ao passo de que viver um arquétipo para o qual não fomos configurados traz consequências inevitáveis.
      Penso que todo professor vive o arquétipo holdness, rsrsrs, eu também o tenho um pouco, adoro cuidar bem das pessoas, especialmente das que amo, com inteireza, costumo ser inteira a tudo e todos a quem me proposito.
      Espero que seu debruçar resulte em achados incríveis! Abraços!

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  4. Olá, Vane.

    Cada vez mais, vamos aprendendo por aqui; descobrindo o caminho do autoconhecimento, essa nossa incansável, e mais que necessária, busca do nosso eu interior. Só nos conhecendo melhor, melhor podemos interagir com a vida e com os outros.

    Muito bom. Estou gostando do que tenho lido...

    Um abraço e uma boa semana.

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    1. Oi, Apon! Que bom que gostou! Sei que alguns temas que tenho trazido aqui são novos para alguns leitores, e fascinantes quando se compreende o quanto do nosso universo (interior e exterior) é desconhecido, e fantástico quando seguimos essa ordem natural.
      Admito, não é fácil buscar e praticar autoconhecimento, para encontrar o eu interior mexe-se com tanto do que trazemos conosco que romper com velhos padrões de pensamentos e sentimentos em alguns momentos parece impossível - mas não é! :D
      Abraços!

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  5. Olá, querida amiga Bia!
    Amo suas postagens... gosto muito de me conhecer e me proponho a isso há alguns anos... sou muito mais feliz em descobrir a cada dia mais e polir meu eu real... ele é lindo porque não tem sombras que o maculem pela Graça Divina...
    Gostei muito doque diz que eles estão em todos... e os que deveríamos ter podemos não tê-los presente.. bárbaro isso!
    Vuu te contar um grande segredo: Deus me tira de toda zona de conforto pra eu sair do meu quadrado e atingir cumes elevados de sublimação e espiritualidade... pura Graça!
    Seja feliz e abençoada!
    Bjm de paz e bem

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    1. Oi Rosélia!
      "Polir meu eu real"... que bela expressão para definir lapidação interior! Sim, todos temos um "eu" muito bonito que se revela quando as sombras estão bem resolvidas. É um processo longo, inclusive há livros que comparam esse processo realmente à lapidação de um pedra bruta, passando por polimento, até brilhar. Leva tempo e demanda delicadeza, até que o resultado seja forte o suficiente para que nada mais a torne opaca! :D
      Os arquétipos estão em todos e os vivenciamos o tempo todo, inclusive os que não são positivos, então é preciso estarmos atentos sempre e o termômetro está no que sentimos diariamente. Se não estamos bem, certamente estamos vivenciando algo que não nos corresponde, e ao contrário, quanto mais plenos nos sentimos, mais próximos estamos dos nossos arquétipos de base.
      Muito bem colocado, as situações que visam nos tirar da zona do conforto acontecem para nosso crescimento e realinhamento interior, e se resistimos a isso, os problemas se multiplicam, pois a expansão (interior) pessoal é a orientação natural e irrefreável. Ver isso como Graça é uma bela maneira de encarar os desafios da existência.
      Abraços!

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  6. Que interessante, Vane. Nunca parei pra pensar nisso, na verdade. E vc propôs uma ótima reflexão sobre o assunto! Mais uma, né. Bjs e boa semana!

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    1. Hahhaa, pois é, Sérgio, mais uma reflexão, rsrsrsrs... se estiverem ajudando aos leitores, é o que vale! É mesmo um assunto muito interessante que pretendo estudar mais a fundo mais a frente. Abraços!

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  7. Mais uma que estou aprendendo, nunca ouvi falar ee arquétipos.
    Uma bela reflexão
    Adorei
    Beijos
    Lua Singular

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    1. Oi, Dorli, como vai? Está sendo muito interessante observar as respostas, lembro-me de ter ouvido falar superficialmente sobre arquétipos na faculdade, mas não havia compreendido sua influência em nosso subconsciente. Eu sei muito pouco mais ainda quero saber mais. Abraços!

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