domingo, 22 de outubro de 2017

Os três medos universais

Há alguns meses, lendo um livro de Gregg Braden, encontrei algumas respostas que provocaram algumas mudanças em mim.


imagem freepik


Em certo capítulo do livro, Gregg trata dos três medos universais, medos que nascem com toda a humanidade, em maior ou menor grau. Conforme sua evolução, esses medos aumentam ou diminuem, e impactam nos relacionamentos em todas as esferas: "os padrões universais de medo podem ser tão sutis em sua manifestação e ao mesmo tempo tão dolorosos ao vir à mente que, habilidosamente, criamos máscaras para torná-los mais suportáveis. (...) Somos tão bem sucedidos em esconder nossos maiores medos que, para todos os fins e propósitos, as razões originais de nossas feridas são esquecidas e tudo o que resta é como elas se expressam, isto é, como extravasam". São eles:


1 - Medo do abandono: nascemos com esse medo devido à ruptura que sofremos quando nascemos. Apesar das explicações científicas e espirituais, sempre fica a dúvida: de onde viemos? Quem somos? No fundo da memória remota temos a sensação de que fomos trazidos até aqui e abandonados. O impacto dessa sensação inconsciente é que, por medo de novos abandonos, desenvolvemos duas pontas de padrão: em uma a pessoa se submete a relacionamentos (no amor, amizade ou profissional) insatisfatórios e infelizes com medo de ficar sozinha(o) ou se afasta quando a proximidade se desenvolve.

2 - Baixa auto-estima: traz em cada um a sensação de não ser suficientemente bom. "Como mestres da sobrevivência emocional, frequentemente nos encontramos criando cenários na vida real equivalentes aos valores imaginários que atribuímos a nós mesmos."  Esse medo faz com que passemos a vida criando situações que nos levam a questionar nosso valor e nos mostram que não merecemos reconhecimento, ser felizes ou respeitados: "nas ocasiões em que não sentimos como se pudéssemos alcançar nossos maiores sonhos, a Matriz simplesmente devolve aquilo que estivemos usando diariamente - atrasos, provocações e obstáculos." Superar essas auto-limitações requer um trabalho interior mais eficaz.

3 - Medo de se entregar e confiar: acontece quando sentimos que não é seguro entregar a paz do nosso mundo a alguém. Isso acontece pela sensação de que o mundo é assustador e perigoso (fomos abandonados quando nascemos, lembram?) e que as preocupações são naturais, quando na verdade, são normais (aprendidas). Esse medo pode ser controlado a partir do fortalecimento da nossa personalidade - pois a entrega não significa largar a vida nas mãos do outro, e sim estar com quem preserve nosso eu - e de uma sutil mudança de perspectiva: os medos não precisam fazer parte da nossa realidade íntima, pois quanto mais medo de confiar temos, mais pessoas e situações que desmerecem nossa confiança aparecerão em nossa história.

O conhecimento desses medos provocaram algumas mudanças efetivas no meu comportamento e visão de vida, e espero que possam ajudar os leitores também. Melhor ainda será aquele que perceber que os três medos estão devidamente domados, e que está feliz e em paz consigo e com o entorno - Bingo!!!!

Finalizando, "se quisermos que alguma coisa mude, temos que romper com o círculo e dar à Matriz algo diferente para ela refletir. Parece simples, não é mesmo? Pode ser simples, mas podemos ficar decepcionados; não é fácil mudar o modo pelo qual nos vemos. Talvez seja uma das coisas mais difíceis da vida. Por causa de nossas crenças interiores, enfrentamos a grande batalha, o grande desafio de todo ser humano, ou seja, a luta cujo resultado irá definir quem acreditamos ser".




Considerações pessoais:

Lembro-me de ter chorado muito ao ler o primeiro medo. É muito frequente ouvirmos falar de baixa auto-estima e desconfiança, mas eu nunca havia percebido a vida pelo aspecto do medo do abandono, e me identifiquei, pois sempre me afastei de amigos com quem tive forte vínculo e tenho consciência de que me autossabotei várias vezes ao ter medo de ser abandonada pelo amor, ou me entreguei a relacionamentos danosos por medo de ficar sozinha. Como a vida traz episódios que validam aquilo do qual temos medo, tive vários episódios de sensação de abandono, desde a infância até um passado recente, como diz no livro, "como é que você espera encontrar o amor, a confiança e a proximidade tão ansiados se você está sempre partindo ou sendo deixado para trás, justamente quando você se aproxima?". Essa percepção me fez decidir estar aqui onde estou, esperando, e procurando identificar e combater os padrões de fuga quando aparecem. Nos campos de amizades, familiar e profissional isso tem surtido efeito em relacionamentos onde tenho me mostrado mais e me permitido criar vínculos. A dica do livro a qual sempre procuro lembrar é passar para a percepção de que nunca estamos sozinhos, pois estamos o tempo todo amparados pelo amor do Todo (Deus, Criador, Universo). A baixa auto-estima tenho trabalhado há anos, agora focando mais na percepção de minha capacidade e merecimento, já com entrega e confiança não tenho grandes problema, apesar do histórico de vida me entrego e confio.

19 comentários:

  1. Muito bom, Vane.

    Postagens cada vez melhores por aqui. Parabéns menina! De fato, esses medos nos manietam, sabotam possibilidades, mutilam, agastam a felicidade. É vencer os medos, ou sucumbirmos a eles.

    Um abraço e uma boa semana.

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    1. Oi, Apon, obrigada, que bom que gostou!
      É verdade, o medo bloqueia nossas possibilidades e provocam estagnação, retrocesso. É preciso atenção para farejá-lo antes que tome proporções excessivas. Abraços!

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  2. Tais mesos devem ser falados e entendidos e então resultados aparecem! Gostei! bjs praianos, obrigadão pelos carinhos todos,chica

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    1. Oi, Chica!
      Isso mesmo, falar, divulgar, é um meio de trazer os medos do inconsciente para a luz do consciente, onde é possível começar a desmembrá-los e combatê-los, mudando as chaves sobre as quais nossas ações sabotadores são realizadas. Abraços!

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  3. Boa tarde. Estou de volta, depois de oito dias ausente e de mais dois sem Internet que passei a ter agora, apesar do técnico só cá vir amanhã.
    Enfim coisas da tecnologia
    Provavelmente será assim. Eu tenho medo da solidão. Muito. Penso que ela nata mais do que qualquer doença.
    Abraço

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    1. Oi, Elvira!
      Internet é danada... uma maravilha quando funciona bem, mas o contrário nos deixa de cabelo em pé, rsrsrs!
      Tem toda a razão, o medo da solidão é uma das causas da depressão e mata mesmo! Se não em termos físicos, mata a vontade de viver, realizar ou leva a relacionamentos distorcidos, o que é tão grave quanto.
      Abraços!

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  4. Curioso, jurava que o medo de perder alguém querido estaria entre os 3. O medo da morte colocaria em primeiro. Ótima postagem, Vane. E gostei do seu relato final. Bjsss

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    1. Oi, Sérgio, o que escreveu faz muito sentido, essa é uma das situações que mais abalam nossas estruturas, e veja bem, no fundo o medo de perder as pessoas que amamos está relacionado com o medo do abandono, pois quando as perdemos nos sentimos um pouco mais sozinhos no mundo, não é mesmo? Abraços!

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  5. Vane

    Medos. Quem não os tem. Foi interessante você abordar esse tema que após ler o livro encontrou respostas e mudanças . Muitas vezes passamos pela vida ( eu falo por mim ) inseguros e questionadores de como nos sentimos . Eu penso que as vezes damos demais importância a certos fatos que nos incomodam . E os problemas crescem e vão inflando nossa mente e nosso viver . Também penso que somos diferentes uns dos outros . Tem pessoa que não sofre ou camufla mesmo os sentimentos de medo , de derrota , enfim ...
    Sempre é bom vir aqui. Saio mais repleta e informada . Suas escritas me fazem assim.
    bjs

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    1. Oi, Zizi! É curioso mesmo, sempre recebemos as respostas quando procuramos se soubermos percebê-las. Eu procurava um motivo pelo qual meu joelho ainda incomodava tanto, e sabia que tinha a ver com o emocional. Após esse entendimento meu joelho melhorou... quando contei ao osteopata, ele então disse que há um meridiano de acupuntura relacionado ao medo que fica no joelho. Olha só?
      "Eu penso que as vezes damos demais importância a certos fatos que nos incomodam". Ótima colocação! Somos até tolos do tanto que nos deixamos levar por bobagens, pequenas coisas, que como disse, deixamos que inflem e tomem conta da nossa paz, dos nossos sentimentos devido aos nossos medos e inseguranças, como ervas daninhas. Penso que amadureci bastante esse ano nesse sentido, o que é bom, rsrsrs. Suas conclusões também mostram uma sabedoria ímpar.
      Aprendemos a camuflar para sermos aceitos ou não sermos taxados de fracos, mas com certeza esse é um caminho perigoso, pois nunca sabemos como isso irá eclodir. Tanto melhor é remexermos nosso baú de tranqueiras e limpá-lo antes que nos assolem, o que acontece principalmente nos momentos mais inapropriados, naqueles em que precisaríamos estar fortes, positivos, e dá um trabalhão danado para domá-los.
      Abraços!

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    2. Oi Vane, muito grata por responder . Os questionamentos surgem , duvidas aparecem e você sempre tem um bom diálogo esclarecedor.
      Sabe que outro dia eu sonhei que conseguia ficar de cócoras , pois é , os dois joelhos permitiram isso. Foi tão alegre que ao acordar eu nem suspeitei que era um sonho. Acreditei que estava bem mesmo ! Só depois é que senti o tornozelo meio dolorido é que senti que não era realidade . Rs rs
      beijos boa tarde !

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    3. Oi, Zizi, é sempre um prazer esse contato com os leitores.
      Penso na grande alegria que viveu em seu sonho. E quem disse que o sonho não é uma realidade que acontece em menor espaço de tempo? rsrsrs
      A doença física (dor, desconforto) é importante ser tratada pela medicina tradicional, que alivia os sintomas, mas as causas são oriundas de desequilíbrios energéticos causados por sentimentos em desordem, e nesse sentido as terapias como Reiki, acupuntura, florais, entre inúmeras outras agem a médio prazo, porém de forma eficaz, sempre andando junto com o tratamento tradicional.
      Tornar consciente o desequilíbrio emocional - medo da sensação de abandono, mesmo que eu não estivesse, mas por remeter a sensações remotas de infância - ajudou a identificar a raiz do desequilíbrio energético, um dos desdobramentos das terapias holísticas, ou seja, trazer à tona o que precisa ser liberado.
      Abraços!

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  6. Boa tarde Vane,
    Esses três medos também já me assaltaram em algumas etapas da minha vida. Uns mais acentuados que outros, mas sempre lutei para enfrentar as suas causas (por vezes com ajuda) e tenho vindo com o tempo a dissipá-los.
    Claro que não estou ainda completamente liberta, mas me deixam neste momento viver uma vida mais plena,))!!
    No entanto tenho outros que me assaltam algumas vezes, como o medo da morte. Que fazer? Talvez tentar viver o dia a dia com mais intensidade, ter actividades que preencham mais o cérebro. Que acha?
    Beijinhos,
    Ailime

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    1. Oi Ailime!
      Penso que procurar ajuda é saudável quando não se consegue administrar os medos sozinha. Também tive ajuda em momentos de extrema baixa auto-estima que ajudou muito mesmo. Mas para isso é preciso a entrega e confiança no profissional.
      Penso que cuidar dos nossos medos é trabalho para a vida inteira, rsrsrs... o que podemos fazer é não deixar que eles cresçam dentro da gente, e expurgar os que estão enraizados, olhando-os de frente, acolhendo-os e liberando-os.
      O medo da morte deve ser a mesma sensação de abandono do nascimento... todos temos medo do desconhecido, sem falar que é mais um ato que só podemos fazer sozinhos. :) Quanto melhor cuidarmos de nós aqui, do nosso coração e dos nossos sentimentos, melhor será nossa partida. Abraços!

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  7. OI VANE!
    ACHO QUE OS MEDOS FAZEM PARTE DE CADA E RECONHECÊ-LOS MINIMIZÁ-LOS E SUPERÁ-LOS É TAREFA PARA SEMPRE, VENCÊ-LOS É A GLÓRIA.
    MUITO BOM TEU POST, AMEI.
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Zilani, com certeza! A cada medo vencido, nos tornamos mais fortes e reconhecemos a dimensão da nossa capacidade, do nosso imenso valor interior, é um caminho que ninguém pode fazer por nós. Abraços!

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  8. Oi Bia,

    Fazia um tempo que nao passava por aqui, e tudo está mudado, o nome do blog, a página, e tudo mais. Gostei bastante da inovaçao, e principalmente por conhecê-la, até entao, nao tinha visto seu rosto. Aproveitei para acompanhar um vídeo bem interessante.
    Sobre o texto, no meu caso entre os 3 medos, o de confiar é o que realmente mais me assola, o corpo é mais fácil de ser entregue, mas a alma e o coraçao estao bem guardados na Caixa de Pandora, rsrsrsrs
    Ou melhor, na Caixa de Vanessa...rs

    Bjos

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    1. Oi, Vanessa!
      Nossa, fazia tempinho mesmo, mudei em agosto, no aniversário do blog, rsrsrsr! Que bom que gostou!
      Creio que o medo de confiar está entre os mais "populares", rsrsrs, sendo compreensível, ninguém gosta de se sentir enganado. Sempre penso ser um medo perigoso, pois o excesso de desconfiança pode punir pessoas que merecem crédito o que gera desmotivação e ressentimento.
      Eu entrego alma e coração quando há amor e na medida do tamanho que sinto. Há quem seja meu dono de tudo.
      Abraços!

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